A vingança escancarada: 774 dias depois, um Brasil x Alemanha com cheiro de prato frio

Créditos da imagem: futebolinterior.com.br

Há livros que a gente lê e não esquece. Uma das maiores obras-primas da literatura mundial, o livro ‘O Regresso’, escrito pelo americano Michael Punk, ganhou, no ano passado, sua adaptação para o cinema, resultado que levou Leonardo Di Caprio a ganhar o seu primeiro Oscar na carreira. A obra, segundo um dos jornais mais bem conceituados dos Estados Unidos, o Washington Post, é “uma obra soberba sobre vingança”, em que o protagonista, Hugh Glass, após ser atacado por uma ursa, é roubado e abandonado à beira da morte por seus companheiros, mas que, movido pelo sentimento de vingança, “retorna” à vida e acerta conta com aqueles que o deixaram à sua própria sorte.

Nesta última quarta-feira, 17, o Brasil se encheu do sentimento de vingança. Após a confirmação da final olímpica no futebol contra a Alemanha, não faltaram pensamentos e comentários sobre a possibilidade de nos vingarmos, mesmo que em uma dose consideravelmente inferior, do fatídico 7×1, sofrido na semifinal da Copa do Mundo de 2014.

É claro que as situações são diferentes e nem mesmo os elencos se equivalem – nem mesmo nossos jogadores acima dos 23 anos estavam presentes naquele dia inesquecível. Mas que fica um gostinho, fica. E a pressão é toda do Brasil. Se perdemos, seremos fregueses e conviveremos eternamente com dois sonhos interrompidos por alemães em menos de dois anos. Se ganharmos, vão dizer que não há a mesma medida entre um 7×1 numa Copa do Mundo e uma final olímpica com jogadores sub-23. Mas então, desmerecido por desmerecido, entre perder e ganhar, amigo, vamos Brasil!

Fato é que o futebol se demonstra cada vez mais incrível, a ponto de acreditarmos que tudo funciona com um roteiro já pré-escrito e que o acaso não poderia ser tão pontual, como o é. Quando poderíamos imaginar que já nas Olimpíadas, de novo dentro de casa, teríamos novamente a Alemanha pela frente?. E é sempre assim que ocorre. Não há em outro esporte, a chance de se vingar como há no futebol. O que dizer de duas finais de Copa do Mundo seguidas entre Argentina e Alemanha (1986-1990); ou da reedição da histórica final da Champions League apenas dois anos depois, entre Milan e Liverpool (2004/2005, 2006/2007)? Exemplos não faltam. O futebol nos dá a chance de nos levantarmos em cima, exatamente, de quem nos deixou no chão. Então, eis que, 774 dias depois, a Seleção Brasileira tem a chance de se reerguer exatamente contra aquela que o humilhou; tem a chance de comer frio esse prato chamado vingança.

Repito, sabemos que as seleções são diferentes e que, apesar de Neymar, jogaremos com jogadores menores de 23 anos. Mas alguém se negaria a dizer que um ouro olímpico no peito, numa final no Maraca, contra a seleção alemã nos encheria de orgulho e reanimaria nossas esperanças com essa Seleção que há tempos só nos decepciona?

Se vingança, para o dicionário Aurélio, é a atitude de quem se sente ofendido ou lesado por outrem e efetua contra ele uma ação mais ou menos equivalente, então, aceitaremos que, neste dia 20 às 17h30, chegue a nossa vingança, mesmo que seja por menos, mesmo que não seja de 7, mesmo que não seja de goleada, mesmo que seja nos pênaltis, mas desde que, dessa vez, enfim, dê Brasil.

20 comentários em: “A vingança escancarada: 774 dias depois, um Brasil x Alemanha com cheiro de prato frio

  1. Vingança?? Po o Brasil tomou SETE, foi uma humilhação sem igual, na própria casa.. e numa Copa do Mundo, com o time principal.. agora com seleção olímpica onde apenas os brasileiros levaram a sério (basta ver que nenhuma das principais seleções levou algum jogador top para as olimpíadas, apenas o Brasil) e vem chamar de vingança. O possível ouro olímpico não passa de obrigação do único país tradicional no esporte que procurou montar o melhor time possível dentro das limitações de idade.

  2. Aquele vexame da Copa do Mundo é um débito que a nossa Seleção jamais conseguirá pagar. Um país pentacampeão e com uma história no futebol muito bonita, não poderia ter sofrido aquele massacre, ainda mais jogando dentro de casa. E parou nos sete porque a Alemanha tirou o pé do acelerador. Esse fato é o maior vexame da história do futebol mundial. O Brasil pode ganhar de 7 a 1 na final olímpica que em nada vai alterar o ocorrido dois anos atrás. Outro detalhe: se não ganharmos a medalha de ouro no futebol será mais um vexame. De qualquer maneira, parabéns pelo texto!

  3. Não vejo a Vitória vingando o 7×1 em nenhuma instância… Mas devemos aproveitar o “legado olímpico”, q pode ser a reconciliação da torcida com a instituição seleção brasileira e o surgimento de novos protagonistas para a principal (só Neymar não dá).

  4. Como eu disse, são, sim, situações diferentes e a nossa vitória nessa final tem um peso obviamente menos significativo que os sonoros 7a1. Mas não há como negar que uma medalha de ouro em cima da Alemanha traz o gosto especial – bem mais especial do que seria contra qualquer outra seleção, inclusive a Argentina. Basta ver como a internet/redes sociais reagiram quando foi confirmado o jogo; todos, absolutamente todos, remeteram-se à semifinal da Copa.
    São mesmo situações distintas, mas não há dúvidas de que o título irá afagar nossa alma depois dessa humilhação sofrida em 2014. Ver os jogadores brasileiros comemorando um título inédito enquanto da lamentação alemã do outro lado, nos dará sim um sentimento de vingança/revanche, mesmo que ainda não seja exatamente na mesma moeda.

  5. O que esta valendo nessa seleção olímpica independentemente dos adversários , é a formação tática ofensiva que este time joga. Espero que ganhe a medalha de ouro ,ou todos os medíocres de plantão , pedirão o retrocesso deste tipo de formação . O futebol mudou , porém a qualidade seja qual for o esquema , é detrerminante pra fazer a diferença.

  6. Não existe isso de revanche, para de paranóia. Torneio diferente e categoria diferente. Pra se ter e caracterizar uma revanche, teria que ser uma semi final de copa do mundo na Alemanha e devolver os 7×1. Fora disso, é td balela e papo pra torcedor.

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