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Marcelo L. Arruda

Marcelo Leme de Arruda é estatístico graduado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo. Desde criança é aficionado por rankings, tabelas, fórmulas e outras maneiras de se quantificar o nível técnico de equipes de futebol e de competidores de esportes em geral.
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São Paulo x Atlético Nacional: confira o histórico do Tricolor em todas as semifinais de Libertadores que já disputou

Muita água já rolou na Copa Libertadores 2016 e a competição vive, desde que foi interrompida (em razão da Copa América Centenário, vencida pelo Chile), a expectativa da disputa das semifinais, fase que quase sempre tem a participação do futebol brasileiro: em 57 edições do torneio, apenas 11 não tiveram nenhum semifinalista brasileiro e, em curiosa contrapartida, 11 outras edições tiveram dois brasileiros disputando essa fase (lembrando que, de 1971 a 1987, a fase semifinal era disputada por seis clubes, divididos em dois grupos de três, com o campeão de cada grupo passando à decisão do título).

Como mostra a tabela a seguir, 15 clubes brasileiros já atingiram as semifinais da Libertadores, enquanto outros 12 (Bahia, Bangu, Coritiba, Criciúma, Goiás, Juventude, Náutico, Paraná, Paulista, Paysandu, Santo André e Sport) já disputaram a competição, mas nunca chegaram até essa fase.

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O último sobrevivente brasileiro na Libertadores 2016 é, coincidentemente, o clube de desempenho histórico mais notável: o São Paulo que, em sua 18ª participação no torneio, chega pela 10ª vez à fase semifinal. São números maiúsculos, que fazem do Tricolor o clube brasileiro recordista nos dois quesitos (e, se não fosse o Santos de Pelé, também o fariam líder também na taxa de semifinais atingidas por edições disputadas).

A história são-paulina nas semifinais da Libertadores começa nos anos 1970, quando a equipe, liderada por Pedro Rocha, atingiu duas vezes essa etapa da competição. Em 1972, o São Paulo empatou duas vezes com o Barcelona-EQU (1×1 no Morumbi e 0x0 em Guayaquil), venceu o Independiente por 1×0 no Morumbi mas perdeu por 2×0 em Avellaneda, sendo eliminado pelo rival argentino. Dois anos depois, o Tricolor enfrentou os peruanos do Defensor Lima e os colombianos do Millonarios, goleando ambos por 4×0 no Morumbi, vencendo em Lima por 1×0, empatando em Bogotá por 0x0 e se classificando para a final em que, mais uma vez, seria derrotado pelo Independiente.

Após esse breve capítulo, o São Paulo só voltou a disputar uma semifinal de Libertadores na histórica “Era Telê” e não deixou por menos: foram três semifinais consecutivas a que o time de Raí & Cia chegou. Em 1992, contra os velhos conhecidos do Barcelona de Guayaquil, vitória por 3×0 no Morumbi, derrota por 2×0 no Equador e passaporte carimbado para a decisão (e o título) contra o Newell’s Old Boys. No ano seguinte, 1×0 no Morumbi e 0x0 em Assunção foram suficientes para eliminar o Cerro Porteño e se credenciar à disputa do bicampeonato contra a Universidad Católica. E em 1994, outro paraguaio no caminho do Tricolor: o São Paulo venceu o Olímpia por 2×1 no Morumbi, perdeu por 1×0 no Paraguai e carimbou, na decisão por pênaltis, a classificação para a finalíssima, na qual o Vélez Sarsfield de Chilavert frustrou, àquela altura, o sonho do tricampeonato continental.

Outro longo intervalo se passou e, já no século XXI, o São Paulo fez as pazes com a Libertadores: voltou a disputá-la e, novamente, chegou a três semifinais consecutivas. Na primeira, em 2004, os colombianos do Once Caldas seguraram o 0x0 no Morumbi e frustraram os tricolores com uma vitória por 2×1 arrancada no finalzinho do jogo de volta, em Manizales. Um ano depois, duas vitórias categóricas contra o River Plate: 2×0 no Morumbi, 3×2 no Monumental de Núñez, a quebra de um tabu histórico (o São Paulo nunca havia vencido um jogo de Libertadores em solo argentino) e a classificação para a final em que o tri seria conquistado contra o Atlético Paranaense. No ano seguinte, o Tricolor derrotou o Chivas Guadalajara por 1×0 no México e 3×0 no Morumbi e se classificou para mais uma final, quando o Internacional de Fernandão adiou o sonho do tetracampeonato.

A grande fase do São Paulo (marcada pelo título mundial de 2005 e pelo tricampeonato brasileiro em 2006-2007-2008) passou, mas a camisa tricolor é pesada e o clube, mesmo estando longe de seus melhores momentos, ainda alcançou mais uma semifinal, em 2010. Essa era uma semifinal especial, pois o outro finalista era o Chivas Guadalajara e o regulamento da Libertadores proíbe que clubes mexicanos se classifiquem para o Mundial de Clubes (a via de acesso para eles é a Liga dos Campeões da CONCACAF). Por isso, quem vencesse essa semifinal já estaria antecipadamente garantido no Mundial, o que deu um tempero a mais ao confronto brasileiro contra o Internacional (novamente eles…). O São Paulo perdeu por 1×0 no Beira-Rio, ganhou por 2×1 no Morumbi e, graças à polêmica regra do “gol fora de casa” (em vigor na Libertadores desde 2005), perdeu para os rivais gaúchos as vagas na finalíssima e no Mundial. Aliás, naquele Mundial o Internacional foi vexatoriamente eliminado pelos africanos do Mazembe e restou aos são-paulinos o consolo de serem poupados desse constrangimento.

Resumindo essa história, os números são-paulinos nas nove semifinais disputadas até hoje são:

NumerosSaoPaulo

São números sem dúvida extremamente auspiciosos para o Tricolor. No Morumbi, a vitória é quase certa e praticamente sem ceder gols. No jogo de volta, o retrospecto é desfavorável, mas suficiente para garantir, no saldo de gols, a passagem são-paulina à final. Além disso, a decisão da vaga será fora de casa, no estádio de Medellín, cenário em que o São Paulo tem um histórico de 80% de sucesso.

Quem é mais realista, porém, poderá argumentar (e com razão) que esses números mostram um retrospecto histórico que não necessariamente reflete o momento atual de cada semifinalista. Nesse aspecto, os cálculos do site Chance de Gol, baseados no retrospecto recente de cada clube, dão ao São Paulo apenas 31 % de probabilidades de classificação, contra 69 % do Atlético Nacional. Embora os “secadores” gostem desses números, não se pode esquecer que esses números estão certamente deflacionados pelo mau começo do Tricolor na competição, que 31 % está longe de ser zero e que, citando somente um exemplo, o São Paulo não era favorito contra o Toluca e, mesmo assim, se classificou nas oitavas de final.

Batendo todas essas análises no liquidificador, chegamos à conclusão óbvia: há muitos motivos para os são-paulinos ficarem otimistas, mas também há argumentos para os rivais nutrirem esperanças. E a definição de qual lado sairá vencedor só acontecerá depois dos 180 minutos de bola rolando.

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O Trio de Ferro nas Libertadores

Pela terceira vez na história, os três grandes clubes da cidade de São Paulo estão disputando simultaneamente a Taça Libertadores da América e é natural pensar numa comparação entre as trajetórias dos três rivais.

