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Ademir Tadeu

Natural de Miracema, terra do mestre José Maria de Aquino, Ademir Tadeu é um colecionador de coisas sobre futebol, além de se considerar um saudosista, um genuíno amante da bola.
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Se o futebol tivesse um idioma, ele se chamaria PELÉ

Aqueles que duvidam dos feitos de Edson Arantes do Nascimento, principalmente com a camisa canarinho, argumentam que era muito fácil para Pelé jogar ao lado de tantas feras, desde Garrincha, Nilton Santos e Didi em 1958 até Gerson, Tostão e Jairzinho em 1970. Que ninguém nos ouça, mas ser o astro maior daquela constelação não deveria ser algo assim tão simples.

Muitos afirmam que naquela época era mais fácil jogar futebol, com mais espaços em campo e a preparação física dos marcadores, muito aquém do que temos atualmente. Os mesmos críticos esquecem que durante boa parte de sua carreira ainda não existiam os cartões amarelo e vermelho, e os zagueiros não aliviavam. Isso sem contar outras condições precárias que envolviam o esporte num todo, que em nada se compara aos recursos tecnológicos que foram se aperfeiçoando ao longo dos anos.

Você, amigo leitor, já deve ter ouvido que diversos craques do passado não jogariam nesse futebol de hoje. Quer dizer, então, que só o Messi, o Cristiano Ronaldo e o Neymar jogam assim: driblando, correndo com a bola dominada, fazendo lindos gols? O Pelé, não? Gerson, não? Tostão, não? Zico, não? O que esses caras fazem hoje os gênios das “antigas” faziam da mesma forma, igualzinho. Resumindo: aqueles que chamamos de “craque”, no melhor sentido da palavra, jogam em qualquer época e contra qualquer adversário.

Esse tipo de comparação não é somente direcionado ao Rei, mas a inúmeros jogadores que desfilaram sua genialidade até os anos 80, a última década romântica do futebol brasileiro. Seguindo no discurso daqueles que teimam em ignorar os feitos magníficos e inigualáveis do Rei do Futebol, insistem nas comparações que ele não foi tão decisivo como Garrincha em 1962, Maradona em 1986 ou Romário em 1994.

Exemplificando apenas a sua participação na Copa de 1970, no México – a última que participou – dos gols assinalados pelo Brasil, Pelé marcou 4 e deu mais sete assistências, totalizando 11 participações nos 19 gols, ou seja, 58% deles. Sem contar outros lances maravilhosos que não terminaram em gols, mas até hoje são reprisados e dignos de se reverenciar.

Na minha maneira de avaliar um jogador do passado, não é necessário tê-lo visto jogar para reconhecer tudo o que ele fez dentro das quatro linhas. A história existe para ser contada e os registros do passado – apesar de não tão numerosos – nos ajudam a ilustrar e confirmar os fatos apresentados, como os de hoje serão no futuro, com a vantagem de uma quantidade maior de imagens para se mostrar. Os brasileiros têm por costume não gostar de leitura e tampouco se interessar pela sua história – com o agravante de valorizar mais o que é estrangeiro. Esse é um grande diferencial em uma discussão não somente direcionada aos fatos esportivos, mas a diversos outros temas. A leitura é uma viagem fantástica junto ao conhecimento (estima-se que, em média, cada brasileiro leia pouco mais de dois livros por ano. Na Europa, em alguns países, chega-se a surpreendente marca de 8 livros por ano. Acho que isso explica alguma coisa).

O assunto em questão é o Pelé, então voltemos a ele. É muito fácil para qualquer jovem de hoje dizer que o Messi é melhor do que Pelé. Difícil será o Messi alcançar os números e conquistar os títulos que o Rei conseguiu. O Messi é um gênio e daqui a 50 anos será lembrado como tal.

Em tempo: não está em discussão o Edson cidadão, mas o Pelé jogador. Refiro-me a esse tópico, pois já ouvi diversos comentários que o Pelé “não fez isso ou deixou de fazer aquilo” – em sua vida particular – o que não vem ao caso no tema abordado. Quem sou eu para argumentar sobre esses pormenores.

