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A Seleção de Dunga não é “terra arrasada”

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Créditos da imagem: UOL

Como já se “bate” muito em Dunga por aí (com muitas das críticas eu concordo, aliás), tentarei, nas próximas linhas, demonstrar um pouco do outro lado, muitas vezes convenientemente esquecido por torcida e grande parte da imprensa. Logo, este será o foco da coluna.

O ranzinza (e, por vezes, até mal-educado) treinador assumiu pela primeira vez o comando do escrete canarinho em 24 de julho de 2006, pouco depois da eliminação brasileira na Copa do Mundo da Alemanha. Ele substituiria Carlos Alberto Parreira, que sofreu muitas críticas depois da eliminação nas quartas de final para a França no famoso (e descompromissado?) time do “quadrado mágico”.

Com a missão de resgatar o orgulho e a vontade em defender a Seleção, parece justo considerar que Dunga realizou um trabalho satisfatório, já que, durante essa primeira passagem, em 68 jogos (contando a Seleção Olímpica), foram 49 vitórias, 12 empates e somente sete derrotas; 144 gols a favor e 45 contra; e um ótimo aproveitamento de 77,9% (apenas para efeito de curiosidade, o Corinthians de Tite tem, no Campeonato Brasileiro, aproveitamento de 74,5% dos pontos disputados). O trabalho de Dunga é respaldado também pelo bom futebol apresentado, inclusive contra as grandes seleções (ganhou a Copa América de 2007 contra a então favorita Argentina, a Copa das Confederações de 2009, venceu Portugal por sonoros 6×2 etc). Algo, por exemplo, que o competente Mano Menezes jamais conseguiu. Porém, a sétima derrota veio exatamente quando não podia: em um jogo eliminatório de Copa do Mundo. A Holanda selou a despedida do treinador com uma vitória por 2 a 1, pelas quartas de final, em jogo dominado pelo Brasil, no qual as falhas individuais de Felipe Melo e Júlio César foram decisivas (o “e se” não existe no futebol, mas…).

Já na segunda passagem, a vigente, Dunga está marcado pelo ótimo aproveitamento em amistosos (vide os jogos contra França e Argentina, quando o Brasil saiu vencedor), e pelo propalado fraco desempenho em torneios oficiais (no plural?), já que, na Copa América, a Seleção apresentou um futebol abaixo da crítica, o que já fez com que a pressão sobre o time (que já era enorme depois do “7×1” sofrido sob o comando de Felipão) fosse para as nuvens. Aliás, sobre isso, é reconfortante perceber o alto nível de exigência que ainda temos com a nossa Seleção. É sinal que sabemos do nosso poderio.

Voltando ao suposto mau desempenho em torneios oficiais, embora na Copa América ele realmente tenha sido ruim, acredito que a derrota nos pênaltis para o Paraguai tenha sido importante ao menos sob um aspecto: Dunga e Gilmar Rinaldi assumiram publicamente que erraram ao convocar jogadores de centros periféricos do futebol (Mundo Árabe, China etc) e o conceito de chamar jogadores na “ponta dos casos” foi instaurado na Seleção. Como deve ser, diga-se.

Quanto aos questionamentos sobre o desempenho brasileiro nas Eliminatórias (que acabou de começar), vejo um excesso de rigor. O Brasil tem apresentado um nível aceitável para um time que acaba de passar pelo maior vexame futebolístico de sua história (a confiança voltará aos poucos) e que mexeu tanto (e ainda mexe) em seu setor mais importante: o meio de campo.

Vejamos: finalmente Oscar perdeu a posição e Dunga deu a oportunidade para o talentoso Lucas Lima e o tático Renato Augusto, ambos em grande fase atuando no Brasil, por Santos e Corinthians, respectivamente. Aliás, vejo com bons olhos a convocação de jogadores que atuam no Campeonato Brasileiro, tanto pela questão da identificação com o torcedor, quanto pela correta percepção de que o nível de futebol aqui apresentado melhorou.

Outros pontos que destacaria de Dunga en passant:

– É nítido que tem acompanhado a evolução do futebol e tentado aplicar um senso de coletividade na Seleção. Prova disso é que mesmo sem Neymar atuando bem, o Brasil conseguiu dois bons resultados nas duas últimas partidas;

– Não foi turrão (como costumava ser) e voltou a convocar Hulk após o desentendimento entre ambos em razão de um mal explicado pedido de dispensa feito pelo jogador;

– Antes de Douglas Costa estourar no Bayern, o treinador já confiava no atleta e via o potencial que hoje a maioria concorda que ele tem;

– Teve peito para tirar Thiago Silva da Seleção. Que também tenha agora com o hoje indefensável David Luiz. Ambos precisam descansar as suas imagens;

– Banca o inexplicavelmente malhado pela imprensa Filipe Luís (bom jogador, que mantém um bom nível de apresentação em todas as suas participações) no lugar do badalado Marcelo (que possui óbvia qualidade técnica, mas raramente a utiliza em prol do grupo. Sem falar que não joga metade do que pensa jogar);

– Em época que não vemos unanimidade entre os goleiros (embora muitos sejam ótimos), aposta em Alisson, goleiro promissor da base do Internacional, que até aqui tem se portado muito bem. Caso “vingue”, terá uma carreira importante e pode virar referência dentro da Seleção;

– Se mostrou humilde e inteligente o suficiente para utilizar a base corintiana (Gil, Elias e Renato Augusto), sabidamente entrosada e bem-sucedida, no duelo contra o Peru, quando a vitória era fundamental.

Outros fatores poderiam ser listados, mas acho que já me estendi demais.

Em tempo:

O Dunga tem defeitos? Sim, muitos.

O Dunga seria o meu técnico caso eu comandasse a CBF? Não, seria o Tite. Pelo momento. Pela trajetória. Pela tal da meritocracia.

Mas, como diria o outro, “a César o que é de César”.

E segue o jogo.

Casemiro está bem no Real Madrid. E isso já basta para merecer a Seleção
Quer apostar como Neymar não vai render na Seleção como faz no Barcelona?

Escrito por:

- possui 223 artigos no No Ângulo.

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

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Um comentário para “A Seleção de Dunga não é “terra arrasada””

  1. Bom Fernando, eu discordo de você. Acho difícil que qualquer passagem longa de alguém pela Seleção seja “terra arrasada”. Muita gente lembra que o Falcão que lançou jogadores que ganharam o tetra, que o Mano lançou muita gente que veio a ganhar a Copa das Confederações de 2013 com o Felipão, etc.

    Não acho que ficarmos revoltados por sermos eliminados da Copa América pelo Paraguai nas quartas-de-final seja mostra de alto nível de exigência. É simplesmente algo inaceitável mesmo, para qualquer Seleção de primeira grandeza do futebol mundial.

    Pra mim o Brasil não conquistou BONS resultados nas duas últimas partidas. Foram resultados bem normais, e com desempenho meia-boca.

    Enfim, de tudo o que você falou, vejo méritos só na utilização de jogadores do Brasil (que ainda me parece tímida, visto que nomes como Geromel e Jadson não foram convocados nunca por ele) e na convocação do Douglas Costa. De resto, ele só merece críticas mesmo, rs!


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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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