Assassinato a sangue frio: como foi mesmo que acabou aquela história do rebaixamento da Lusa?

Créditos da imagem: Levi Bianco / Brazil Photo Press / Estadão Conteúdo

Setembro de 2016. A Portuguesa de Desportos acaba de cair para Série D do Campeonato Brasileiro. Em meio a tantas dívidas e má administração, a nossa querida Lusinha – quinto clube da terceira maior cidade do mundo – amarga a pior crise de sua existência. Apenas três anos depois de estar disputando a divisão de elite do nosso futebol e ser rebaixada VERGONHASAMENTE em um dos maiores escândalos esportivo de nosso país, sobre o qual me pergunto até hoje: como foi mesmo que acabou essa história?

Há tantas perguntas soltas que parece impossível acreditar que não há nada mais a se fazer ou investigar nesse caso. Quantas vezes, meus amigos, vocês viram um jogador suspenso ser escalado “por engano”? Ou quantas vezes vocês viram o nosso querido Superior Tribunal de Justiça Desportiva cumprir à risca o que manda a lei, sem ponderações, sem brechas, sem dar um jeitinho de sair pela tangente? Pois é, apenas dessa vez. A arapuca armada para derrubar a Lusa foi tão escancarada que beira a insanidade jogar a poeira para debaixo do tapete e se esquecer de tudo. Um absurdo dos grandes!

A Portuguesa foi condenada à morte por roubar um pão, simples assim. Perder quatro pontos na última rodada do campeonato, o suficiente pra livrar Flamengo ou Fluminense da segunda divisão, foi matar com um tiro de canhão um passarinho que passeava no parque. A desproporcionalidade entre os tamanhos do erro e a pena vai, inclusive, de encontro ao que preza a nossa própria Constituição, sobre proporcionalidade e razoabilidades. Ou seja não há lados para se olhar sem que se sinta o mal cheiro dessa história.

A forma pela qual foi decretado o rebaixamento da Lusa reacende o discurso da real funcionalidade do esdrúxulo STJD. Não precisamos de um tribunal pragmático, que julgue as penas sem ponderar as circunstâncias. Do contrário, fecha-se o STJD e cria-se um Tribunal Penal, essencialmente executável e ditatorial, que nos pouparia daquele teatrinho engana-bobo visto no final de 2013. É apenas um exemplo a mais de como o burocrático e corruptível sistema judicial brasileiro trama contra o pequeno em favor dos grandes. É apenas mais um caso de como o futebol representa, de maneira incrivelmente fiel, a sociedade fora do campo.

E isso tudo sem falar na suspeitas das partes envolvidas, de seus dirigentes e de terceiros interessados de Flamengo e Fluminense, pois é mais do que óbvia a conveniência em ter ambos na Série A. Falando nisso, ao olharmos o julgamento, é impossível engolir a imponente atuação da dupla na condenação da Lusa. Não seria mais idôneo que tanto Flamengo contra Fluminense pedissem, eles mesmos, a mais completa apuração dos fatos? Será mesmo que vale permanecer na elite a qualquer custo, inclusive pondo em dúvida a própria idoneidade? Se ambos se dizem de mãos limpas, por que não engrossaram o coro contra este absurdo e se dispuseram em apoio à investigação máxima contra os reais culpados pelo rebaixamento?

Não conhecemos esta resposta, mas sabemos que, falida, com o Canindé penhorado, agora na Série D e sem condições de montar um time decente, é fato que não mais veremos a Lusa entre os grandes. Mas mesmo que ela suma, mesmo que figure apenas nos campeonatos de várzea, jamais nos esqueceremos desse absurdo e, ainda que nunca tenhamos suas devidas respostas, sempre estaremos aqui para lembrar esse escândalo, ano após ano, quantas vezes forem necessárias.

A Portuguesa não acabou, foi executada a sangue frio!

5 comentários em: “Assassinato a sangue frio: como foi mesmo que acabou aquela história do rebaixamento da Lusa?

  1. Realmente, Jorge Freitas, este caso foi um absurdo irreparável! Hoje não consigo imaginar a Portuguesa se recuperando dessa…

    Felizmente, outros times já se mostraram capazes de renascer, como o Santa Cruz. Mas é um caso de clube que tem “tecido social” muito maior que o da Lusa. Enfim, vamos ver (e torcer)!

    1. Pois é Gabriel Rostey. De difícil recuperação a Portuguesa. Ainda mais com o limitado número de times nas series A e B.
      Inclusive, digo mais. Ano que vem a Lusa tem vaga garantida na série D, se não subir, em 2018 nem isso tem (teria que conquistar pelo Paulista, onde às coisas vão tão ruins quanto). Ano que vem, portanto, pode ser o ultimo suspiro.

  2. Se fizeram algo errado, não poderiam fazer sem a colaboração de alguém de dentro do Canindé. Quem? Será que se interessaram mesmo, no clube, apurar tudinho? Tenho cá minhas dúvidas.

  3. Oi, Jorge!
    Permita-me discordar de você em dois pontos:
    1) Acho que, por enquanto, ainda podemos considerar a querida Lusinha como o quarto time mais importante da (terceira?) cidade do mundo (e não o quinto, como você escreveu). Ou você coloca o não menos querido Juventus a frente dela?
    2) Não acho que a pena que a Portuguesa sofreu em 2013 pela escalação irregular do jogador Héverton tenha sido assim tão pesada quanto você afirma. Foram apenas 4 pontos perdidos! Considerando que a Portuguesa disputou 114 pontos naquele campeonato, isso é pouco mais de 3% dos pontos disputados… Não foi “um tiro de canhão num passarinho”, como você escreveu, mas sim uma estilingada com uma bolinha de papel. O problema é que esse passarinho já estava na pontinha do galho, com uma asa e uma patinha quebradas!
    E, além disso, essa punição estava no regulamento! Não dá para reclamar!

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