A Libertadores 2015 na Argentina, e “La Mística Copera” que só nós temos

Créditos da imagem: Raul Sifuentes/LatinContent/Getty Images

O argentino é reconhecido na América Latina por sua arrogância, por sua soberba. Crê que é o melhor do mundo e que ninguém pode detê-lo. No caso da Copa Libertadores, tem uma clara justificativa: é o país que mais vezes ficou com o troféu. Das cinquenta e cinco edições da competição, em vinte e três vezes a taça ficou em Buenos Aires, e ao menos em uma de cada duas finais há um participante desse país.

Apesar disso, o clima nas últimas décadas mudou: agora, o argentino que joga a Copa Libertadores está seguro que vai ser campeão, salvo que tenha que enfrentar uma equipe brasileira. Visitar o Maracanã, o Morumbi ou o Mineirão, para citar exemplos, estremece até o mais convencido dos portenhos.

Sem ir mais longe, vejamos o caso do San Lorenzo. O último campeão foi eliminado logo na primeira fase ao medir forças em seu grupo com Corinthians e São Paulo. Antes de que começasse o torneio, seu presidente, Marcelo Tinelli, mostrou sua inconformismo pelo sorteio e até disse preferir participar do Grupo 6, que tinha longos deslocamentos até o México (Tigres) e Peru (Juan Aurich), sem contar a sempre temida altitude da Bolívia (San José de Oruro).

Vendo como ficaram as oitavas-de-final, podemos assegurar que os quatro times argentinos que se classificaram não estão nada conformes pelo que a sorte lhes reservou. E essa é outra característica nossa: antecipamos. Sempre pensamos no futuro. O portenho já está preocupado pelas quartas-de-final, sem sequer ter jogado as oitavas.

Racing deverá enfrentar o, a priori, acessível Montevideo Wanderers, mas logo deverá encontrar o Corinthians nas quartas-de-final. O Estudiantes, por sua parte, tem uma parada mais complicada contra o Independiente Santa Fe, mas logo terá que enfrentar de qualquer maneira o Internacional de Porto Alegre ou o Atlético Mineiro.

Tanto “La Academia” (apelido do Racing) quanto “El León” (o Estudiantes) têm motivos para sonhar. Um é o último campeão argentino e o outro é um dos clubes com mais êxitos na Libertadores (quatro títulos). Entretanto, a irregularidade de ambos diminui as esperanças, razão pela qual o objetivo principal é fazer o melhor papel possível e chegar o mais longe que possam, ainda que ambos se vejam virtualmente eliminados nas quartas-de-final.

Um capítulo à parte para o Superclássico. Boca e River ficarão cara a cara na primeira rodada eliminatória e, pela qualidade de seus elencos, quase todo o país estava convencido que quem ganhasse esse duelo seria o próximo campeão. Digo “estava” porque quando os cruzamentos foram definidos, a coisa mudou: agora, o campeão é o ganhador das quartas-de-final entre Boca-River e São Paulo-Cruzeiro.

O maior dérbi da Argentina é sem dúvidas o enfrentamento mais igualado de toda a série. O River passou da fase de grupos por milagre, mas vem com excesso de confiança por ter eliminado o eterno rival na semifinal da Sulamericana 2014, da qual saiu campeão. O Boca, por sua parte, reforçou seu plantel com estrelas de seleção como  Daniel Osvaldo, e espera contar com Carlos Tévez caso chegue às semifinais (após a Copa América). São os dois primeiros colocados do Torneio Local e ambos eram líderes invictos até se enfrentarem na última semana, com equipes mistas e vitória do Boca por 2 x 0 na Bombonera. Essa partida criou um divisor de águas e agora as apostas estão ao lado dos Xeneizes, já que a derrota doeu (e muito) nos ânimos “millonarios”. Ainda assim, quem vai se classificar é um mistério, e só se fala disso nos meios de comunicação.

Ainda admitindo que o futebol brasileiro é muito superior ao argentino, o torcedor nacional considera que há algo muitíssimo mais importante que o presente: o passado. O argentino crê em algo chamado “La Mística Copera”. Essa mística ajuda a, inclusive sendo inferior ao rival, conseguir se fazer gigante pelo simples fato de estar jogando a Copa Libertadores.

Sim, assim arrogante, assim soberbo. Assim argentino. Mas, no caso da Copa Libertadores, tem uma clara justificativa: tem mística. Uma mística que no Brasil não existe.

15 comentários em: “A Libertadores 2015 na Argentina, e “La Mística Copera” que só nós temos

  1. Interessante a visão. Porque é essa a percepção que passa mesmo. Muitas vezes, aqui do Brasil, vemos times “meia-boca” argentinos papando a Taça Libertadores na base da tática, do comprometimento e claro, da vontade.

    Além, é claro, de rolar sempre o lance da mística: uma camisa pesar e etal.

    Não que não ocorra no Brasil, até há. Mas na Libertadores, em menor escala.

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