A incompreensão quase generalizada com o atual Corinthians, que deve sim brigar pelo título brasileiro

Créditos da imagem: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Nem falo sobre a história da “quarta força”, que já virou um clichê. Até porque tudo pareceu dar certo para o clube neste ano, o que fez com que muitas dúvidas ou situações posteriores fizessem o cenário mudar totalmente desde janeiro: Pablo veio e se firmou como o líder da zaga; Maycon tomou conta da posição e é um dos destaques da equipe; Jadson foi contratado com a temporada em andamento e entrou em forma rapidamente; e Jô provou que poderia reeditar os melhores momentos da carreira.

Mas apesar disso, boa parte da imprensa continua a tratar o Corinthians como uma equipe limitada e que não pode aspirar a nada além do título paulista. A meu ver, um grande erro. Não só pelo bom funcionamento coletivo que é fruto do trabalho de Fábio Carille, como também individualmente. Façamos, então, uma análise:

Gol: é incontestavelmente um dos clubes mais bem servidos do pais, tanto com o consagrado, instável e decisivo Cássio, quanto com o promissor e azarado (pelas lesões em momentos de titularidade) Walter;

Fagner: penso que é o grande lateral-direito do futebol brasileiro, e corretamente convocado por Tite para a reserva de Daniel Alves na Seleção;

Balbuena: não é um grande zagueiro, mas tampouco compromete. A lentidão – seu grande defeito – é acobertada pelo bom sistema defensivo da equipe). Muito seguro no jogo aéreo, tem experiência internacional por fazer parte da seleção paraguaia;

Pablo: caiu como uma luva e vem se mostrando um dos melhores zagueiros do país;

Guilherme Arana: já tinha mostrado valor quando surgiu com 18 anos de idade na campanha campeã do Brasileirão de 2015. Começou o ano com grande destaque e parece ter caído um pouco depois de tantos elogios. Mesmo assim, tem uma explosão física e uma capacidade de dar assistências que são muito raras;

Gabriel: não é nada de especial, mas é um bom primeiro volante;

Maycon: excelente revelação. Já tinha deixado boa impressão nos poucos jogos que fez em 2016, mas agora, com a confiança de ter conquistado a titularidade, tem mostrado o dinamismo de seus antecessores consagrados – Paulinho e Elias – e muita inteligência em campo. A continuar assim, será um dos bons nomes brasileiros da posição;

Jadson: não reconhecido como merece, é selecionável e um dos melhores meias brasileiros. Dinâmico, inteligente e muito agudo (são raros os meias que saem fazer gols e dar assistências como ele), seria um dos pontos fortes de qualquer equipe do país;

Rodriguinho: jogador em mudança de status na carreira, sobre o qual é difícil definir um limite. Sempre tido como muito talentoso, há pouco mais de um ano não passava de um reserva visto com péssimos olhos pela torcida. Recuado para substituir frequentes ausências de Elias, pouco a pouco passou a jogar bem e adquirir confiança. No segundo semestre virou dono da posição, neste ano foi convocado para a Seleção e hoje me parece o melhor jogador da equipe. Tem muito poder de fogo, já é um dos melhores meias brasileiros e pode crescer ainda mais;

Romero: a meu ver é hoje o ponto fraco do time. Abnegado e que cumpre grande grande papel tático, frequentemente faz escolhas erradas em campo. Penso que se fosse substituído por um jogador de primeiro linha, um “Diego Tardelli da vida”, mudaria o patamar da equipe;

: guardadas as devidas proporções (em ambos os sentidos), era uma aposta como Adriano Imperador: seu problema nunca foi a falta de futebol, mas sim as suas condições fora de campo. Como parece ter se encontrado, é um dos bons centroavantes brasileiros. Embora não seja um “artilheiro de campeonato”, sempre faz seus gols, é experiente e condiciona todo o futebol da equipe por seu trabalho especial como pivô (além dele, só Guerrero tem essa qualidade no futebol brasileiro). Enfim, este Jô é o “jogador de Copa do Mundo”.

Embora os estaduais já não valham quase nada e nem sirvam de parâmetro, a conquista foi importante para dar confiança e crédito ao grupo.

Muito falam de ser um time “anti-futebol” ou “traiçoeiro”. Isso é absolutamente falso, é uma equipe que gosta de trabalhar a bola no chão, usa muita triangulação, com jogadores polivalentes e disciplinada. Só não prima pela posse de bola e sofre com a falta de poder de fogo no ataque.

Também comentam sobre a falta de um elenco melhor, mas isso é muito subjetivo. Várias vezes já vi elencos estrelados que contavam com jogadores sem confiança e que não rendiam em campo; outras tantas, vi times em bom momento, com confiança e “fome”, que acabavam sempre encontrando boas alternativas no elenco, pois é muito mais fácil entrar em uma base assim.

Até agora o alvinegro quase não teve tempo para treinamentos. Eliminado da Copa do Brasil (quando criou diversas oportunidades de gol contra o Inter), terá mais tempo para treinamentos, o que quase não aconteceu até agora, com duas partidas por semana. É bom lembrar que no Brasileiro de 2015, antes de virar unanimidade, o Corinthians de Tite era contestado e bem “pragmático”. Foi só com o desenvolvimento do trabalho que o bom futebol apareceu.

Enfim, se dizem que é uma equipe que gosta de jogos grandes e adversários que não jogam encolhidos, é justamente disso que é formado o Brasileirão. Se fizer de cada partida uma decisão, a exemplo do que fez, por exemplo, o Corinthians de 2011 (que não era um dos favoritos ao título), acho que a equipe de Carille pode sim brigar pela taça.

12 comentários em: “A incompreensão quase generalizada com o atual Corinthians, que deve sim brigar pelo título brasileiro

  1. Bacana o texto Gabriel Rostey. No entanto, acho que é pouco para o Corinthians brigar pelo título do Brasileiro. E agora terá que lidar com uma pressão de favorito, que no Paulista não teve. Vamos acompanhar.

    1. O torcedor corintiano se acostumou em brigar por títulos. Agora a maioria acha que o time tem potencial para ser campeão. Talvez favorito ainda não, mas não vejo a torcida aceitando “o que vier” como lucro. A mentalidade no clube evoluiu muito.

    1. Rs, mas é claro que pode ficar fora do G4, o Brasileirão é mesmo muito equilibrado e imprevisível. Mas hoje eu acho que só vem atrás de Palmeiras, Flamengo e Atlético na minha lista de candidatos ao título. Vamos ver 😉

  2. Concordo que o time é bem subestimado, o que só ajuda o próprio Corinthians e tira pressão do Carille

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