Ano a ano, os desempenhos dos integrantes do Trio de Ferro foram:


 

Ano Palmeiras São Paulo Corinthians
1961 vice-campeão
1968 vice-campeão
1971 fase semifinal
1972 fase semifinal
1973 primeira fase
1974 primeira fase vice-campeão
1977 primeira fase
1979 primeira fase
1982 primeira fase
1987 primeira fase
1991 oitavas de finais
1992 CAMPEÃO
1993 CAMPEÃO
1994 oitavas de finais vice-campeão
1995 quartas de finais
1996 quartas de finais
1999 CAMPEÃO quartas de finais
2000 vice-campeão semifinal
2001 semifinal
2003 oitavas de finais
2004 semifinal
2005 oitavas de finais CAMPEÃO
2006 oitavas de finais vice-campeão oitavas de finais
2007 oitavas de finais
2008 quartas de finais
2009 quartas de finais quartas de finais
2010 semifinal oitavas de finais
2011 fase preliminar
2012 CAMPEÃO
2013 oitavas de finais oitavas de finais oitavas de finais
2015 oitavas de finais oitavas de finais

 


 

A primeira coisa que se pode notar nessa tabela é a presença constante dos três grandes paulistanos: de 1999 até hoje, somente duas edições da Libertadores (2002 e 2014) não tiveram a participação de nenhum dos três rivais. Outro indicador da força do Trio de Ferro é o fato de que 2016 será o nono ano dos últimos dezessete a contar com pelo menos dois rivais participando simultaneamente da Libertadores. Isso significa dizer que, em mais de 50% das vezes, houve mais de um integrante do Trio de Ferro presente da principal competição do continente.

A tabela abaixo sumariza as participações dos três rivais e confirma que, sob o ponto de vista histórico, o melhor retrospecto é, destacadamente, o do São Paulo:

Time participações campeão vice-campeão semifinal* quartas de finais oitavas de finais primeira fase fase preliminar
São Paulo 16 3 3 3 2 3 2
Palmeiras 15 1 3 2 2 4 3
Corinthians 12 1 1 2 6 1 1

* inclui tanto a segunda fase de grupos (1971-1987) quanto a semifinal mata-mata (desde 1988)


 

A superioridade do histórico são-paulino se dá não só pela simples contagem do número de títulos (três são-paulinos contra apenas um de cada rival) mas também pela distribuição percentual das fases atingidas por cada rival: o São Paulo chegou à semifinal em mais de 50% das Libertadores disputadas (9 em 16), enquanto o Corinthians não conseguiu nem sequer passar das oitavas de finais em 67% das suas participações (8 de 12). Já o Palmeiras, com exceção do título solitário de 1999, tem suas participações distribuídas de forma quase uniforme entre a fase de grupos e o vice-campeonato.

Para os mais supersticiosos, porém, o que mais conta são as comparações mais detalhistas, do tipo “sempre que o meu time e aquele rival disputaram a Libertadores juntos, essa fato aconteceu”. Para analisarmos se há algum “tabu” desse tipo, vamos olhar com lente de aumento os anos em que rivais estiveram juntos na maior competição da América do Sul:

  1. a) Participações simultâneas de Palmeiras e São Paulo:
Ano Palmeiras São Paulo confrontos
1974 primeira fase vice-campeão São Paulo 2×0 Palmeiras (primeira fase)

Palmeiras 1×2 São Paulo (primeira fase)

1994 oitavas de finais vice-campeão Palmeiras 0x0 São Paulo (oitavas)

São Paulo 2×1 Palmeiras (oitavas)

2005 oitavas de finais CAMPEÃO Palmeiras 0x1 São Paulo (oitavas)

São Paulo 2×0 Palmeiras (oitavas)

2006 oitavas de finais vice-campeão Palmeiras 1×1 São Paulo (oitavas)

São Paulo 2×1 Palmeiras (oitavas)

2009 quartas de finais quartas de finais
2013 oitavas de finais oitavas de finais

 


 

 

Aqui, a vantagem é francamente tricolor:

Jogos disputados 8 Edições disputadas 6
Vitórias do São Paulo 6 Edições em que o São Paulo chegou mais longe 4
Empates 2 Edições em que ambos caíram na mesma fase 2
Vitórias do Palmeiras 0 Edições em que o Palmeiras chegou mais longe 0
Gols do São Paulo 12  
Gols do Palmeiras 4  

 


 

Nesse confronto há, também, uma “escrita” favorável ao São Paulo: sempre que enfrentou o Palmeiras, o Tricolor chegou à Final da Libertadores! Mas, como consolo para aos alviverdes, em 75% dessas finais (3 de 4), o São Paulo foi derrotado e ficou com o vice-campeonato…

  1. b) Participações simultâneas de São Paulo e Corinthians:
Ano São Paulo Corinthians confrontos
2006 vice-campeão oitavas de finais
2010 semifinal oitavas de finais
2013 oitavas de finais oitavas de finais
2015 oitavas de finais oitavas de finais Corinthians 2×0 São Paulo (primeira fase)

São Paulo 2×0 Corinthians (primeira fase)


 

Aqui, a vantagem também é tricolor, embora com uma margem mínima. Os rivais empatam na comparação por jogos e o São Paulo ganha na comparação por edições graças a duas participações que, pode-se dizer, já fazem parte de um passado distante:

Jogos disputados 2 Edições disputadas 4
Vitórias do São Paulo 1 Edições em que o São Paulo chegou mais longe 2
Empates 0 Edições em que ambos caíram na mesma fase 2
Vitórias do Corinthians 1 Edições em que o Corinthians chegou mais longe 0
Gols do São Paulo 2  
Gols do Corinthians 2  

 

Nesse confronto, os torcedores mais ávidos em secar e provocar o adversário podem encontrar dois pequenos “tabus”. Por um lado, o torcedor alvinegro pode dizer que o São Paulo nunca venceu uma Taça Libertadores (nem mesmo em 2006, quando o Tricolor era o então Campeão Mundial de Clubes) quando o Corinthians também esteve participando da competição. Por outro lado, o torcedor tricolor pode contar que o Corinthians nunca passou das oitavas de finais (nem mesmo em 2013, quando o Alvinegro era o então Campeão Mundial de Clubes) nos anos em que o São Paulo também esteve presente da Libertadores…

  1. c) Participações simultâneas de Corinthians e Palmeiras:
Ano Palmeiras Corinthians confrontos
1999 CAMPEÃO quartas de finais Palmeiras 1×0 Corinthians (primeira fase)

Corinthians 2×1 Palmeiras (primeira fase)

Palmeiras 2×0 Corinthians (quartas)

Corinthians 2×0 Palmeiras (quartas)

2000 vice-campeão semifinal Corinthians 4×3 Palmeiras (semifinal)

Palmeiras 3×2 Corinthians (semifinal)

2006 oitavas de finais oitavas de finais
2013 oitavas de finais oitavas de finais

 

Aqui, a vantagem é alviverde, embora novamente com uma margem mínima. Assim como aconteceu entre São Paulo e Corinthians, os rivais empatam na comparação por jogos e o Palmeiras ganha na comparação por edições, graças a duas participações no passado distante:

Jogos disputados 6 Edições disputadas 4
Vitórias do Palmeiras 3 Edições em que o Palmeiras chegou mais longe 2
Empates 0 Edições em que ambos caíram na mesma fase 2
Vitórias do Corinthians 3 Edições em que o Corinthians chegou mais longe 0
Gols do Palmeiras 10  
Gols do Corinthians 10  

 

