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Ainda bem que o juiz voltou atrás e prevaleceu a justiça. Que se dane a FIFA!

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Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Na partida Chapecoense 5 x 1 Palmeiras (!!!) aconteceu um dos fatos mais marcantes do futebol neste ano: o lateral-esquerdo Egídio, do Palmeiras, recebeu cartão vermelho injustamente numa jogada em que tocou apenas a bola. Na confusão em que jogadores reclamavam e a equipe de arbitragem discutia, o atleta chegou a ir para o vestiário. Já com cinco minutos de paralisação, supostamente, o quarto árbitro informou que o carrinho do palmeirense foi na bola, o juiz voltou atrás e Egídio foi chamado novamente para o jogo.

Foi o que bastou para protestos indignados entre imprensa e torcedores porque “a FIFA proíbe o uso de qualquer espécie de auxílio de tecnologia, e é evidente que alguém viu pela TV”. Sim, concordo que alguém viu pela TV, assim como devem ter visto pela televisão o gol que veio a ser corretamente anulado de Gabigol na partida Figueirense x Santos pela Copa do Brasil (o que invalida a tese de que só corrigem para beneficiar os fortes), e a cabeçada de Zidane em Materazzi, que resultou na expulsão do genial francês na final da Copa de 2006. A minha discordância é outra.

Por que agora esse moralismo de acatar o que a FIFA determina como se fosse a verdade suprema, e criticar o árbitro por ter feito o certo? A mesma FIFA que é diariamente avacalhada pelos mesmos jornalistas e torcedores por sua corrupção generalizada e falta de noção ao proibir o uso de tecnologia na arbitragem, e que nada mais é do que uma “CBF mundial”.

Para que fique bem claro, sou respeitador das leis e creio que a falta de respeito às regras é um dos piores problemas do nosso país. Mas a questão principal é que a expulsão injusta do Egídio também viola as leis esportivas, só que ao contrário “do mundo real”, não se pode recorrer e reparar uma decisão incorreta. A partida acaba, o erro (ou injustiça) é assimilado como “parte do jogo” e pronto, o resultado foi deturpado.

Para que foram criadas as 17 Regras do futebol, senão para que houvesse justiça em campo? A arbitragem não é um fim em si mesma, a figura do árbitro existe apenas para que o futebol possa ser licitamente praticado e as condutas não-aceitáveis sejam coibidas. Logo, o que deve ser mínima é a influência DO árbitro no jogo, e não a influência NO árbitro, como a FIFA dá a entender ao não querer que se use tecnologia ou informações externas para evitar injustiças em campo.

Se fosse eu um árbitro e me avisassem com base na TV que tomei uma decisão errada, mas ainda poderia voltar atrás, eu agradeceria demais o meu informante e respeitaria o jogo. Em vez de comprometer uma partida, condenando um time sem culpa a jogar com um homem a menos o pelo resto do jogo, eu ignoraria a tal da “recomendação da FIFA”. Entre respeitar o resultado esportivo, o trabalho de todos os profissionais envolvidos diretamente na disputa e o amor de milhões de torcedores, ou a determinação de cartolas usualmente corruptos e que pensam ser os donos do esporte mais popular do mundo, eu não teria a menor dúvida.

Como exemplo, imaginemos como teria sido melhor se no fatídico Corinthians x Inter do Brasileirão de 2005 o árbitro Márcio Rezende de Freitas, após alguns minutinhos de confusão, tivesse marcado pênalti para o Colorado e Tinga tivesse permanecido em campo, em vez da péssima decisão que tomou. Tenho certeza que, independentemente do que acontecesse, o campeonato teria sido mais comemorado, seria visto como mais justo, os corintianos teriam que aturar menos desmerecimentos ao seu título, e o lado vermelho do Rio Grande do Sul poderia ter conquistado um campeonato que perseguia há décadas.

Toda essa situação me lembra a célebre frase do jurista uruguaio Eduardo Juan Couture: “Teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça”.

Mas e a FIFA? A FIFA que se dane!

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- possui 157 artigos no No Ângulo.

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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5 respostas para “Ainda bem que o juiz voltou atrás e prevaleceu a justiça. Que se dane a FIFA!”

  1. Perfeito!
    Sem considerar o problema da universalidade e racionalidade do conceito de justiça, é fato que ela (a justiça) confere ao direito um significado no sentido de “razão de existir”. De maneira que o direito deve ser justo ou então não faz sentido ter de respeitá-lo.
    Sem falar no “gostinho” que dá bater de frente com a corrupta FIFA e mostrar na marra o quão retrógrada ela é! 😉

  2. Jorge Rochembach disse:

    A Fifa que se dane!!! (2)

  3. Se fosse “legalizado” ver imagens para corrigir erros, esse lance mostrou o quão rápido seria, demorou 2 minutos para ele voltar atrás, graças as reclamações tanto da expulsão quanto da volta, caso tivesse um “desafio” no lance bastariam uns 20 segundo, ninguém reclamaria, todo mundo feliz.

  4. Excelente, Gabriel!!! Parabéns mais uma vez!

  5. Caio Bellandi disse:

    Penso o mesmo. O cara fez o certo, ora. Corrigiu a tempo (meio demorado, mas a tempo).

    Se o recurso de rever o lance já estivesse em vigor, teria poupado um grande tempo e o efeito seria exatamente esse! Ou seja, marcar (ou não) certo a falta.

    E é exatamente o trecho que sempre cito: “Teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça”.

    Enfim, perfeito!


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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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