A falta que faz Gabriel

Em 26 de dezembro de 2014, o Palmeiras anunciou a contratação do volante Gabriel. O jogador havia se destacado na equipe do Botafogo e chegou por indicação do então técnico palmeirense Oswaldo de Oliveira, ambos velhos conhecidos dos tempos de “Glorioso”.

Gabriel chegou ao clube sem qualquer status de estrela (que de fato ainda não é), sendo apenas mais um bom nome da grande leva de novas contratações do novo diretor do alviverde, o badalado Alexandre Mattos.

No entanto, antes do que se podia prever, o camisa 18 se transformou em peça fundamental no esquema tático do time. Muito forte na marcação e preciso nos desarmes, logo impressionou e cativou a torcida pela raça demonstrada em campo. Em sua primeira competição defendendo o Palmeiras, o volante de apenas 23 anos foi destaque e ganhou o prêmio da Federação Paulista de Futebol de melhor primeiro volante do Campeonato Paulista de 2015.

O sucesso foi tamanho que logo nas primeiras partidas do Brasileirão o jogador ganhou um canto especial da torcida para gritar seu nome: “eô, eô, Gabriel é um terror”, música que já foi entoada para o ídolo do clube, Evair. Após a partida, o atleta revelou que se emocionou com o canto.

Porém, a bonita e promissora história foi interrompida na 16ª rodada do Brasileirão 2015, quando Gabriel saiu de campo gravemente contundido. Diante do Atlético-PR, aos 34 minutos do primeiro tempo, o volante rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. Jogar de novo? Só no ano que vem.

O palmeirense não podia imaginar que a contusão de Gabriel fosse trazer tanto prejuízo ao time. É inadmissível aceitar que apenas um atleta possa fazer tanta falta para um grupo, porém, nesse caso, a equipe de Marcelo Oliveira ainda não conseguiu achar uma solução.

O volante era o terceiro maior roubador de bolas do campeonato, com média de 3,6 desarmes por partida e 84% de botes certeiros. Os números individuais pouco importariam se os números da equipe também não tivessem sofrido alterações. Da 1ª até a 16ª rodada, Gabriel atuou em todas as partidas. Àquela altura, o Palmeiras tinha, ao lado do Corinthians, a melhor defesa do Brasileirão 2015, com apenas 12 gols sofridos, uma média de apenas 0,75 por jogo. No entanto, após a saída do primeiro volante do time, o Palmeiras perdeu muito seu poder de marcação e, em oito jogos sem o atleta no campeonato nacional, foram 15 gols sofridos, uma média de 1,87 gols por jogo. Ou seja, a média mais do que dobrou. Em apenas 8 partidas, o Palmeiras foi mais vazado do que em todas as 16 que Gabriel esteve em campo.

Não apenas por isso, mas também por isso, o Palmeiras vai mal das pernas. O técnico Marcelo Oliveira ainda não encontrou uma maneira ideal de encaixar o sistema defensivo da equipe. Fato é que o time vem levando muitos gols, e não é possível aceitar que apenas um jogador possa fazer tanta diferença. O treinador já testou diversas formações diferentes (desde a sua chegada, Marcelo Oliveira conseguiu repetir o time apenas 3 vezes), porém nenhuma ainda parece satisfatória.

Sem falar na falta de criação de jogadas, as ligações diretas, a ausência de transição e toques de bola etc.

A dor de cabeça aumenta, já que não existe tanto tempo para testes. E a recuperação tem de ser imediata. Sob pena de o Palmeiras passar mais um ano em branco.

4 comentários em: “A falta que faz Gabriel

  1. Realmente o setor defensivo do time está sofrível e sentindo muito a falta do Gabriel… o ataque está fazendo sua parte, já que segundo as estatísticas é o time que mais finalizou no campeonato brasileiro e, se não me engano, o segundo melhor ataque…

  2. Da baciada de reforços, acho que o Gabriel foi o que mais caiu nas graças da torcida. De fato, uma pena o ocorrido. Curioso é que o elenco (normalmente elogiado por torcida e imprensa) não tenha alguém à altura para substituí-lo. Girotto? Aquele outro rapaz que veio da Série B? Será? Hummm… Vamos ver. 😉

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