A nada mole vida de um repórter esportivo

Créditos da imagem: O Tempo

Viu domingo à noite o trabalho dos repórteres de televisão entrando ao vivo na festa da torcida do Palmeiras? Aquela gritaria, toda loucura? Viu? Pois bem, quando o Corinthians foi campeão em 1995, escalei uma repórter para cobrir a festa na Paulista. Era lá, diante do prédio da Gazeta, que se formava a muvuca naquele tempo.

Todo repórter de televisão é, na boa, um tanto quanto vaidoso. E entrar no Fantástico, então, era – acho que ainda é – um sonho. Por isso, a repórter, de muitas qualidades, estava animadíssima com a missão, mas ficou na bronca quando eu disse a ela que os boletins seriam gravados. Bateu pé que queria mesmo era entrar ao vivo. Expliquei cem vezes – e nem era preciso – que era – e é – igual. Apenas medida de segurança, porque em casa o espectador não sabe e nem sente – porque não existe mesmo – qualquer diferença. Mas a repórter bateu o pé. “Você não acredita no meu taco? O que tem contra mim? Se fosse o Roberto Thomé você não falaria assim…”. Me fiz de vencido e disse a ela que as entradas seriam todas ao vivo. Tempo de 1m20, mais ou menos, cada, e que proporia ao Rio cinco entradas. A repórter saiu toda animada, acompanhada por três seguranças – sempre iam, para evitar muita confusão e risco para o profissional e os equipamentos.

Tudo pronto, combinado com o Rio, avisei à repórter, lembrei qual era a deixa, mais uma vez, pedi que se aprontasse, desse o alô para o câmera, autorizasse acenderem as luzes e mandasse bala quando ouvisse a contagem regressiva – 3, 2, 1…Mas, foi só ela começar e…virou-se para trás, disposta o meter o microfone na cara do torcedor engraçadinho e mandar que ele “beliscasse o braço da mãe dele”.

Quando virou assustada, falei no ouvido dela: “Calma, calma, não estava ao vivo. Estava gravando. Viu porque tem de gravar? Se fosse o Thomé, eles não beliscariam o braço”. Vamos com calma, tudo de novo – a fale para os seguranças ficarem mais atentos…

Você que me lê agora, pensa que é mole trabalhar em festa comemorativa de títulos?

Adrenalina pura, fora o bafo…

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