À la Al Capone, EUA mostram ao mundo as tripas podres da Fifa

Créditos da imagem: thinglink.com

O dia 27 de maio de 2015 virou histórico para o futebol mundial. O Brasil acordou na manhã desta quarta-feira surpreendido com a notícia da prisão de alguns dirigentes da FIFA em plena Suíça, dias antes de mais uma eleição daquelas que todos já sabem o resultado.

Dentre os membros acusados de corrupção (todos de federações latino-americanas), estava José Maria Marin, o octogenário ex-presidente da CBF. Sepp Blatter, o presidente da toda-poderosa do futebol, está livre de acusações – ao menos por enquanto.

A prisão de Marin nos causa espanto por uma série de razões. A principal delas é que, mesmo em tempos de “Mensalão” e “Petrolão”, ainda não estamos acostumados a ver o alto escalão indo em cana. O ex-presidente da CBF é rico, foi político, ex-governador, e, como se não bastasse, dirigiu a CBF, que desde o início dos anos 2000 navega em águas calmas sob a proteção de muita gente grande, inclusive de grande parte da mídia (mesmo com várias acusações, e a maioria delas divulgada por veículos com menor poder de propagação).

Outro motivo da surpresa nessa conturbada manhã de outono é o envolvimento do FBI no caso. A polícia federal americana não mede esforços para se mostrar competente. Sorrateira, sem divulgar informações, demonstrou muita perícia ao esperar o momento certo para agir, quando todos seus alvos estavam reunidos num mesmo local. A ratoeira na terra do queijo estava armada. Oficialmente, o FBI age por conta da movimentação bancária e financeira feita na terra do Tio Sam. Como Al Capone já sabia, não se mexe com a Receita Federal norte-americana.

Acontece que, ao contrário da década de 1930 e do célebre mafioso, os tempos de agora e os “capi” em questão são peças fundamentais no sistema político mundial, se levarmos em consideração a forte influência da FIFA e de suas escolhas, principalmente em termos de sedes de eventos. E obviamente, os Estados Unidos agem também por interesse político. A Rússia será sede da próxima Copa do Mundo e corre à boca pequena que os americanos não gostaram muito da escolha. A ex-URSS, inclusive, já reagiu acusando os EUA de “Juiz do mundo”. Não que eles não tenham razão, mas fica complicado dar credibilidade aos acusados. De qualquer maneira, como numa nova Guerra Fria, ou “Guerra FIFA”, o país de Obama mexeu seus pauzinhos, da maneira como sabem fazer quando apontam suas miras: ao rigor da lei.

Ainda é cedo para dizer o que isso poderá ocasionar no mundo da bola, mas as eleições da FIFA ocorrerão dentro de algumas horas e já estão manchadas desde já. No Brasil, os efeitos podem ser ainda piores, já que os contratos mencionados no inquérito nas mãos do FBI deixam claro – mesmo sem dizer – o envolvimento de Ricardo Teixeira, antecessor de Marin no comando da CBF. Dúvida também de como será a divulgação do avanço do caso, já que no Brasil o “Quarto Poder” é artigo valioso no cumprimento da Justiça. Como, por exemplo, reagirá o principal grupo midiático do país, parceiro antiga da FIFA e da CBF? Sabemos que quando a Rede Globo e seus tentáculos batem, a dor costuma ser forte. Como já disse em outras ocasiões, poderá partir da própria emissora a mudança, a “virada de lado” do país do 7 x 1 em prol do nosso futebol, patrimônio sagrado do sofrido povo brasileiro.

O que já podemos concluir é que as tripas de um corpo putrefeito foram escancaradas pelos EUA e mostradas aos quatro cantos do planeta. E por mais que muito de nós já desconfiássemos como seria, sempre bate aquele nojo ao ver as entranhas descobertas, enlameadas com o suor dos desonestos e com o cheiro nojento do dinheiro sujo.

Boa sorte para o FBI e para o futebol.

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