Finalizando, seria, com certeza, perda de tempo, e de espaço, repetir o que todos têm pleno conhecimento: que Pelé, em 22 anos de carreira, colecionou todos os títulos possíveis; que Pelé é o único craque de futebol tricampeão mundial pela seleção; que Pelé estabeleceu o recorde, ainda não ultrapassado, de 1.281 gols em 1.362 partidas; que Pelé foi e continuará sendo reverenciado por reis, presidentes, papas, grandes personalidades e pobres mortais; que Pelé é uma das figuras mais populares do planeta; que Pelé, enfim, com seu talento inigualável, praticamente reinventou o futebol. É quase que impossível definir com exatidão a importância de Pelé no cenário do esporte mundial. Pelé é um “Patrimônio Esportivo da Humanidade”.

Se o futebol tivesse um idioma, ele se chamaria PELÉ.

Leia também:

Por que Messi não é o Pelé da minha geração

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20 anos da morte de Waldir Amaral, o “indivíduo competente”

Nascido em Pilar de Goiás-GO, em 17 de outubro de 1926, Waldir Amaral entrou para a história como um dos precursores da narração esportiva mais artística, na qual os bordões desfilam constantemente. Trocou Goiânia pelo Rio de Janeiro para estudar Direito, mas logo descobriu que o rádio era sua paixão e acabou considerado um dos maiores locutores de futebol do Brasil.

Sua trajetória foi praticamente construída no Rio, embora tenha iniciado a carreira na Rádio Clube de Goiânia. Na Cidade Maravilhosa, começou como segundo locutor da equipe da Rádio Continental, que contava com Oduvaldo Cozzi.

Trabalhou também nas seguintes emissoras: Tupi, Mauá, Mayrink Veiga, Nacional e Globo, onde permaneceu por mais tempo – de 1961 a 1983. Sua última emissora foi a Rádio Jornal do Brasil, onde permaneceu por dois anos. Ao se desligar dela, encerrou a carreira. Cobriu as Copas do Mundo de 1950 a 1978.

Waldir Amaral faleceu em 6 de outubro de 1997, onze dias antes de completar 71 anos, vitimado por uma insuficiência coronariana, no Rio de Janeiro.

A marca registrada de Waldir Amaral era a criação de bordões. São de sua autoria:

– Você, ouvinte, é a nossa meta. Pensando em você é que procuramos fazer o melhor!
– O relógio maaaarca
– Está deserto e adormecido o gigante do Maracanã
– Pelé, o Deus de todos os estádios
– Jairzinho, o furacão da Copa
– Liminha, o carregador de piano
– Merica, o cara de Lampião
– Paulo Borges, a Gazela
– Meus amigos do esporte
– Tem peixe na rede e choveu na horta (na hora do gol)
– Estão desfraldadas as bandeiras
– Fumacinha de gol
– Indivíduo competente

Também criou um dos mais famosos apelidos que algum jogador de futebol teve em todos os tempos: “Galinho de Quintino”, direcionado ao eterno ídolo flamenguista Arthur Antunes Coimbra, mais conhecido como Zico.

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Zico

Há exatos 50 anos, Zico fazia o seu primeiro jogo pela escolinha do Flamengo

Um ídolo nacional

Quem viu aquele menino chegando para treinar na Gávea pela primeira vez não poderia imaginar que ele se transformaria num jogador modelo, uma referência mundial de atleta que aliaria talento e profissionalismo. Pois ainda adolescente Zico chamava a atenção pela sua habilidade, mas o seu físico em nada o credenciava. Era baixo, magro e tinha sérios problemas nutricionais. Parecia, enfim, ter muito menos do que os seus 14 anos.  Diante dessa primeira dificuldade, começou a ser forjada uma carreira emblemática. O Flamengo ofereceu todo o apoio e Zico, desde o primeiro instante, não decepcionou.

Em 1º de outubro de 1967, há exatamente 50 anos, no seu primeiro jogo pela escolinha do Flamengo, ele marcaria dois gols na vitória de 4 a 3 sobre o Everest.  Além do empenho em campo, o menino mostrava uma incrível determinação fora dele. Dedicava-se de corpo e alma aos exercícios que lhe dariam a estrutura física necessária para enfrentar o tranco dos seus marcadores. Era como um diamante bruto que progressivamente era lapidado para, no futuro, encantar os torcedores e amantes do futebol.

Com o passar dos anos, Zico se tornou um craque completo. Um camisa 10 habilidoso, artilheiro, perfeito em todos os fundamentos do futebol.  E o mais importante: um exemplo para todas as gerações. Suas atitudes coerentes, seu respeito pelos torcedores e adversários, seu amor ao futebol, seu espírito de superação diante dos obstáculos são características que o elevam à condição de um dos maiores ídolos do esporte.