Nesse confronto, os palmeirenses podem usar o Corinthians para “desforrar” os sãopaulino: assim como o time do Morumbi sempre chegou à final quando enfrentou o Palmeiras, o time do Allianz Parque sempre chegou à final quando cruzou o caminho do Corinthians. Mas, para consolo dos alvinegros (analogamente ao consolo alviverde em relação ao São Paulo), metade dessas finais disputadas pelo Palmeiras resultou em derrota e vice-campeonato…

  1. d) Participações simultâneas dos três clubes:
Ano Palmeiras São Paulo Corinthians confrontos
2006 oitavas de finais vice-campeão oitavas de finais Pal 1×1 SP (oitavas)

SP 2×1 Pal (oitavas)

2013 oitavas de finais oitavas de finais oitavas de finais

 

Aqui, embora a amostra seja pequena (somente dois campeonatos), há uma “tendência” bem visível de os rivais morrerem abraçados nas oitavas de finais. A única exceção é o São Paulo de 2006, vice-campeão após derrotar o Palmeiras no único clássico ocorrido nessas duas edições da Libertadores. Isso nos permitiria formular um pequeno “tabu”, a ser confirmado ou contrariado na edição 2016: sempre que os três rivais paulistas participam simultaneamente da Libertadores, eles são eliminados nas oitavas de finais da competição; a exceção ocorre quando dois desses rivais jogam diretamente entre si e, nesse caso, o vencedor chega até a final.

Em suma, se houver alguma possibilidade de o passado prever o futuro, dois “palpites” podem ser arriscados:

1 – Há uma tendência histórica de o São Paulo ir mais longe (ou no mínimo cair na mesma fase) que Palmeiras e Corinthians;

2 – Há uma tendência histórica de que, se houver um clássico paulista na competição, o seu vencedor chegue bem longe no campeonato (pelo menos até as semifinais, digamos).

É claro que tabus e tendências existem para ser quebrados, como bem mostrou a Alemanha, primeiro ao transformar o Brasil no primeiro “time grande” a perder duas Copas como anfitrião, e depois ao se tornar, depois de 84 anos, a primeira seleção europeia a vencer uma Copa disputada na América.

Além disso, dirá o torcedor mais sensato, essas estatísticas se baseiam em dados históricos que somam épocas diferentes, com times diferentes enfrentando adversários diferentes em realidades diferentes e sob fórmulas de disputas diferentes. E esse torcedor estará correto.

Dirá esse torcedor ainda mais: algumas dessas “escritas” e “tabus” chegam a lembrar aquelas “estatísticas” que certas transmissões de TV adoram descobrir (“o time X nunca venceu o time Y em jogos em que o primeiro gol sai de uma cobrança de escanteio antes dos 15 minutos do 1º tempo”). E, novamente, esse torcedor estará com a razão.

Contudo, estamos falando de uma competição com a importância que a Libertadores tem, temperada por tudo o que a rivalidade entre São Paulo, Palmeiras e Corinthians possui!

Numa situação dessas, qualquer munição para perturbar o torcedor adversário no bate-papo do boteco é mais do que válida! E que vença o melhor, desde que não seja nenhum dos rivais, não é mesmo?

Postado em Colunistas convidados, Copa Libertadores, Corinthians, Palmeiras, São Paulo13 Comments

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O lugar do “Corinthians de 2015” na história. E a importância da defesa

Uma pauta que tem sido recorrente nas últimas semanas é o enaltecimento à vitoriosa campanha do Corinthians e a comparação dos números do alvinegro de Itaquera com os de outros vencedores do Campeonato Brasileiro. Muitas comparações que tenho visto por aí, porém, não têm maior serventia do que massagear o ego dos torcedores corintianos. Por isso, muito mais importante para o público geral do que apresentar estatísticas superficiais é olhar o que existe por trás delas e o que esses números estão realmente dizendo (e, registre-se, pouquíssimos estão escutando).

Antes de adentrarmos essa análise, uma observação importante deve ser feita. Ao longo da história, já foram realizados 45 campeonatos brasileiros (ou 59, para quem também contabiliza a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa) e uma comparação entre todos os vencedores se tornaria muito cansativa (pelo tamanho que as tabelas atingiriam) e imprecisa (pela diversidade de fórmulas de disputa e do nível técnico dos participantes de cada campeonato), sem falar que o próprio futebol mudou muito nessas últimas décadas. Por isso, fazendo eco a muitas estatísticas que se vêem por aí, restringirei a análise à chamada “era dos pontos corridos” (2003-2015).

A primeira comparação óbvia a ser feita é entre os rendimentos dos campeões brasileiros ano a ano. Nessa primeira tabela, uma leitura atenta de algumas informações já começa a fornecer alguns indícios da conclusão a que chegaremos.

Tabela

É verdade que o Corinthians foi apenas o segundo time da história dos pontos corridos a ser campeão tendo simultaneamente o melhor ataque e a melhor defesa. Também é verdade que, se o Corinthians vencer o seu último jogo, contra o Avaí, superará o aproveitamento do Cruzeiro-2003 e atingirá o maior aproveitamento de toda a “era dos pontos corridos”. Uma análise atenta das outras colunas dessa tabela, porém, nos mostra outras características não só de onde se manifestou a superioridade corintiana mas também de uma tendência que vem se desenhando de forma cada vez mais forte e mais nítida:

* O ataque do Corinthians, embora tenha sido o melhor do campeonato, não passou de modestos 1,89 gols por jogo, sendo apenas o quinto melhor ataque dentre os campeões;

* A defesa corintiana, por sua vez, com 0,81 gol sofrido por jogo, foi melhor até que a do econômico time de 2011 (apelidado de “empatite”) e é a segunda melhor dentre todos os campeões, sendo superada somente pela quase intransponível defesa do São Paulo-2007.

Saindo do Corinthians e passando à tendência geral, é importante lembrar que, nos primeiros anos dos pontos corridos, o campeonatos tinham mais participantes (24 em 2003 e 2004 e 22 em 2005) e consequentemente tinham maiores distâncias técnicas entre os melhores e os piores participantes. Assim, levando em conta essa ressalva, mais algumas observações importantes saltam aos olhos de quem se dispuser a ir além do superficial.

* Sete vezes o melhor ataque venceu o campeonato e seis vezes a melhor defesa levantou o troféu. Mas restringindo a análise aos campeonatos de 20 participantes (2006 a 2015), são seis títulos da melhor defesa contra apenas três do melhor ataque!

* Com exceção dos campeões de 2003 a 2005 e do Cruzeiro-2013, todos os vencedores do Campeonato Brasileiro tiveram médias inferiores a 2 gols marcados por jogo. Isso significa que, de 2006 para cá, virtualmente todos os campeões brasileiros o foram não por possuírem ataques atropeladores, mas por fazerem gols suficientes para somar três pontos aqui, três ali, três acolá etc.

* Exceto (novamente) pelos três primeiros campeões e pelo Flamengo-2009, todos os campeões brasileiro tiveram médias iguais (Cruzeiro-2014) ou menores (todos os demais) que 1 gol sofrido por jogo. Isso reforça que, de 2006 para cá, os campeões não têm sido “máquinas de fazer gols”, mas times que sofrem poucos gols e, por essa razão, raramente se vêem obrigados a marcar quantidades expressivas de gols para conquistar os três pontos.

