A Fiel não deve repetir o histórico de conflitos com ídolos também com Guerrero e Sheik

Créditos da imagem: AP Photo/Shizuo Kambayashi

Historicamente a Fiel Torcida corintiana costuma ter uma relação conflituosa com seus ídolos. O caso mais célebre é o de Rivellino, um dos maiores craques da história do futebol brasileiro, que após a derrota na decisão do Campeonato Paulista de 1974 contra o arquirrival Palmeiras, quando o Corinthians vivia um jejum de vinte anos sem títulos, teria sido “praticamente expulso” do clube. Após dez anos de Parque São Jorge, o “Riva” foi para o Fluminense, onde conquistou títulos e se tornou um dos maiores ídolos da história do Tricolor das Laranjeiras (senão o maior).

Mas essa história não se resume ao jogador que, de tão identificado com o alvinegro, ficou conhecido como Reizinho do Parque. Cada um a seu modo, Carlitos Tévez, Ronaldo Fenômeno, Marcelinho Carioca, Neto, Edílson Capetinha, Luizão, Rincón, Ricardinho, todos deixaram o alvinegro de forma desgastante, por problemas ou com a torcida ou com a diretoria.

Infelizmente a história está se repetindo uma vez mais. O anúncio da liberação do peruano Paolo Guerrero antes do clássico de domingo contra o Palmeiras escancara isso. Pela internet, é comum ver torcedores corintianos xingando o centroavante e o tratando como mercenário. Eu gostaria de saber quantos desses torcedores estariam dispostos a abrir mão de uma oferta maior (comenta-se que as luvas oferecidas pelo Flamengo – provável destino do atleta – seriam R$ 4 milhões mais altas que as do Corinthians) e a certeza do pagamento em dia (e como o mundo dá voltas!) para continuar num clube que enfrenta sérios problemas financeiros e cuja torcida frequentemente se mostra ingrata com os ídolos.

Cada clube e torcida tem suas peculiaridades, e até tem seu charme esse “sentimento pelo clube independente de personalismos” que se vê no Corinthians (ao contrário de outros clubes que têm mais tradição de culto aos ídolos, como Vasco, Santos e Grêmio, por exemplo, o que também é bom que exista), mas isso não pode significar que ninguém tem importância. É momento de a torcida cobrar de quem realmente tem culpa: a diretoria. Não é admissível que um clube com as receitas do Corinthians perca um referencial técnico e histórico como Guerrero, por um valor que é acessível a clubes brasileiros. Guerrero não está saindo por uma oferta milionária e irrecusável de outro país.

Se a delicada situação financeira do clube exige uma austeridade que não foi mostrada até aqui pela diretoria, ela não deveria ser aplicada justamente neste caso. É falha de gestão gastar tanto com outros jogadores e apostar tudo numa eventual (e improvável para qualquer time participante) conquista da Libertadores para poder manter o elenco.

O futebol brasileiro perde com a saída de Guerrero do Corinthians, mesmo que seja para continuar atuando no país. Em uma época em que estamos cada vez menos habituados a ídolos e jogadores identificados com seus clubes, neste ano já vimos as saídas de Diego Tardelli do Atlético Mineiro, Everton Ribeiro e Ricardo Goulart do Cruzeiro, Arouca e Edu Dracena do Santos, Leonardo Moura do Flamengo, além da agendada aposentadoria de Rogério Ceni e a provável saída de Luis Fabiano do Tricolor do Morumbi. Isso sem considerar treinadores como Felipão no Grêmio e Muricy no São Paulo.

Emerson Sheik sai do Corinthians de maneira natural, contra ele pesam a idade e as diversas polêmicas em que se envolve frequentemente. É um fim de ciclo, que, mesmo assim, não apaga o passado e a sua importância como maior herói da inédita conquista da Libertadores.

Mas vilanizar o peruano é muito mais grave, e é fazer o jogo da diretoria, que assim tira de si a responsabilidade por essa grande perda para o clube. Coisa que só interessa a quem quer que a última marca do ídolo do bicampeonato mundial da FIFA (única conquista sulamericana nos últimos oito anos) seja o bizarro gol perdido contra o Fluminense…

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