Com a camisa do Flamengo, da Udinese, da Seleção Brasileira e do Kashima Antlers, do Japão, Zico encarnou como poucos a essência do verdadeiro atleta. Ele deu à profissão de jogador de futebol uma nova dimensão.

Da minha geração – acompanho futebol desde os anos 70 – foi o maior jogador brasileiro que vi em ação. Apesar de torcer por um time rival, nunca tive problemas em declarar a minha admiração pelo atleta Zico e pelo ser humano Arthur. Aprecio o bom futebol e sei reconhecer e dar o merecido valor a quem de direito. E o Zico é merecedor desse reconhecimento. Um ídolo do futebol não pode ser apenas de uma torcida, qualquer que seja a camisa que tenha vestido. Sei que nem todos pensam e veem futebol da mesma maneira, o que é bom e devemos respeitar.

No dia 2 de dezembro de 1989, na vitória de 5 a 0 sobre o Fluminense, na cidade mineira de Juiz de Fora, Zico marcou um belo gol de falta em sua última partida oficial defendendo o Flamengo. Foram 732 jogos e 508 gols marcados, com 434 vitórias, 180 empates e 118 derrotas. Pela Seleção Brasileira seus números são os seguintes: 88 jogos e 66 gols, sendo 72 oficiais, com 52 gols.

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Ary Barroso e suas paixões: a música, o rádio e o futebol

Mineiro de Ubá, onde nasceu em 7 de novembro de 1903, Ary de Resende Barroso ficou órfão de pai e mãe aos oito anos e foi adotado e criado pela avó materna. Partiu do interior com 40 contos de réis – de uma herança recebida –, e o sonho de ser advogado. A fortuna levou dois anos para gastar e nove para concluir o tão sonhado curso.

Chegando ao Rio, com 17 anos, ingressou na Faculdade de Direito. Como estudante, logo abraçou a vida boêmia carioca, tocando em bares e clubes, entregando-se à vida artística do Rio de Janeiro. Os estudos ficaram em segundo plano e acabou reprovado na Faculdade, dois anos depois. Em 1926 retomou os estudos e, finalmente, em 1929 obtém o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais. Tudo isso sem deixar a sua grande paixão – a música – de lado.

Tornou-se um dos maiores compositores da MPB – Música Popular Brasileira. A consagração veio com Aquarela do Brasil, gravada pela primeira vez por Francisco Alves, em 1939. Com suas músicas invadindo o rádio, por intérpretes da categoria de Carmem Miranda e Sílvio Caldas, entre outros, já era então um dos músicos mais notáveis do Rio, tendo sua música divulgada nos Estados Unidos. Em 1945, criou seu próprio programa de rádio, a “Hora do Calouro”, por onde passou grandes talentos da música popular, como Luiz Gonzaga. Ao todo são conhecidas 264 composições de sua autoria, sendo Aquarela do Brasil uma das músicas que mais produz direitos autorais no exterior.

Entrou para o meio esportivo – sua outra paixão – e foi um jornalista de grande projeção nacional. Sua primeira narração foi na decisão do campeonato da Liga Carioca de Futebol de 1936, entre Fluminense e Flamengo, nas Laranjeiras, pela Rádio Cruzeiro do Sul. O Tricolor levou o título com o empate de 1 a 1. Nas narrações, Ary misturava informações com comentários pessoais e frases de efeito.

Um flamenguista apaixonado que demonstrava nas transmissões toda a sua paixão pelo clube de coração. Ary Barroso chegou a invadir o campo numa partida entre Brasil e Argentina para cobrar os erros do juiz. Usava uma gaita para que o ouvinte conseguisse perceber quando saísse um gol, pois na maioria das vezes, o grito do locutor era abafado pelo barulho da torcida. A gaita de Ary Barroso faz parte da história da crônica esportiva. Quando o gol era do Flamengo a gaita era tocada de forma demorada e empolgada. Já no gol adversário, o instrumento recebia sopradas fracas. Notabilizou-se nas transmissões pela Rádio Tupi, além de comandar outros programas musicais. Pode-se dizer que Ary Barroso foi um dos responsáveis por difundir Brasil afora o futebol pelas ondas do rádio.

Veio a falecer durante o período de carnaval do ano de 1964, em 09 de fevereiro, deixando o samba que tanto amava em luto. A causa de sua morte é desconhecida, mas desde o ano de 1961 vinha sofrendo de cirrose hepática. Foi tema do samba enredo da União da Ilha do Governador, no carnaval de 1998.