* De 2006 até hoje, todos os campeões ficaram entre as quatro melhores defesas (e, na grande maioria das vezes, ficaram entre as maiores defesas). Já entre os ataques, São Paulo-2007, Flamengo-2009 e Corinthians-2011 ficaram em posições modestas no ranking do quesito. O recado aqui é óbvio: defesa ruim não ganha campeonato, enquanto um ataque fraco, se estiver acompanhado de uma boa defesa, pode perfeitamente levantar o troféu.

Provavelmente o leitor mais atento já sabe onde quero chegar, mas ainda há mais dados a serem mostrados nesta análise:

Tabela2

Analisando essa tabela e lembrando-se da ressalva acerca dos três primeiros anos dos pontos corridos, podemos tirar mais algumas conclusões que reforçam o que observamos na tabela anterior:

* Em seis vezes a melhor defesa terminou numa colocação superior ao melhor ataque, enquanto em cinco vezes o melhor ataque terminou numa posição melhor que a melhor defesa. Descontando os campeonatos de 2003 a 2005 (pelas razões já expostas anteriormente), a vantagem passa a ser de 6 x 2 para a melhor defesa.

* Com exceção dos anos de 2013 e 2014 (e de 2003, que faz parte do “período da ressalva”), o time de melhor defesa sempre terminou entre os três primeiros colocados do campeonato, enquanto o melhor ataque, em quatro oportunidades, ficou abaixo da terceira posição. Dito de outra forma, de 2006 para cá a melhor defesa ficou somente duas vezes fora da Libertadores, enquanto o melhor ataque ficou três vezes fora e uma (Grêmio-2010) obrigada a disputar os play-offs preliminares da principal competição do continente.

* Os aproveitamentos dos times de melhor defesa são sistematicamente mais expressivos do que os dos campeões de ataque. Por conseguinte, a melhor defesa é sistematicamente mais eficiente do que o melhor ataque. Isso é fácil de perceber se observarmos na primeira tabela que, com exceção do Flamengo-2009, todos os campeões tiveram aproveitamento superior a 62% dos pontos disputados. Pois bem, nos campeonatos disputados desde 2006, a melhor defesa atingiu esse aproveitamento em sete oportunidades contra apenas cinco do melhor ataque.

Para concluir, uma última análise, baseada em estudo realizado no ótimo livro “Os Números do Jogo” (de Chris Anderson e David Sally). Eis o que revela um raio X das campanhas de Corinthians (campeão com grande diferença de pontos para o segundo colocado) e Joinville (lanterna do campeonato com grande distância para o penúltimo colocado):

Tabela3

O que se vê nessas duas tabelas é que tanto, para o melhor quanto para o pior time do campeonato, valem as percepções óbvias de que “quanto mais gols marcados, melhor o aproveitamento” e “quanto menos gols marcados, melhor o aproveitamento”. Mais notável que isso, porém, é perceber que:

* Tanto para o campeão quanto para o último colocado, o aproveitamento obtido por uma defesa com 0 ou 1 gol sofrido só é alcançado por um ataque com 2 ou mais gols marcados. Ou seja, para ter aproveitamento melhor que um time com boa defesa (sofrendo entre 0 e 1 gols sofridos por jogo), só tendo um ataque acima dos padrões atuais (marcando 2 ou mais gols). Ressalte-se, ainda, que 37 jogos são uma amostra pequena. Com amostras maiores, frequentemente o aproveitamento com 2 gols marcados é inferior ao aproveitamento com 0 gols sofridos, ou seja, para alcançar o aproveitamento de uma defesa com 0 a 1 gols sofridos jogo, pode ser necessário atingir os 3 gols marcados por jogo!

* A diferença mais acentuada entre os dois perfis de aproveitamento está nos números referentes a 1 gol marcado: o aproveitamento corintiano nesse caso foi de 57,58% contra 20,83% do Joinville. A explicação para isso é clara: dos 11 jogos em que o Corinthians marcou apenas 1 gol, cinco (50,5%) foram vitórias por 1×0, enquanto dos 8 jogos em que o Joinville marcou somente 1 gol, apenas um (12,5%) terminou com os catarinenses vitoriosos!

Tudo isso mostra que, sim, o Corinthians foi muito superior aos seus adversários. Mas, inequivocamente, o fator preponderante nessa superioridade (e também nos desfechos dos campeonatos dos anos passados) foi a sua força defensiva. É óbvio que marcar gols é bom e importante mas a defesa, o não sofrer gols, é que tem sido cada vez mais determinante. alx_tite-corinthians_original

Sou de uma geração marcada pela derrota do Sarriá e pela aula dada por Enzo Bearzot, Paolo Rossi & cia.: de nada adianta marcar dois gols e sofrer três! Uma lição dada 33 anos atrás e corroborada pelos números dos últimos dez anos do Campeonato Brasileiro mas, infelizmente, aprendida por muito poucas pessoas. Uma delas é o técnico Tite, que, sempre sofrendo pouquíssimos gols, ganhou todos os títulos possíveis em 2011/2012 e montou o melhor time do país em 2015.

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Ainda sobre o calendário do futebol brasileiro…

No último artigo, abordei o calendário brasileiro atual, argumentei a respeito de alguns aspectos usualmente tratados como dogmas e apresentei uma sugestão que, modéstia à parte, considero melhor do que todas as outras que tenho visto em jornais, programas de TV, sites e afins.

Agora é a vez de tratar de outro ingrediente tão importante para o calendário nacional quanto as competições disputadas em solo brasileiro: as copas continentais de clubes. A forma como atualmente essas copas são estruturadas contribui fortemente para o congestionamento do calendário e para outros fatores já abordados na coluna anterior.

Dando nomes aos bois, alguns pontos nevrálgicos que só contribuem para a desvalorização da estrutura atual são:

1 – Com 38 clubes que disputam a Taça Libertadores e 47 que participam da Copa Sul-Americana (e descontando os que entram nas duas competições), são ao todo cerca de OITENTA clubes que entram em campo nessas competições. É um gigantismo que traduz claramente uma tentativa, por parte da Conmebol, de tentar imitar a dobradinha Liga dos Campeões-Liga Europa. Nessa tentativa de parecer “gente grande”, porém, a Conmebol se esquece de que a UEFA agrega mais de 50 nações, com pelo menos oito ou dez possuindo clubes de nível técnico suficientemente bom, enquanto aqui somos apenas 10 países (ou 11 se contarmos a bizarra participação de clubes mexicanos na Libertadores), cuja grande maioria conta com clubes de baixíssima expressão e nível técnico! Se na Libertadores já tem sido difícil aparecer times bolivianos, venezuelanos, equatorianos etc. que sejam mais do que meros figurantes, imaginem então o nível dos clubes que esses países classificam para a Copa Sul-Americana!

2 – Com as copas confinadas em um único semestre cada e a possibilidade de alguns times disputarem as duas competições, o modelo atual ocupa um total de 16 datas para a Libertadores e 12 para a Copa Sul-Americana, totalizando 28 datas por ano! Naturalmente, uma diminuição nesse total de datas consumidas pelas copas continentais ajudaria sensivelmente no desafogo dos calendários internos de cada país.

A propósito, lembro que é uma hipótese possível (e em 2015 há grandes chances de acontecer com o River Plate) que o mesmo clube seja campeão da Libertadores e chegue à final da Copa Sul-Americana. Essa hipótese, na estrutura atual, provoca uma superposição das datas do Mundial de Clubes com os jogos finais da Copa Sul-Americana. Essa superposição por sua vez, acaba levando a improvisos de última hora, que todos sabemos serem sempre indesejáveis.

