A merecida decisão entre Atlético Nacional e Independiente del Valle

Créditos da imagem: Conmebol

A primeira partida da decisão da Copa Libertadores da América edição 2016 confrontou dois estilos distintos de jogos (porém altamente eficazes, especialmente em torneios eliminatórios).

De um lado pôde ser observado o estilo “dominador” do Atlético Nacional, que se baseia essencialmente na posse de bola e num jogo coletivo que explora amplamente a velocidade e vigor físico de seus atacantes, uma das bases clássicas do sempre vistoso porém nem sempre eficaz futebol colombiano. Os “verdes da montanha” trabalham a bola com rapidez e constante movimentação, utilizando muito bem o talento e visão de jogo do seu armador, “El Lobito” Guerra, 31 anos, que desde seus tempos de Caracas e Mineros, na Venezuela, apresentava potencial para atuar nos grandes do continente. Junto ao talentoso venezuelano, outro jogador de boa qualidade e visão de jogo, o colombiano Macnelly Torres, já cobiçado por grandes como Cruzeiro, Atlético Mineiro e Flamengo, mas que não apresenta o mesmo talento do seu companheiro de armação. Mesmo assim, pode ser considerado um armador de estilo mais constante, que consegue dar velocidade e dinâmica ao jogo colombiano. Alexander Mejia, jogador que pessoalmente muito me encanta pela sua versatilidade e capacidade de leitura de jogo e constância durante os jogos, é outro dos excelentes pontos de suporte do grande time formado pelo competentíssimo Reinaldo Rueda, que classificou o Equador para a Copa do Mundo de 2014 e ajudou a implantar muitos dos conceitos da seleção que atualmente surpreende nas Eliminatórias. Marlos Moreno, Miguel Borja (algoz do São Paulo nas semifinais) e Orlando Berrio formam aquele que considero o melhor ataque do futebol sul-americano atualmente.

Por outro lado, observa-se no Independiente del Valle um estilo de jogo que, ao contrário do estilo de domínio do Atlético Nacional, baseia-se em um modelo muito mais reativo, no qual sua defesa sólida liderada pelo goleiro Azcona e pelo excepcional zagueiro Arturo Mina é o maior destaque da equipe equatoriana. Acompanhando os dois jogos do Del Valle contra o Atlético Mineiro, ainda na fase de grupos, percebi nesta equipe uma organização que de cara me deu a convicção de que ela venderia caríssimo suas derrotas. O modelo adotado pelo competente treinador uruguaio Pablo Repetto alia elementos interessantes de compactação de linhas, elementos estes que poucas vezes observei serem tão bem aplicados em um time sul-americano. Este estilo se assemelha muito ao adotado pelo Campeão de 2015, o River Plate de Marcelo Gallardo, sendo que nesta edição da Libertadores, à exceção dos equatorianos, nenhuma equipe (nem mesmo o Atlético Nacional, disparadamente o time mais talentoso da Copa) aplica tão bem.

Enfim, o empate por 1×1 no Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, deixou clara a superioridade técnica do Atlético Nacional, que dominou os equatorianos por no mínimo 80% da partida. Ainda assim, este mesmo contexto comprovou a eficácia extrema do modelo de jogo adotado por Repetto, que não possui um super time em suas mãos, mas que arma dentro das suas possibilidades e limitações uma equipe que pode sim surpreender os locais em Medellin e fazer história conquistando um título que nem seu torcedor mais fanático sonharia no começo da Libertadores 2016.

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5 comentários em: “A merecida decisão entre Atlético Nacional e Independiente del Valle

  1. ÓTIMO TEXTO, MUITO BEM ANALISADO…

    SÓ QUE, MESMO VENDO AS MESMAS QUALIDADES NO INDEPENDIENTE DEL VALLE QUE O COLUNISTA VÊ, ACHO MUUUITO QUE DÁ ATLÉTICO NACIONAL…

    ESSE TIME TÁ SOBRANDO E JOGANDO BEM DEMAIS…

  2. Excelente análise, Alessandro Silva! E é incrível como mesmo tendo passado por gigantes como River Plate e Boca Juniors, não respeitamos o Del Valle! Ele poderia perfeitamente bater qualquer clube brasileiro em uma eventual final…

    1. Realmente, Gabriel. Apesar de ter saído “derrotado” na final, o Del Valle fez um papel digníssimo em toda a Libertadores. E o Nacional confirmou seu favoritismo, mas precisou suar sangue para bater o pequeno gigante equatoriano e se confirmar como o justíssimo Campeão das Américas 😉

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