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Acho que a crise do São Paulo acaba logo. Mas se não acabar…

crise

Créditos da imagem: Marcos Bezzera/Futura Press

Está realmente preocupante a situação atual do São Paulo.

Não vou me colocar como um profeta do Apocalipse e dizer, com 9 partidas no campeonato, que o time tem reais chances de ser rebaixado. Acho que o São Paulo não tem mesmo equipe pra ficar entre os últimos, e que neste ano está menor a competitividade dos que teoricamente (o que raramente se confirma) lutarão lá embaixo. Acho difícil imaginar o São Paulo terminando o campeonato atrás dos clubes que atualmente ocupam o Z4: Náutico, Atlético Paranaense, Portuguesa e Vasco. Este último é o único que penso que pode realmente mudar sua situação no campeonato, mas ainda assim, duvido que a Ponte Preta terminaria à frente do tricolor paulista.

Sempre achei esse elenco do São Paulo superestimado. Ficava impressionado como, com qualquer sequênciazinha boa, jogadores sem nenhum histórico de destaque criavam “grife” em poucos jogos pelo clube: Paulo Miranda (quando emplacou pela direita), Rhodolfo, Rafael Tolói, Wellington, Denílson, todos em algum momento foram tidos como “mostras da força do plantel”. Lembro bem de uma partida, quando o São Paulo ainda enganava, em que fiquei assustado com a defesa escalada: Paulo Miranda, Rafael Tolói, Edson Silva e Carleto. Comentei com o Fernando Prado algo como “Imagine se essa defesa fosse do Palmeiras, como todo mundo iria detonar e dizer que é ‘realmente de time de Série B'”, mas com a camisa tricolor, passava outra impressão.

Apesar disso, meu raciocínio era de que havia um pequeno degrau entre o São Paulo e os times do primeiríssimo nível do futebol brasileiro. Daí a achar que a equipe que venceu o segundo turno do Brasileirão 2012, terminou a competição em quarto lugar, e venceu a Sulamericana, já não serve pra mais nada, vai um grande exagero. Ainda que o Lucas pudesse ser o melhor jogador (tenho minhas dúvidas), não vejo na sua saída uma razão pra simplesmente fazer ruir o time.

Só que identifico alguns problemas bem sérios. O primeiro deles é que, apesar de eu concordar com a demissão do Ney Franco (era evidente a falta de clima no vestiário), entendo que ele montava bem o time. Via uma equipe compacta, com muitas transições e posse de bola, praticando o tal do “futebol moderno”. Tenho desconfianças se o Paulo Autuori conseguirá montar bem assim o time em campo.

Entretanto, acho que a montagem é “só” um dos elementos de uma grande equipe, e, no caso do São Paulo nem seria o principal: há anos o time do Morumbi sofre de uma falta de “alma”, de caráter de grupo que sabe lidar com a adversidade e superar os momentos difíceis. Já faz bastante tempo que tem dificuldade em jogos decisivos e parelhos. E tampouco vejo no Paulo Autuori a pessoa certa pra encher os jogadores de coragem e ânimo, principalmente neste momento de pressão. Ele pode sempre falar a verdade, ser coerente, vencedor e parecer entender de tática, mas me passa uma atitude blasé e sempre superior, de quem não está misturado aos jogadores no “meio da lama da crise”.

Outro problema é que não creio que a “coletividade são paulina” tenha o perfil adequado para os momentos de crise. Acostumados a títulos (principalmente nas últimas duas décadas), são super confiantes ao identificar qualquer perspectiva de sucesso (vide os inúmeros “Jason” e “o campeão voltou” dos últimos anos), assim como são extremamente críticos e exigentes quando não gostam do que veem. A antipatia generalizada por Juvenal Juvêncio também faz com que todos (são paulinos, torcedores rivais, imprensa) sejam ainda mais severos na má fase.

Meu palpite é que o São Paulo continuará nessa maré por mais um tempinho (ainda mais porque os próximos compromissos serão contra os fortíssimos Inter e Corinthians), mas logo acontecerá algum chacoalhão, como a saída do Diretor de Futebol Adalberto Baptista ou o afastamento de Ganso ou Luis Fabiano, e reaparecerão algumas vitórias para recolocar o time no seu devido lugar.

Porém se isso não acontecer logo, o Brasileirão é o pior lugar do mundo para se estar, afinal, não dá um respiro de rodadas fracas para se reabilitar: é quase impossível um time se considerar favorito a ficar com a vitória em 3 partidas seguidas. Se a crise se mantiver até a parte final do campeonato, sou bem pessimista com o desfecho.

As influências do CT
Título da Libertadores totalmente aberto

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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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