3 – Para os times que, em seus campeonatos nacionais, estiverem longe da disputa pelo título e pela vaga na Libertadores, a disputa pelas posições menos nobres tem hoje um horizonte muito distante (e consequentemente pouco motivador), pois o “prêmio” para essas posições é a participação numa Copa Sul-Americana que começará somente em julho/agosto do ano seguinte e que, se (e somente se) resultar em título, conduzirá à Libertadores de dali a dois anos. Por outro lado, uma estrutura que permita aos times que brigam por posições intermediárias um horizonte mais “palpável” seria automaticamente muito mais atraente.

4 – Por conta das copas de seleções disputadas no meio do ano (Copa do Mundo, Copa América e Copa das Confederações), a Libertadores frequentemente tem longas paradas em pleno mata-mata! Numa etapa em que os clubes deveriam estar plenamente montados e entrosados e inteiramente focados na reta final da principal competição do continente, a estrutura em vigor os obriga a ficar até dois meses sem jogar, inevitavelmente “perdendo o embalo” e até correndo o risco de sofrer desfalques importantes (jogadores vendidos para a Europa) em plena “boca do funil”!

Assim, venho propor uma estrutura que, encolhendo a Libertadores e fortalecendo a Copa Sul-Americana, resolveria todos esses problemas que atravancam o calendário continental e enfraquecem as copas de clubes. Essa estrutura ideal é a seguinte:

NO PRIMEIRO SEMESTRE DE CADA ANO:

a) Pela Taça Libertadores da América:

– 28 clubes disputariam a Primeira Fase (o campeão da Libertadores do ano anterior, o campeão da Sul-Americana do ano anterior e 26 classificados através dos campeonatos nacionais);

– Nessa fase, os clubes seriam divididos em 7 grupos de 4, com jogos em ida e volta dentro de cada grupo (6 datas), classificando-se:

* o campeão e o vice-campeão de cada grupo para as oitavas de finais da Libertadores;

* os cinco melhores terceiros colocados, para as quartas de finais da Sul-Americana;

* os dois piores terceiros colocados, para a quinta fase da Copa Sul-Americana.

b) Pela Copa Sul-Americana:

– 32 clubes disputariam a etapa inicial da competição (todos classificados pelos campeonatos nacionais);

– Os clubes se enfrentariam em quatro fases de confrontos eliminatórios (todos em ida e volta), até restarem somente dois times (8 datas);

– Após o final desses confrontos, se classificariam:

* os dois vencedores da quarta fase, para as oitavas de finais da Libertadores;

* os dois perdedores da quarta fase, para as quartas de finais da Sul-Americana.

NO SEGUNDO SEMESTRE DE CADA ANO:

a) Pela Taça Libertadores:

– Os sete campeões e os sete vice-campeões dos grupos da Primeira Fase, mais os dois vencedores da quarta fase da Copa Sul-Americana (totalizando 16 clubes) disputam oitavas, quartas, semifinais e final (8 datas).

b) Pela Copa Sul-Americana:

– Os dois piores terceiros colocados da Primeira Fase da Taça Libertadores se enfrentam, em ida e volta, pela quinta fase da competição (2 datas);

– Os cinco melhores terceiros colocados da Primeira Fase da Libertadores mais o vencedor da quinta fase e os dois perdedores da quarta fase da Sul-Americana (totalizando 8 clubes) disputam quartas, semifinais e final (6 datas).

Trata-se de uma solução plenamente simples e factível que:

1 – Utiliza somente 16 datas no ano (8 no primeiro semestre e 8 no segundo), o que é muito mais fácil de conciliar com os calendários domésticos de cada país e com o calendário internacional de seleções do que as 28 datas exigidas pela atual estrutura.

2 – Valoriza a Libertadores por deixá-la mais enxuta (e por conseguinte tecnicamente mais forte) e a Sul-Americana, tanto por deixá-la também mais enxuta mais forte, quanto por permitir o acesso à Libertadores NO MESMO ANO (ou seja, o time que terminar em 8º lugar no campeonato nacional terá uma possibilidade mais concreta de chegar à Libertadores do que no formato atual)!

3 – Por utilizar menos datas no segundo semestre, permite que as duas copas terminem em outubro ou início de novembro e não gerem riscos de encavalamento com o Mundial de Clubes.

4 – Com o intervalo entre os semestres acontecendo entre o fim de uma etapa (fase de grupos da Libertadores e “primeiro tempo” da Sul-Americana) e o começo de outra etapa (mata-mata da Libertadores e “segundo tempo” da Sul-Americana), os clubes poderão se planejar para o segundo semestre de uma forma muito melhor e mais racional do que com essa parada acontecendo, por exemplo, entre as quartas e as semifinais, já na “boca do funil”.

5 – Com a Libertadores terminando em outubro ou novembro, o time que for campeão poderá aproveitar o mesmo “embalo” e os mesmos elenco, escalação, desenho tático etc. na disputa do Mundial de Clubes (diferentemente do modelo atual em que o campeão da Libertadores tem que enfrentar vários meses de “esfriamento”, de desfalques e remontagens até chegar o mês de dezembro).

Em suma, é um modelo que ao menos virtualmente parece solucionar todos os problemas da estrutura atual e pode ser tranquilamente conciliado tanto com os calendários nacionais atualmente existentes quanto com o calendário brasileiro que propus na coluna anterior. E para esse modelo poder ser colocado em prática, basta Conmebol e federações nacionais quererem.

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Pelo fim da ladainha do calendário do futebol brasileiro – Análise e propostas

Nas últimas semanas, com a divulgação do Calendário 2016 da CBF e a fundação da Liga Sul-Minas-Rio, voltou à tona pela enésima vez o debate em torno da estruturação das competições de futebol do nosso país.

Grande parte da imprensa tem eleito como porta-voz de suas aspirações um movimento formado por jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas com o intuito de “revolucionar” o calendário do futebol brasileiro. Infelizmente, por “revolucionar” essas pessoas entendem acentuar a europeização e a modorrização do nosso esporte predileto.

Já que esse movimento, curiosamente alcunhado Bom Senso F.C., está disposto a agir em prol de uma causa, não seria este o momento de fazer jus a esse apelido e pensar com clareza e bom senso em vez de insistir cegamente em imitar a Europa e repetir refrões “da moda” (como a “inversão de calendário”)? Não seria este o momento ideal para se tentar pensar sem pré-conceitos, sem se prender a premissas dogmáticas e procurando observar e respeitar as particularidades do Brasil e do futebol brasileiro?

Basta parar para observar, exemplo, que 1998 e 2002 também foram anos de Copa do Mundo (assim como 2014), 1997 e 1999 foram anos de Copa América (assim como em 2015) e mesmo assim os campeonatos puderam caber no calendário sem maiores dificuldades. Basta parar para pensar, por exemplo, que o propalado “modelo argentino do calendário europeu” (tão defendido por muitas cabeças importantes da imprensa brasileira) já estava implantado no Brasil até 2002 (sim: se trocarmos os nomes “Apertura” por “Brasileiro” e “Clausura” por “estadual” veremos que, naquela época, os calendários brasileiro e argentino eram idênticos!) e foi o parto desse elefante branco chamado Campeonato Brasileiro por pontos corridos o único responsável pela “dessincronização” dos calendários.

Sem falar de outro ingrediente, periférico à questão do calendário, mas nem por isso menos importante: em 13 de setembro de 2015 (TRÊS MESES antes do final do campeonato), todos já sabiam quem será o Campeão Brasileiro da temporada e somente os desfechos secundários da competição restam em aberto. Em radical contraste, em 13 de setembro de 2002, 2001, 2000, 1999, 1998 etc. TODOS OS CLUBES PARTICIPANTES do Campeonato Brasileiro ainda estavam concretamente envolvidos na briga pelo título.