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Os “Deuses da bola” deram a chance para Jô. Mas ele fraquejou

Assim como ocorre com a política do nosso País, sobre o que muitos não gostam nem de conversar – tamanha a falta de credibilidade -, o futebol parece trilhar o mesmo caminho.

Nada contra as brincadeiras e gozações dos torcedores, que fazem parte do contexto e da essência do esporte, e sem elas não haveria a verdadeira graça do dia seguinte ao jogo, quando se chega para trabalhar – com a cabeça erguida (para sacanear) ou cabisbaixo (para ser sacaneado).

Acredito que os erros e acertos sempre ocorreram, mas não tão descarados como ultimamente. Todos são beneficiados e prejudicados. No entanto, para alguns a benevolência é escancarada e isso nos tira todo e qualquer prazer de ver, comentar e até discutir, no bom sentido da palavra.

Quando um produto, qualquer que seja ele, perde o seu crédito, o que temos de fazer é deixá-lo de lado. Por essas e outras que a cada dia mais cresce o interesse do torcedor pelo futebol europeu. Grupos são criados em diversas partes do Brasil para acompanhar os jogos semanalmente pela televisão. E tudo é levado muito a sério.

Voltando ao assunto em questão, os homens que dirigem o futebol brasileiro, quase que na sua maioria são “políticos” disfarçados de torcedores, que usam a imagem da instituição somente para benefício próprio. Nós, os torcedores, somos usados e passados pra trás, ludibriados quase que diariamente, e só aqueles mais apaixonados – que só enxergam tudo a seu favor – são coniventes e aceitam todo e qualquer tipo de situação.

Não foi esse o esporte que aprendi a gostar!

Tudo que vem ocorrendo é um somatório de fatores lamentáveis. Será que o futebol está virando um jogo de cartas marcadas? Até que ponto os interesses de audiência interferem nos resultados?

Há exceções, como em tudo na vida. Estou certo, Rodrigo Caio? Se ele quis ou não passar como bom moço, não vem ao caso, o importante é que tomou a atitude correta para a ocasião.

E eis que por ironia do destino, o centroavante corintiano (beneficiado lá atrás pela conduta do zagueiro são-paulino, a quem elogiou publicamente pela atitude de corrigir a marcação do árbitro no clássico entre suas equipes) ao marcar o gol com a mão no Vasco na última rodada, comemorou como se nada tivesse acontecido e “deu de ombros” para a situação.

Ou seja, os “Deuses da bola” deram a chance para Jô. Mas ele fraquejou.

Leia também: Tristes tempos em que Rodrigo Caio tem que justificar sua honestidade

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Pan, Copa do Mundo, Olimpíadas… E o legado? Será isso um palavrão?

A verdade nua e crua é que se o nosso País não tinha a mínima condição de sediar os Jogos Pan-Americanos de 2007, imagine então uma Copa do Mundo e, agora, a edição dos Jogos Olímpicos.

Aliás, sobre os dois últimos citados, não temos noção de até quando pagaremos a conta.

Deixando a trágica Copa do Mundo de lado – tanto fora como dentro de campo –, sediar um evento do porte de uma Olimpíada foi mais uma das loucuras de nossa classe política (principalmente do governo Lula), que já “trabalhava” nos bastidores pensando nas altas comissões em cima de tantas obras faraônicas e desnecessárias para um país do “terceiro mundo”.

Os nossos problemas internos são antigos e graves – vêm de longa data –, e não podemos esquecer e deixar de lado as questões relativas à saúde, à educação e à segurança.

Em um País onde os políticos enchiam o peito e só falavam em “crescimento da economia”, e outros afirmavam que a crise que atingiu a Europa e os Estados Unidos aqui não chegaria, ela chegou!

Tivemos o dissabor de enfrentá-la junto com o rombo da Petrobrás, somados com muitos outros desvios de dinheiro que chegam a valores inimagináveis.

Como é difícil e triste conviver com algumas situações de abandono e que são primordiais para o ser humano. Não temos dinheiro público para acabar com os mais de 40% da população que não tem acesso ao saneamento básico, mas o dinheiro apareceu para gastar na construção de estádios e reformas de outros para atender todas as exigências da “Dona FIFA”, que virou um mar de corrupção e perde a sua credibilidade a cada escândalo que aparece envolvendo a instituição. Com o agravante da imposição de isenção de impostos para a entidade durante a realização da Copa (os fatos ocorridos após a realização do mundial todos nós já sabemos).

