W3vina.COM Free Wordpress Themes Joomla Templates Best Wordpress Themes Premium Wordpress Themes Top Best Wordpress Themes 2012

7 a 1 – Quando o inacreditável se passa diante dos olhos

Sei que perdi o timing desta postagem, mas nos últimos dias estive tentando absorver o evento histórico que presenciei no Mineirão – a maior goleada sofrida pela Seleção Brasileira em sua centenária história – e analisando a repercussão e as consequências.

Muita gente me pergunta qual era a sensação no estádio e a reação do público. Posso dizer que a torcida estava muito animada no pré-jogo, e enquanto houve uma partida real (até o segundo gol da Alemanha, aos 22 minutos), foi muito participativa e se mostrava sabedora de que teria que ser parceira para que a vitória fosse conquistada. Os rostos totalmente esperançosos na vitória foram substituídos pela expressão de “Xi, vai ser difícil” após o primeiro gol alemão, deram lugar a “É, acho que acabou” no segundo, e à mais variada exposição de bocas abertas, balançares de cabeça e caras de choque que já vi na vida. Poucos demonstravam tristeza ou chegavam às lagrimas, tantos quanto os que debochavam ou se indignavam com aquele massacre. O ambiente geral tornou-se de incredulidade e passividade. Com o gol de honra (se é que essa palavra possa ser mencionada em qualquer coisa relacionada ao jogo pelo lado brasileiro) de Oscar, houve alguma vibração e apoio real, do tipo “Ufa, desencantou! Fomos capazes de fazer ao menos cócegas!”.

Vi pouca gente sair do estádio, e pelo meu sentimento (confirmado depois por outras pessoas), a explicação é simples: aquilo não era uma simples eliminação. Era provavelmente a partida mais louca da história do futebol, diante de nossos olhos, e havia a apreensão de até onde aquilo iria chegar. Como sair no intervalo, com 5 a 0 para a Alemanha, e se desligar do quão terrível ainda poderia ser o segundo tempo? Nesta semana o Luciano Huck foi muito criticado por ter comparado a eliminação do Brasil aos Atentados de 11 de Setembro, o que eu acho totalmente merecido visto que foi feita como exemplo de superação. Mas, sem qualquer comparação quanto à gravidade dos eventos, a sensação que eu tive no jogo só é comparável à que eu tive ao ver pela TV, ao vivo, o que acontecia naquele 11 de Setembro: a principal potência mundial totalmente fragilizada, seus símbolos eram destroçados e, em dado momento, parecia não haver limite (no atentado, primeiro caiu uma das Torres Gêmeas, depois a outra, e ainda surgiam as informações do ataque ao Pentágono numa progressão assustadora).

O setor com mais alemães no estádio ficou cantando sem parar. Já a saída do estádio tinha não apenas o compreensível silêncio da torcida brasileira, mas também o dos alemães e demais estrangeiros, que quase não falavam. Os brasileiros pareciam sem reação e envergonhados diante do atropelamento, num clima de resignação e ressaca generalizada, enquanto os alemães tampouco entendiam o que tinha acontecido, mas continham a euforia numa postura respeitosa e solidária.

Hoje, concordo que houve uma divisão de foco com a lesão do Neymar, mas a identifico tanto na Seleção quanto na torcida e toda sociedade brasileira. Era o time todo com boné desejando força ao Neymar, o capitão e o mais experiente do time dividindo a tarefa de segurar a camiseta do craque no Hino Nacional, presidente da República fazendo o “É tois”, agências de publicidade distribuindo máscaras do menino de ouro do Brasil com a hashtag #somostodosneymar, torcida gritando o nome craque, etc. E não, não estou culpando ninguém, é apenas uma constatação. Como brilhantemente disse José Trajano no Linha de Passe após a contusão do Neymar, “Era hora de chorar o morto”. Não dava pra passar incólume por isso, dentro ou fora de campo.

Para finalizar meus relatos de dentro do estádio, enquanto houve disputa, jamais suspeitei de que qualquer coisa sequer próxima do ocorrido pudesse acontecer, o que me faz entender a conveniente “Teoria da Pane” adotada pela antiga comissão técnica da Seleção. Ao contrário do que nosso colunista Fernando Prado contou sobre Santos 0 x 4 Barcelona – final do Mundial de 2011 – no qual “com 3 minutos de jogo já era sabido que o Barcelona venceria” tamanha a diferença de excelência do futebol evidenciada entre os times em campo, isso não ocorreu na semifinal da Copa. Confirmei a minha impressão ao assistir o VT, com algumas ressalvas que serão tema de um próximo texto.

Meritocracia? A volta de Dunga acaba com qualquer ilusão
Neymar e Barça? Tudo a ver!

Escrito por:

- possui 160 artigos no No Ângulo.

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Entre em contato com o Autor

5 respostas para “7 a 1 – Quando o inacreditável se passa diante dos olhos”

  1. Leandro Faria disse:

    Já sei que foi o pé frio… kkk

  2. José Aquino disse:

    E nem assim demitiram os cartolas que levaram – e continuam levando – o futebol a esse vexa,e. Esse e outros

  1. […] o privilégio (sem ironia) de estar lá. Inclusive, escrevi um depoimento ainda antes do lançamento do site, só para não deixar o tempo levar minhas memórias da época. […]


Enquete

Qual o maior técnico brasileiro dos últimos tempos?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...

Colunistas

José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

Fernando PradoFernando Prado

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Gustavo FernandesGustavo Fernandes

Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

Jorge FreitasJorge Freitas

“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

Assinatura por e-mail

Arquivos

©2017 No Ângulo - Todos os direitos reservados