Indo direto ao ponto, se existe um “vilão” nessa história, este está escancarado e só não o percebe quem não quer abrir os olhos e se desaferrar de seus dogmas:

1 – Até 2002, o Campeonato Brasileiro não durava mais do que 29 datas (sendo perfeitamente possível conceber um formato semelhante com menos de 25 datas), enquanto atualmente é preciso caber no calendário um dinossauro de 38 rodadas.

2 – Até 2002, o Campeonato Brasileiro tinha vinte e poucas rodadas e quatro meses de duração, encerrando-se antes de ficar cansativo. Hoje, com intermináveis 38 rodadas distribuídas em longos 7 meses, o campeonato fica desinteressante muito antes de terminar.

A propósito, para quem acha que é necessário que o Campeonato Brasileiro seja longo, lembro que, à parte as discussões sobre Sport, Módulo Amarelo etc., o Campeonato Brasileiro mais bem sucedido e com a maior média de público de todos os tempos foi a Copa União de 1987, que durou apenas três meses e 19 rodadas!

Se outro exemplo for necessário, pergunto: quem é mais importante, atraente, lucrativo etc., a Copa do Mundo ou as Eliminatórias? E qual desses campeonatos dura um mês e qual dura três anos?

Campeonato Brasileiro tem que ser o filé mignon, que se espera ansiosamente para comer, e não o arroz com feijão de todo dia.

3 – Até 2002, TODOS OS CLUBES PARTICIPANTES do Campeonato Brasileiro chegavam às últimas rodadas com objetivos (muitos com chances concretas de titulo) e o campeão só era conhecido no último jogo. Hoje em dia, por outro lado, dois meses antes do final já tem muito time sem nada pra fazer no campeonato e só esperando o ano acabar.

4 – Até 2002, a janela de contratações europeias e as copas de seleções não atropelavam nenhum campeonato em andamento. Quando o Campeonato Brasileiro começava, quem tinha que sair já tinha saído, quem tinha que chegar já tinha chegado, quem estava na Seleção já tinha voltado e os clubes entravam na primeira rodada do campeonato com seus elencos definitivos!

Já de 2003 para cá, não só a janela europeia, como as Copas das Confederações de 2003, 2005 e 2009, as Olimpíadas de 2008 e 2012 (em 2004 o Brasil não disputou o futebol masculino) e as Copas América de 2004, 2007, 2011 e 2015 aconteceram em paralelo ao Campeonato Brasileiro e desfalcaram seriamente os clubes que o disputavam.

Em tempo, para quem acredita dogmaticamente que com a “inversão do calendário” esse atropelo desapareceria, entendo que isso é falácia para boi dormir. Em janeiro existe a segunda janela europeia e é disputado o Sul-Americano sub-20, que também tem valor de Pré-Olímpico e frequentemente desfalca os elencos principais dos seus clubes (lembrem-se de que Neymar, Lucas, Oscar e outros craques estavam na Seleção Brasileira campeã sul-americana sub-20 em 2011 e consequentemente desfalcariam por um mês os seus times se o Campeonato Brasileiro estivesse em curso). Logo, um Campeonato Brasileiro disputado de agosto/setembro a maio seria igualmente prejudicado por eventos paralelos que obrigariam seus participantes a serem desfalcados e reconstruídos durante sua disputa.

Isso tudo sem falar no Mundial de Clubes, disputado em dezembro e que obrigaria o clube que fosse disputá-lo a se ausentar do Campeonato Brasileiro e adiar seus jogos desse período, provocando um inevitável congestionamento de datas quando esses jogos fossem realizados.

5 – Até 2002, as finais da Copa do Brasil e da Libertadores coincidiam com as finais dos estaduais e isso permitia que os times disputassem o Campeonato Brasileiro focando-se unicamente nessa competição, sem necessidade de dividir atenções nem de poupar jogadores para os jogos decisivos daquelas competições.

De 2003 para cá, porém, são inúmeros os casos de clubes que perdem pontos importantes no Campeonato Brasileiro por poupar seus principais jogadores para as copas paralelas e depois acabam condenados a passar o segundo semestre inteiro cumprindo tabela nas posições intermediárias do campeonato por não conseguirem recuperar aqueles pontos perdidos.

6 – Até 2002, um time que tivesse pontos perdidos por erros de arbitragens, por negociar jogadores importantes para o exterior em meio à disputa, por desfalques provocados por convocações da Seleção Brasileira ou por poupar titulares para jogos de competições paralelas, poderia ter esse prejuízo zerado desde que terminasse a fase inicial do campeonato entre os 8 primeiros colocados.

De 2003 para cá, por outro lado, esses pontos perdidos são irreversíveis e graças a eles muitos times chegam, dois meses antes do final do campeonato, sem nada para almejar e relegados a cumprir tabela e esperar o ano acabar.

Em suma: estadual com 17 datas (10 para a fase classificatória e 7 para as finais), Brasileiro com 22 datas (17 para a fase classificatória e 5 para as finais), com Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana, janela européia, Seleção Brasileira etc. tranquilamente encaixados nos meios de semana e nos recessos de junho/agosto e dezembro/janeiro. Campeonatos estaduais e Brasileiro curtos e eletrizantemente disputados até o fim.

Não é uma solução muito mais humanamente factível do que inventar contorcionismos para manter o bode dentro da sala?

Por fim, para não dizerem que apenas critico, venho humildemente apresentar uma sugestão de calendário que, modéstia à parte, entendo que resolveria os problemas atualmente enfrentados pelo futebol brasileiro:

(CLIQUE PARA VER A FOTO AMPLIADA)

Calendario

Quem se dispuser a analisar essa proposta com imparcialidade e bom senso poderá ver que este calendário:

– Permite a coexistência de campeonatos estaduais e nacionais sem acúmulo de datas;

– Garante atividade contínua para TODOS os clubes do país e não somente para 40 afortunados;

– Garante aos clubes e atletas dois recessos por ano, com tempo de sobra para férias, treinos e pré-temporadas;

– Preserva os campeonatos de clubes de coincidências com copas de seleções, janelas de transferências e outros eventos que possam desfalcar os participantes em meio à disputa;

– Garante a TODOS os clubes do país disputas eletrizantes de campeonatos cujo desfecho só é conhecido nas últimas rodadas (evitando-se, portanto, o risco de já se saber quem é o campeão dois meses e meio antes do final do campeonato).

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Veja quais seleções estarão na Copa do Mundo de 2018 segundo a estatística

Embora estejam em andamento desde 12 de março (quando foram realizados os seis jogos de ida da primeira fase preliminar da Ásia), as Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia-2018 só começaram a chamar a atenção do público agora em outubro, com o início do grupo sul-americano.

O site Chance de Gol já está com as probabilidades de classificação para as seleções da América do Sul e, à medida que os outros continentes forem atingindo fases mais agudas, suas análises estatísticas também serão acrescentadas ao leque do site. Porém, para que o leitor mais interessado possa saber como funcionam as Eliminatórias e em que situação está cada continente, o Chance de Gol apresenta a seguir um completo Raio-X da corrida pelas 31 vagas da Copa de 2018:

  • Oceania: A seleção da Samoa venceu um quadrangular preliminar e disputará a Primeira Fase, onde oito seleções serão divididas em dois grupos de quatro. As três primeiras colocadas de cada grupo avançam para a Segunda Fase, quando serão divididas em novos dois grupos. Os campeões de cada grupo disputam a Final, cujo vencedor enfrentará o quinto colocado da América do Sul na repescagem continental.