O legado que ficou do Pan realizado no Rio de Janeiro é um exemplo de como o dinheiro público foi mal aplicado. Instalações abandonadas que, em sua maioria – podemos dizer mais de 90% -, não servirão para os Jogos Olímpicos.

Agora a pergunta: alguém está sendo responsabilizado por tal absurdo? Ninguém. Aliás, quase todos que participaram da organização do Pan fazem parte da comissão organizadora das Olimpíadas.

O Maracanã foi reformado para o Pan e praticamente foi construído um novo estádio para a Copa do Mundo. Para completar o serviço, mais algumas reformas e adaptações estão sendo feitas para as Olimpíadas.

O Engenhão, então, nem se fala. Parece que foi um estádio construído para a Copa de 50, tamanha a quantidade de reformas contundentes em sua estrutura.

Sobre o legado da mobilidade urbana, diversas obras inacabadas e outras que nem começaram.

Enquanto isso, o “pacato cidadão brasileiro” continua na sua luta diária de sobrevivência. Ele, que paga impostos em tudo que compra, mas que não vê nenhum retorno em seu benefício. Para andar de carro em estrada decente – tem que pagar o pedágio; para ter acesso a um atendimento médico – tem que ter plano de saúde; se quiser uma boa educação para o seu filho – tem que pagar colégio particular…

Enquanto isso, em Brasília (somente na capital federal, pois nas cidades satélites o índice de pobreza e as condições de vida são desumanas), parece que estamos em um país de “primeiro mundo”. Parece a Suíça.

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Seleção Brasileira? Não, obrigado

Conheça a história de Píndaro Possidente, o primeiro jogador brasileiro a pedir dispensa da Seleção às vésperas de uma Copa do Mundo

PindaroNascido na cidade de Santo Antônio de Pádua (RJ), em 12 de março de 1925, Píndaro Possidente Marconi começou a sua carreira no Paduano e suas atuações logo o levaram à seleção do Estado do Rio de Janeiro – que na época não incluía a capital, então Distrito Federal.

O ex-lateral e zagueiro logo chamou a atenção do Fluminense e aos 20 anos já estava nas categorias de base do Tricolor.

Píndaro possuía uma técnica apurada e jogava duro quando era necessário, mas sempre com lealdade.  Não demorou muito para firmar-se como titular e capitão a partir de 1948.  Ao lado de Castilho – goleiro – e Pinheiro, formou uma defesa muito forte que ficou conhecida como “Santíssima Trindade”.

No Fluminense trabalhou com o técnico Zezé Moreira, que começava a sua vitoriosa carreira de técnico, e conquistou o Torneio Municipal em 1948, o Campeonato Carioca de 1951 e a Copa Rio de 1952, considerado o mundial de clubes da época.

Píndaro foi o capitão entre os anos de 1948 e 1955, mesmo atuando ao lado de grandes craques como Castilho, Pinheiro, Telê Santana e Didi. Por nunca ter sido expulso em sua carreira (!), recebeu o prêmio “Belfort Duarte”.

Um dos fatos mais marcantes ao longo de sua trajetória no futebol aconteceu em 1950. Fazia parte do grupo de jogadores da pré-convocação para disputar a Copa do Mundo daquele ano. Durante o período de preparação, ele se desentendeu com o técnico Flávio Costa e, para surpresa de todos, pediu dispensa da Seleção pouco antes da divulgação da lista final dos convocados.

Publicações da época afirmam que ele pediu o seu afastamento por não ter sido escalado em nenhum dos seis amistosos contra o Paraguai e Uruguai. Outro fato parecido só ocorreu em 1986, quando o lateral Leandro, do Flamengo, também pediu dispensa da Seleção pouco antes da Copa do México, em solidariedade ao amigo Renato Gaúcho, que havia sido cortado por indisciplina.

Aos 31 anos, em 1956, deixou os gramados após disputar 257 jogos com a camisa do Fluminense – única equipe que defendeu ao longo de sua carreira. Depois de deixar os gramados, seguiu a tradição familiar e comprou uma farmácia.

Na década de 70, foi dirigente das categorias de base do Fluminense e pelas suas mãos passaram os então jovens Abel Braga, Edinho, Rubens Galaxe, Pintinho, entre outros.

Em 2008, aos 83 anos e com problemas de saúde, veio a falecer em sete de agosto, vítima de falência múltipla dos órgãos.

