A Liga das Nações que vingou

Créditos da imagem: Reuters

Novidade da UEFA para as datas FIFA, a Nations League pegou. Surpreendendo quem esperava um clima de ressaca pós-Rússia, as seleções europeias entraram rapidamente em ritmo de competição e fizeram jogos atraentes. Enquanto isso, as outras seleções seguiram com os amistosos propriamente ditos. Mesmo Brasil e Argentina (em fase de pré-reconstrução) pareciam mais constrangidos pela tensão local que dispostos a dar muito gás pela rivalidade. Deu-se melhor quem preferiu assistir a disputas como Bélgica x Suíça e Espanha x Inglaterra. Um sucesso inicial que preocupa tanto pelas virtudes quanto pelos senões que acarretará.

Ao contrário das fases eliminatórias da Euro e da Copa do Mundo, a competição promove mais jogos equilibrados por meio da divisão em quatro Ligas de níveis diversos. Cada vencedor garante vaga direta na Euro-2020. Mais: os campeões das ligas mais fracas vão sendo promovidos, enquanto os piores são rebaixados. Na primeira fase, as equipes ocupam as datas FIFA até o final do ano. Este é o incômodo para as seleções de outros continentes, com menos oportunidades de amistosos com europeus. Para a seleção brasileira, eliminada da Copa por equipes do Velho Continente desde 2006, o prejuízo também ocorre pelo fato de que, com a Nations League, estas terão mais jogos de alto padrão para seus atletas evoluírem. Medir qualidade apenas pela Copa América e Eliminatórias sul-americanas está longe do ideal. Sem jogos disputados contra França & Cia, mais difícil ainda.

O descontentamento não virá apenas de fora. Os clubes europeus que empregam os convocados ganham novos motivos para temer o “vírus FIFA” – lesões e desgaste corporal ocorridos durante o período em que os atletas estão nas seleções. O “bacilo UEFA” faz com que os jogadores europeus aumentem o número de confrontos competitivos no primeiro semestre da temporada, em que se procura dosar o calendário para a segunda parte – que hoje é praticamente igual às carregadas agendas da América do Sul. O Barcelona, que já tinha Umtiti contundido seriamente, vai receber o belga Vermaelen lesionado pela enésima vez. A Juventus contou com a sensibilidade do técnico de Portugal, que vem poupando Cristiano Ronaldo das rodadas até aqui. Por sinal, por enquanto o gajo não tem feito falta, mesmo porque o sorteio colocou os lusos contra a ainda cabisbaixa Itália e a fraca Polônia.

Fechando o bloco dos infelizes, temos as seleções que, pela fase, prefeririam ter acabado o ano ainda em junho ou julho. No caso da Croácia, última de sua chave, porque o esforço e a concentração hercúleas dificilmente seriam repetidos logo em seguida – lembrando que a seleção nem vinha muito bem antes da Rússia. Mas quem não deve mesmo estar a fim de entrar em campo é a Alemanha. As derrotas contra Holanda e França, mesmo com os preteridos na Copa, estão fazendo imprensa e torcida pensarem se realmente foi uma boa ideia seguir o manual, mantendo o treinador Löw depois do vexame. Se estivessem apenas disputando amistosos, a cobrança seria menor e a renovação poderia ser realizada com calma. Do jeito que está, tanto medalhões quanto novatos podem se queimar quatro anos antes do embarque ao Qatar – se houver.

Chateados à parte, o público não tem nada com isso e está aprovando a competição. Financeiramente, embora meu amigo Cesar Grafietti deva falar do tema com imensa propriedade, é de se supor que os resultados sejam mui animadores. Houve um tempo, cada vez mais distante, em que qualquer amistoso de seleção parava a cidade. Agora só se valer taça – e não a engana-que-eu-gosto que Neymar ergueu na Arábia Saudita.

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