Grupos da Primeira Fase:

      Grupo A – Nova Caledônia, Papua Nova Guiné, Samoa e Taiti

      Grupo B – Fiji, Ilhas Salomão, Nova Zelândia e Vanuatu

Favorito: Nova Zelândia

  • Ásia: Após uma fase preliminar que eliminou seis seleções, quarenta países estão disputando a Primeira Fase, divididas em oito grupos de cinco. As oito campeãs de grupo mais as quatro melhores segundas colocadas se classificam para a Segunda Fase, onde serão divididas em dois grupos de seis. Ao final dessa fase, os dois primeiros colocados de cada grupo se classificam para a Copa do Mundo, enquanto os dois terceiros colocados se enfrentam num mata-mata cujo vencedor encontrará o quarto colocado da CONCACAF na repescagem continental.

Grupos da Primeira Fase (entre parênteses a pontuação atual das equipes, após quatro rodadas realizadas):

      Grupo A – Arábia Saudita (12), Emirados Árabes (7), Palestina (5), Timor Leste (2) e Malásia (1)

      Grupo B – Jordânia (10), Austrália (9), Quirguízia (5), Tadjiquistão (2) e Bangladesh (1)

      Grupo C – Catar (12), Hong Kong (7), China (7), Maldivas (3) e Butão (0)

      Grupo D – Irã (8), Omã (8), Guam (7), Turcomênia (4) e Índia (0)

      Grupo E – Japão (10), Síria (9), Cingapura (7), Afeganistão (3) e Camboja (0)

      Grupo F – Tailândia (7), Iraque (5), Vietnã (4) e Taiwan (0); a Indonésia era o quinto integrante do grupo mas foi suspensa pela FIFA e seus jogos foram anulados.

      Grupo G – Coréia do Sul (12), Kuwait (9), Líbano (6), Laos (1) e Mianma (1)

      Grupo H – Coréia do Norte (10), Uzbequistão (9), Filipinas (7), Bahrein (3) e Iêmen (0)

Favoritos: Japão, Coréia do Sul, Irã e Austrália para a classificação direta; Uzbequistão para a repescagem.

  • África: 53 seleções estão disputando duas fases de mata-matas, de onde sobreviverão vinte classificadas. Esses vinte países serão divididos em cinco grupos de quatro e o campeão de cada grupo estará classificado para a Copa do Mundo. O Zimbábue está suspenso pela FIFA e não disputará as Eliminatórias.

Grupos da Primeira Fase: ainda serão sorteados, após o final dos mata-matas

Favoritos: Gana, Egito, Argélia, Costa do Marfim e Cabo Verde

  • CONCACAF (Américas Central e do Norte e Caribe): Os 29 países de pior ranking do continente disputam três mata-matas preliminares, de onde sobreviverão seis classificados. Esses seis classificados se juntaram às seleções mais bem ranqueadas do continente e estão divididos em três grupos de quatro países cada. Os dois primeiros colocados de cada grupo disputarão um hexagonal final cujos três melhores se classificam diretamente para a Copa do Mundo e cujo quarto colocado se credencia à repescagem intercontinental contra o quinto colocado da Ásia.

Grupos da Primeira Fase:

      Grupo A – Canadá, El Salvador, Honduras e México

      Grupo B – Costa Rica, Haiti, Jamaica e Panamá

      Grupo C – EUA, Guatemala, São Vicente e Granadinas e Trinidad-Tobago

Favoritos: México, EUA e Costa Rica para a classificação direta; Panamá para a repescagem.

  • Europa: As 52 seleções estão divididas em nove grupos (sete grupos de seis e dois de cinco países cada) cujos campeões se classificam diretamente para a Copa do Mundo. Dos nove vice-campeões de grupo, o pior estará eliminado e os outros oito disputarão quatro repescagens continentais.

Grupos:

      Grupo A – Bielo-Rússia, Bulgária, França, Holanda, Luxemburgo e Suécia

      Grupo B – Andorra, Hungria, Ilhas Färoe, Letônia, Portugal e Suíça

      Grupo C – Alemanha, Azerbaijão, Irlanda do Norte, Noruega, República Tcheca e San Marino

      Grupo D – Áustria, Geórgia, Irlanda, Moldávia, País de Gales e Sérvia

      Grupo E – Armênia, Cazaquistão, Dinamarca, Montenegro, Polônia e Romênia

      Grupo F – Escócia, Eslováquia, Eslovênia, Inglaterra, Lituânia e Malta

      Grupo G – Albânia, Espanha, Israel, Itália, Liechtenstein e Macedônia

      Grupo H – Bélgica, Bósnia-Herzegovina, Chipre, Estônia e Grécia

      Grupo I – Croácia, Finlândia, Islândia, Turquia e Ucrânia

Favoritos: França, Portugal, Alemanha, Áustria, Polônia, Inglaterra, Espanha, Bélgica e Ucrânia como campeãs de grupo; Holanda, Sérvia, Croácia e Suíça por meio das repescagens.

  • América do Sul: As 10 seleções se enfrentam todas contra todas num grupo único. As quatro primeiras colocadas se classificam diretamente para a Copa do Mundo, enquanto a quinta colocada disputará a repescagem intercontinental contra a campeã do grupo da Oceania. A situação atual desse grupo, após a realização da primeira rodada, é a seguinte:

Pos

Time Pts J V E D GP GC SG Probab. de
classificação
direta
Probab. De
disputar
repescagem
1 Chile 3 1 1 0 0 2 0 2 70.0 %

16.8 %

2 Colômbia 3 1 1 0 0 2 0 2 82.7 %

10.8 %

3 Equador 3 1 1 0 0 2 0 2 51.1 %

23.6 %

4 Uruguai 3 1 1 0 0 2 0 2 28.7 %

21.8 %

5 Paraguai 3 1 1 0 0 1 0 1 0.7 %

1.6 %

6 Venezuela 0 1 0 0 1 0 1 -1 quase 0 %

0.03 %

7 Argentina 0 1 0 0 1 0 2 -2 76.7 %

14.2 %

8 Bolívia 0 1 0 0 1 0 2 -2 quase 0 %

0.00 %

9 Brasil 0 1 0 0 1 0 2 -2 88.5 %

7.2 %

10 Peru 0 1 0 0 1 0 2 -2 1.6 %

4.0 %

 

Os favoritos são, portanto: Brasil, Colômbia, Argentina e Chile para a classificação direta e o Equador para a repescagem.

De acordo com os favoritismos do Chance de Gol, as repescagens intercontinentais mais prováveis são Equador x Nova Zelândia e Panamá x Uzbequistão, sendo os dois representantes do continente americano os dois favoritos à classificação.

É sempre importante lembrar, porém, que esses favoritismos são apenas a expressão da situação atual (12/10/2015) das seleções. Até o encerramento das Eliminatórias, em novembro de 2017, muita água ainda vai rolar e as probabilidades e favoritismos serão sempre atualizados a cada rodada dos grupos classificatórios.