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Pagamos hoje pelos pecados de 1982, ano em que abrimos mão do bom futebol

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Airton Moreira, o técnico que revolucionou o futebol mineiro

Concluindo o relato de uma pequena parte da história dos “Irmãos Moreira” (foto), trajetória essa dedicada ao futebol, Airton Moreira (o primeiro da esquerda), o mais novo dos três – apesar de menos famoso – deixou o seu nome marcado no futebol mineiro, mais precisamente no Cruzeiro, na década de 60.

Ele foi o responsável por formar uma das maiores equipes da história do clube – o time que ficou conhecido como “Academia Celeste”.

No ano de 1964, foi novamente convidado a assumir o time, pois já era funcionário do clube e pelo qual já havia sido técnico em 1957, e teve a ousadia de promover alguns jovens jogadores, tais como: Natal, Dirceu Lopes, Pedro Paulo, entre outros, formando uma equipe mais leve e veloz.

Diferente dos esquemas mais defensivos praticados pelos seus dois irmãos, Airton prezava um futebol mais ofensivo e, por isso, os jogos do Cruzeiro eram de muitos gols.

Conquistou a Taça Brasil de 1966, contra o Santos de Pelé, com uma vitória incontestável por 6 a 2 no 1º jogo, no Mineirão. No Pacaembu, em São Paulo, no 2º jogo, depois de terminar o 1º tempo perdendo por 2 a 0, virou para 3 a 2 e conquistou o primeiro título de expressão para o futebol mineiro.

Ainda foi campeão mineiro nos anos de 1956/65/66/67.

Está entre os técnicos que mais dirigiu o Cruzeiro – com 200 partidas – obtendo 127 vitórias, 33 empates e 40 derrotas.

Nascido em Miracema (RJ), em 30 de dezembro de 1917, Airton Moreira nos deixou muito novo, aos 56 anos, em 22 de novembro de 1975, em Belo Horizonte. Ele sofria de hipertensão arterial, e após sofrer uma hemorragia cerebral, o treinador não resistiu e veio a falecer. Foi enterrado na capital mineira tendo sobre o caixão as bandeiras dos três clubes da cidade – Cruzeiro, Atlético e América.

“O Cruzeiro era um antes dele. Ficou famoso e respeitado no mundo inteiro sob o seu comando. E não foi mais o mesmo depois que ele saiu”, publicou o jornal Estado de Minas, três dias depois de sua morte.

Na época do ocorrido, trabalhava com o irmão Zezé, sendo o seu auxiliar no comando técnico do time Celeste. Ele deixou a viúva Ione e três filhos: Paulo, Marcos e Júlio. O mais novo – Júlio – chegou a trabalhar como preparador físico, inclusive, com o tio Aymoré, no futebol baiano no início dos anos 80.

Airton também foi jogador, atuava como zagueiro e apesar de pouca técnica, demonstrava muito vigor físico.

Começou no juvenil do Botafogo (RJ) e passou pelo Atlético Mineiro, onde foi campeão estadual, Aeroporto, de Lagoa Santa (MG), e Náutico, time pernambucano pelo qual encerrou a carreira, em meados dos anos 40.

Já em 1946, iniciou a sua carreira de técnico no Metalusina, da cidade mineira de Barão de Cocais. Posteriormente, seguiu sua trajetória treinando os seguintes times: Tupi e Sport – ambos de Juiz de Fora – Bangu (RJ), Atlético Mineiro – em três oportunidades e bicampeão mineiro em 1949/50 – Villa Nova (MG), América (MG), Cruzeiro – em duas oportunidades – Bela Vista (MG), Valeriodoce (MG) e Vila Nova, de Goiás – último time que dirigiu, em 1974.

Como já foi dito acima, retornou ao Cruzeiro em 1975, para ser o auxiliar técnico de seu irmão Zezé Moreira.

A história do futebol brasileiro reserva um capítulo especial a esses três irmãos que dedicaram a maior parte de suas vidas a esse esporte que o seu pai – o farmacêutico Alfredo Moreira da Silva – detestava e nem de longe imaginava um de seus filhos praticando-o.

Aderbal Moreira – o outro irmão – enveredou-se pelo mundo da música e foi um respeitado e exímio tocador de “saxofone barítono”, de nível internacional.

Apesar de esquecidos em sua própria terra, Miracema tem muito que se orgulhar de seus filhos famosos e geniais!

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O Comendador José Maria de Aquino

Célio Silva, o canhão do Parque São Jorge e do Gigante da Beira-Rio 

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José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

Fernando PradoFernando Prado

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Gustavo FernandesGustavo Fernandes

Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

Jorge FreitasJorge Freitas

“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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