A Guerra dos Botões

Créditos da imagem: Blog Tribuna do Botão

O título acima é uma referência ao filme de mesmo nome ambientado na França dos anos 60, “A Guerra dos Botões”, que conta a história dos Longevernes, um grupo de garotos da aldeia homônima que mantém uma rivalidade tradicional com os Velrans, de uma aldeia vizinha. No filme, a maior façanha das gangues infantis é arrancar os botões das camisas dos rivais, uma humilhação com garantia de bronca familiar ou na escola. O livro “A Guerra dos Botões”, de Louis Pergaud, teve diversas adaptações cinematográficas. A mais famosa é a de 1962, do diretor Yves Robert, sucesso arrebatador de público na França.

E é com um pouco desse espírito de infância que traz consigo, na minha concepção, a prática do futebol de mesa ou o popular jogo de botões, um hobby que perdura na vida de muitos adultos que não foram seduzidos pelos videogames.

E como tudo nesse mundo, ele tem suas regras:

O futebol de botão, ou futebol de mesa, possui nacionalmente quatro grandes vertentes de regras: Baiana, Carioca, Paulista e Dadinho.

Pelas regras Baiana e Carioca, uma partida tem dois períodos de 25 minutos cada e mesas de 2,20m x 1,60m. A primeira, porém, usa como bola um disco achatado de poliuretano e só permite um toque por vez cada botão, ao passo que a segunda faz uso de bola esférica de feltro e libera três toques por jogador.

Já na versão Paulista, a duração é de dois tempos de 10min, a mesa tem 1,87m x 1,21m e a bola é esférica. São permitidos 12 toques.

A regra Dadinho é muito semelhante. Diferencia-se tão somente por se valer de um pequeno cubo de plástico no lugar da “redonda” e por autorizar oito toques por botão.

Segundo “A História do Futebol de Mesa”, de Marcelo Coutinho e Santos, da Federação Botonista do Rio de Janeiro, o futebol de mesa nasceu no início do século passado, quando o futebol ainda era um esporte de elite. Não se sabe exatamente em que cidade se deu a criação da modalidade. Aparentemente, veio à tona por geração espontânea em várias partes ao mesmo tempo. Usar botões de roupas para simular um jogo era a forma mais criativa e barata de as classes populares praticarem um esporte que vinha ganhando grande número de adeptos no País. Há quem afirme que o futebol de botão foi inventado em 1930 pelo brasileiro Geraldo Cardoso Décourt, mas só acabou reconhecido e regulamentado na década de 1970.

No início, os campos eram rabiscados no asfalto, mas os botões não deslizavam bem. Depois, passaram para a cerâmica, mais deslizante, e enfim chegaram às mesas de jantar, muito mais convenientes. Naquela época, os botões de casacos mais pesados viravam zagueiros, os menores viravam atacantes e os pequeninos botões de ceroulas eram transformados em bola. Os goleiros eram caixas de fósforos. Até serem industrializados na década de 70, os jogadores foram forjados com fichas de cassino, de ônibus e tampas de relógios, entre outras coisas.

O jogo se desenvolveu primeiro nas capitais costeiras do Brasil e, provavelmente por meio de marinheiros, chegou a países como Argentina, Uruguai e Espanha.

No Rio Grande do Sul, a Federação Gaúcha de Futebol de Mesa foi criada em 11/01/86, em reunião realizada no Campestre Tênis Clube, na cidade de Passo Fundo, com a aprovação do Estatuto de fundação e sua publicação no Diário Oficial do Estado do dia 17/02/86 e com direito a registro no Cartório de Registros Especiais da cidade.

Um aficionado do futebol de mesa, o cineasta e escritor Carlos Gerbase promove torneio disputadíssimos em sua casa com direito a fotos das partidas nas redes sociais. Aliás, no filme “Verdes Anos”, de 1989, feito em parceria com Giba Assis Brasil, ele levou seu hobby para as telas e filmou uma partida de botões entre os jovens protagonistas Werner Schunemann e Marcos Breda. Além da paixão que cultiva, Gerbase, gremista fanático, é atualmente conselheiro do time que foi presidido por seu pai, o médico José Gerbase, na década de 40. E como não poderia deixar de ser, seu time de botão homenageia o time gremista de 77 (foto).

E basta uma rápida pesquisa na internet para descobrir que existem torneios organizados por todo o país e também no exterior, além de uma sofisticada oferta de botões coloridos, muito longe do padrão dos botões antigos, surrupiados nas gavetas de casa. E, claro, um comércio bem forte de camisetas e botões coloridos para colecionadores e aficcionados. Um hobby lúdico com cara de infância.

 

Com informações do Esporte Final, da Carta Capital.

3 comentários em: “A Guerra dos Botões

  1. Ah, que coluna! Belíssima lembrança mesmo!

    Não tenho tempo nem idade para saudosismo, mas tive mesa de botão e joguei durante a infância. Gostava bastante, e cheguei a arrumar alguns campeonatos…lembra João Alberto, William Godoy e André Espinosa ??

    E principalmente, é muito bacana ver os mais velhos falarem com lembranças especiais de seus times de botão, que por vezes se confundiam com seus times de futebol.

    Excelente tema, excelente texto, Lena!

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