A cara do Zé

Créditos da imagem: UOL

Aproveitando a sempre melancólica quarta-feira de cinzas e o cansaço de quem curtiu bastante o carnaval, aproveitei para acompanhar o primeiro jogo de futebol do ano, o encontro entre o Aviador e o Almirante.

E tive sorte. Ainda no meio de fevereiro, foi impossível não se impressionar com a qualidade de jogo que o Vasco de Zé Ricardo impôs ao Jorge Wilsterman, da Bolívia, no passeio de 4 a 0, fora o baile, em um São Januário pulsante, mas não lotado.

O que se viu do lado vascaíno foi um time que sabia o que queria e tinha consciência de como fazer para conseguir o objetivo. Uma equipe como não se vê muito no Brasil: com a cara do treinador.

Quem acompanhou o começo da carreira de Zé Ricardo, logo no arquirrival vascaíno, e viu o jogo do Gigante da Colina ontem, viu que Zé não mudou muito sua mentalidade sobre futebol, e isso é bom. O treinador já tem seu estilo: posse de bola, defesa alta, intensidade no ataque.

Mas nem tudo é exatamente igual ao que era no clube anterior. Se pecou por não utilizar os juniores em seu primeiro trabalho, agora, no lado cruzmaltino, o técnico coloca a molecada para comandar o jogo. Partem dos pés do consciente Evander, de 19 anos, e do arisco Paulinho, de 17, as jogadas mais agudas do time, que ainda tem os experientes Wagner e Desabato e o cão de guarda Wellinton formando um meio-campo forte, o melhor setor do time, e que deixa o lateral Pikachu livre para atacar pela direita e ser importante arma ofensiva.

O padrão vai dando certo: em três jogos na Libertadores, são três vitórias fáceis, com 10 gols feitos e nenhum sofrido. O resultado e a bola jogada ontem chamam bastante atenção. Se o Concepción não era parâmetro, o mesmo não se pode dizer do Jorge Wilsterman, time que manteve a base da boa campanha no torneio do ano passado. Pelo lado dos bolivianos, a clara estratégia de só se defender no primeiro tempo foi punida. Quando decidiu sair para o jogo, só na segunda etapa, até assustou o Vasco. Mas o time soube se defender (olha aí mais uma característica do Zé) e encaixou contra-ataques que deixaram a classificação na mão.

Depois de ir à altitude de Sucre na semana que vem, onde só um desastre o fará perder a vaga, o Vasco terá um desafio mais duro, em um grupo que pode ser considerado muito difícil com Cruzeiro, Racing e Universidad de Chile. E aí, saberemos se o padrão de jogo bem definido do treinador será suficiente.

Ano passado, no rival, não foi. Mas como o Vasco não tem nada a ver com isso, por enquanto, a cara de Zé Ricardo vai ganhando a torcida, a ponto de o treinador ter o nome gritado pelo estádio inteiro. Um agradecimento pelos momentos de alegria e autoestima que há muito o vascaíno não tinha.

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