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As influências do CT

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Créditos da imagem: FC Barcelona

Estamos sempre fazendo comparações. Para um apaixonado por futebol, é normal colocar em paralelo dois jogadores e discutir qual deles é melhor, no conjunto ou em habilidades específicas. Alguns têm mais fama do que outros; logo, são mais bem reputados no mercado e pelas torcidas. São mais cobiçados, como se oferecessem a garantia de acréscimo de talento. Mas nem sempre é assim.

Sabemos, no mundo dos jogadores, 90% deles são comuns. Não possuem dotes que fariam com que os chamássemos de craques, de selecionáveis indiscutíveis, jogadores de grandes clubes europeus – aquelas coisas todas que Ronaldinhos, Ronaldos, Neymares e Robinhos estão cansados de ouvir. São daquele tipo que nasceu com uma bola nos pés por influência do pai, sempre foi apaixonado pelo esporte e treinou, brincando ou dentro de um campo de clube, desde criança pequena. Ontem mesmo vi uma entrevista de um olheiro que descobriu o Bernard dizendo que existem jogadores fabricados, que treinam muito e bem orientados, e existem aqueles que nascem para ser jogadores, como é o caso do pequeno meia do Galo agora rei da América.

Mas a gente insiste em comparar jogadores que, de uma forma geral, trazem a mesma produtividade. Cada um a seu modo, é claro, mas, no conjunto, valem o mesmo.

Só que entre esses jogadores alguns se destacam mais. E algo é muito claro nisso: mais do que o profissionalismo, também importante, são os ambientes de trabalho. Como em qualquer profissão, as pessoas que os cercam influenciam e os inspiram a tirar de dentro algo que sempre esteve ali, mas esperava uma sugestão adequada para ser usado.

Não acho coincidência que o Barcelona, por exemplo, produza tantos jogadores com toque rápido e dribles em espaço curto. Tudo bem, é a filosofia do clube, taxarão. É o dom que esses jogadores têm que os fez se adaptarem a essa filosofia, o Barça foi buscar etc. Pode ser, mas… e o dia-a-dia? E os treinamentos em que uns ficam observando os outros testando suas técnicas, seu jeito de bater na bola, seus cacoetes, as inventividades? Isso mexe com a cabeça de quem está por perto.

Já lembrava aquele ditado: alegria ou tristeza são contagiantes. E já dizia o Ronaldinho, quando era um garoto começando a carreira: “eu jogo com alegria”. Parecia uma expressão infantil e sem grande importância para quem tenta entender a mente de um craque. Mas é sintomática. Com o tempo, outros plagiaram a máxima, todos eles craques. Jogar com alegria é fazer do futebol uma diversão, um momento de prazer, uma festa aonde você está ali não apenas pela vitória, mas pra criar, se soltar e deixar fazer o lado autêntico valer. Dançar o Harlem Shake do futebol sem restrições ou medo de ser feliz. Jogar com alegria é questionar o que parece inevitável e elementar – mas não é -, e construir referências novas.

Por isso, num ambiente de treinamento de um grupo de jogadores, como em qualquer local de trabalho, há jogadores que têm a chance de conviver com gente que não só trabalha com futebol, mas faz arte, inventa e inspira. E alguns jogadores, não melhores do que outros, acabam se tornando aparentemente mais valiosos em função disso.

Portanto, digo a um clube: não perca tempo tentando diferenciar jogadores que, a rigor, são tudo farinha do mesmo saco. Se não tiver dinheiro pra contratar um craque, pense em um grupo que irá sorrir. Chame as peças chaves. Dê chance à molecada, junte-os com os líderes, os inspire com vídeos de gênios nas preleções. No YouTube hoje está cheio. Fatalmente a riqueza oculta daqueles jogadores comuns vai aparecer, e eles se tornarão melhores do que se pensava no começo.

Por aí tem volante tosco dando toquinho por cobertura porque atuava ao lado de um craque do nível do Redondo. Tem centroavante de várzea dando cavadinha por influência do Romário. Tem zagueiro que se firmou como rebatedor saindo com a bola nos pés porque o companheiro era um Gamarra, que trouxe de casa a tranquilidade que o outro só precisava enxergar ser possível. O futebol tem um campo enorme de evolução pra qualquer atleta. Cabe a ele se permitir enxergar além do óbvio, observar o que o colega ao lado consegue – ou teve imaginação – pra fazer, e otimizar seu potencial, sem precisar usar agente ou esperar a sorte pra se valorizar um pouco mais no mercado.

Agora mesmo eu lembro do centroavante André, aquele que está no Vasco. Trata-se de um jogador pra mim comum. Mas cresceu convivendo com craques malabaristas do pedigree de Robinho, Ganso e Neymar. Correu em volta deles. Os observou em treinamentos e jogos, e não quis perder o bonde. Não quis ficar de fora da turma. Seguidamente aparece na televisão fazendo gols estilosos, mesmo sem ser diferenciado. Foi bem criado… Belo exemplo, não é?

Hoje, mesmo com idade de futebol máster – por que não? – toda vez que vou jogar minha pelada com amigos, coloco um videozinho de freestyle (o nome que hoje se dá pra brincadeiras de malabarismos com a bola) de qualquer um desses artistas da bola por uns 10 minutinhos. Faz diferença. Na alegria de jogar, minha e do resto do pessoal. Se eu pago pra fazer isso, não deveria ser obrigação de qualquer um desses caras que recebem? Aos burocratas, “humirdes”, “aqui é trabaio”, a mediocridade. Aos que querem algo mais do mundo da bola, o progresso.

Neymar e Barça? Tudo a ver!
Acho que a crise do São Paulo acaba logo. Mas se não acabar...

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Portoalegrense de nascimento e residência desde sempre, é administrador de empresas e tem como dois de seus principais hobbies o futebol e a escrita. É neste espaço que essas paixões poderão se unir: a leitura da bola através da riqueza da palavra.

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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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