A bola pune: o dia em que aprendi a não duvidar do futebol

Créditos da imagem: GETTY

Comecei a assistir a Barcelona x PSG achando que tudo seria possível. Desde o morno 0 a 0 até a uma nova goleada do time francês – afinal, um dia antes, Real e Bayern devolveram os placares de ida sem dó nem piedade de seus rivais Napoli e Arsenal, respectivamente.

Quando Suárez tocou aquela bola para o fundo do gol, logo aos três minutos de jogo, a sensação que tive é de que seria um jogado suado e sofrido, para ambas as torcidas. Não gosto de gols que não balançam a rede, dá uma impressão de que não valeu e a minha sensação era de que, apesar do gol, o jogo seguia 0 a 0 – o que na realidade quase se fazia, já que a vantagem do PSG ainda era esmagadora.

O jogo seguiu com o Barcelona no ataque. Quando Iniesta tocou de calcanhar para trás e Kurzawa cortou para a rede, vi o Barça nas quartas-de-final.

Simples: dois vira, quatro acaba. Prorrogação e a vantagem de jogar em casa por mais 30 minutos. O Paris estava morto.

Quando Messi fez o terceiro de pênalti, desconsiderei as prorrogações. Seria mais que quatro, tamanha superioridade que víamos em campo entre um time que só queria atacar e seu rival, amedrontado e encurralado.

Aos 17, eu estava certo quanto à prorrogação: ela não viria. O gol de Cavani fulminou qualquer chance de vermos mais 30 minutos deste jogão, além de esfriar qualquer ânimo que ainda existia ali pelos lados da Catalunha.

Nesse momento, cometi o maior pecado que um apaixonado pelo futebol pode fazer. Levantei-me e desliguei a TV. Não sou torcedor do Barcelona e não via mais motivos para me manter atento a um jogo decidido, morto numa única bola, dessas “gentilezas” que o futebol proporciona ao time que está mandando no jogo.

Por mais de uma hora me esqueci do jogo. Saí de casa. Sem internet, sem TV, esqueci que Neymar, Messi e Suárez praticavam futebol em um outro continente, em um estádio lotado, com uma torcida ensandecedora.

Pobre de mim. Perdi de ver a maior virada da história do maior torneio entre clubes do mundo. Perdi de viver os mais intensos 7 minutos e 16 segundos dos últimos cem anos, que consagraram uma equipe gigante no futebol mundial.

A bola pune, diria Muricy. Pois eu digo que não pune apenas os jogadores, mas também os incrédulos. Pagarei pelo resto dos meus dias pela falta de fé que tive, por não acreditar que no futebol tudo é possível.

Vivi para não ver. Agora vivo para acreditar que nada mais é impossível.

Um brinde ao futebol!

19 comentários em: “A bola pune: o dia em que aprendi a não duvidar do futebol

  1. Aconteceu algo parecido comigo na final da Champions de 99! Eu estava morrendo de sono e já estava nos 40 e poucos, com o Bayern ganhando por 1 x 0, acabei pegando no sono. Daí acordei com o narrador vibrando alucinado pelo título do Manchester United, eu não entendi nada! Fiquei meses carregando essa tristeza, rs

  2. Claro que foi inesquecível e um episódio incrível da história do futebol, mas ainda não consigo engolir aquele pênalti do quinto gol! Os outros lances polêmicos, ok, foram mais discutíveis e em momentos mais normais do jogo. Mas aquele pênalti foi absolutamente inventado, jogada que não dá nem para ter dúvida, e foi o que permitiu que o Barcelona ficasse no jogo. O quarto gol (a falta incrível do Neymar) foi quase um gol de honra, mesmo a mobilização não era de quem ainda acreditava. No quinto – que foi de presente – é que mudou tudo…

  3. E eu que “assisti” pela internet, lendo sobre os principais lances?!!! 😀 É um privilégio ver esse Barcelona em campo, que jogo, que virada!!! E dá-lhe Neymar!!!

  4. O tipo de jogo que afasta as pessoas sérias de um futebol desonesto e parcial. Qual a graça de ganhar “roubando?”

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