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Libertadores 2016: Estatístico projeta as chances de cada time considerando todas as “vias” possíveis

Com a proximidade do fim do ano e do encerramento da temporada de futebol, começam as especulações sobre quem serão os representantes brasileiros na Copa Libertadores da América do ano seguinte. Um complicador nessa análise é o fato de existirem três vias possíveis de acesso ao torneio continental (o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana) e dois “destinos” possíveis a que essas vias levam (a Primeira Fase, usual e erroneamente chamada de “Pré-Libertadores” e a Segunda Fase, popularmente identificada como “fase de grupos”).

Muitas dúvidas têm surgido com relação às diversas hipóteses de classificação (perguntas como, por exemplo, “o que acontece se o campeão da Copa do Brasil terminar no G-4 do Brasileirão?”) e muitos entendimentos equivocados têm surgido a esse respeito. Trata-se, porém, de um critério de fácil explicação, baseado em quatro passos, conforme demonstrado a seguir.

PASSO 1 – O Brasil tem direito a cinco vagas na Taça Libertadores (há quem raciocine com uma sexta vaga, mas essa só existe quando o detentor do título é brasileiro), assim identificadas:

BRASIL 1 – Campeão Brasileiro

BRASIL 2 – Campeão da Copa do Brasil

BRASIL 3 – Vice-campeão Brasileiro

BRASIL 4 – 3º colocado do Campeonato Brasileiro

BRASIL 5 – 4º colocado do Campeonato Brasileiro

PASSO 2 (se o campeão da Copa do Brasil estiver entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro) – se o campeão da Copa do Brasil também for o Campeão Brasileiro, este conserva a posição Brasil 1, os três colocados seguintes no Campeonato Brasileiro “sobem uma posição na fila” e o quinto colocado do Brasileirão conquista a quinta vaga:

BRASIL 1 – Campeão Brasileiro = Campeão da Copa do Brasil

BRASIL 2 – Vice-campeão Brasileiro

BRASIL 3 – 3º colocado do Campeonato Brasileiro

BRASIL 4 – 4º colocado do Campeonato Brasileiro

BRASIL 5 – 5º colocado do Campeonato Brasileiro

Por outro lado, se o campeão da Copa do Brasil for o segundo, terceiro ou quarto colocado do Campeonato Brasileiro, este mantém a posição Brasil 2, os times colocados atrás dele “sobem uma posição na fila” e o quinto colocado do Brasileirão assume a posição Brasil 5:

Tabela1

PASSO 3 (e o campeão da Sul-Americana?) – em qualquer das hipóteses acima, se o campeão da Copa Sul-Americana for um time brasileiro, este “rouba” a posição Brasil 5. A exceção acontece se o campeão da Copa Sul-Americana já estiver entre os cinco times classificados nos dois passos anteriores (ou seja, via Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil).

PASSO 4 (quem entra em qual fase?) – essa é a parte mais fácil: em qualquer hipótese, os times Brasil 1 a Brasil 4 se classificam diretamente à Segunda Fase (fase de grupos), enquanto o Brasil 5 disputará a Primeira Fase da Taça Libertadores de 2016.

O site Chance de Gol ajuda a administrar as diversas hipóteses, através do quadro de “Probabilidades Absolutas de Classificação para a Libertadores“. As probabilidades atuais, calculadas após o encerramento das quartas de final da Copa do Brasil e das oitavas de final da Sul-Americana, são:

Tabela2

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Para estatístico, Corinthians e Santos são os favoritos no Brasileirão e na Copa do Brasil, respectivamente

A ideia básica por trás do método de cálculo está na consideração dos resultados dos jogos (e mais destacadamente das diferenças de gols observadas em cada jogo) como indicadores das forças de cada time.

Assim, se num determinado jogo o Time A vence o Time B por 5×2, a principal informação que esse resultado fornece é que o Time A é “3 gols melhor” que o Time B. Ou, numa representação algébrica, a equação xA – xB = 3.

Seguindo por esse raciocínio, a cada jogo corresponde uma equação desse tipo. Por exemplo, os jogos da última rodada da Série A do Campeonato Brasileiro levam às equações:

Palmeiras 3×2 Grêmio => xPal – xGrê = 1 ,
Ponte Preta 3×1 Fluminense => xPP – xFlu = 2 ,
Internacional 1×1 Figueirense => xInt – xFig = 0

e assim por diante.

O banco de dados do site Chance de Gol* para competições nacionais abrange todos os jogos realizados nos últimos 12 meses pelas quatro divisões do Campeonato Brasileiro, pelas Copas do Brasil, do Nordeste e Verde e pela grande maioria dos campeonatos estaduais.

Trata-se de aproximadamente 2900 jogos envolvendo mais de 200 times, o que significa um sistema de cerca de 2900 equações com mais de 200 incógnitas. A solução desse sistema envolve técnicas complexas que, entre outras particularidades, também contabilizam o “efeito mando de campo” (ou seja, se o jogo foi disputado em campo neutro ou na casa de um dos times) e dão peso maior a jogos mais recentes, de modo que a informação fornecida por um jogo que aconteceu meses atrás não mascare aquilo que o jogo disputado ontem nos informa.

A solução desse sistema de equações é um conjunto de valores que podem ser entendidos como as “forças” de cada equipe e são divulgadas mensalmente com o nome “Ranking Chance de Gol”.

De posse das “forças” de duas equipes e de outros coeficientes, de definição mais complexa, é possível calcular quantos gols, em média, cada um desses times marcará num confronto futuro. A partir dessa média, utiliza-se a fórmula da distribuição de probabilidades de Poisson e se obtêm as probabilidades para cada resultado possível (0x0, 1×0, 0x1, 1×1, 2×0, 2×1 etc.) e, a partir dessas probabilidades, somando-se os valores correspondentes a cada caso, chega-se às chances de esse jogo terminar com vitória de um time, empate, ou vitória do outro time.

Por fim, a partir dessas tabelas de probabilidades para cada resultado e para cada jogo, são simuladas milhares de realizações dos jogos ainda não realizados no campeonato e contabilizadas quantas vezes (isto é, em quantas dessas simulações) cada time foi campeão, rebaixado, classificado para a fase seguinte etc.

Também a partir dessas simulações, são verificadas quantas vezes uma determinada pontuação garantiu o título, a classificação, a fuga do rebaixamento etc. e consequentemente quantos pontos são necessários para que algum desses objetivos seja alcançado.

Atualmente, há cinco campeonatos sendo cobertos pelo Chance de Gol: as Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. Vejamos as chances de cada time nas Séries A e B do Brasileirão e na Copa do Brasil:

a) Série A:

Conquista do Título

Corinthians – 84,3 %
Atlético MG – 10,8 %
Grêmio – 4,2 %

Classificação para a Libertadores*

Corinthians – 99,9 %
Atlético MG – 95,4 %
Grêmio – 86,6 %
Palmeiras – 62,0 %
Santos – 25,6 %
São Paulo – 17,1 %

Rebaixamento para a Série B

Vasco – 98,8 %
Joinville – 96,9 %
Figueirense – 69,2 %
Avaí – 47,9 %
Chapecoense – 33,0 %
Goiás – 21,8 %
Coritiba – 19,4 %

* A definição dos classificados para a Libertadores depende de quem vierem a ser os campeões da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana e essa análise detalhada será incluída no site nos próximos dias. Os valores que aparecem nesta coluna, porém, são somente a probabilidade de se classificar por meio do “G-4” (o grupo dos quatro primeiros colocados do campeonato).

b) Série B:

Conquista do Título

Botafogo – 78,1 %
Paysandu – 7,6 %
Vitória – 6,2 %

Promoção para a Série A

Botafogo – 98,9 %
Paysandu – 72,6 %
Vitória – 69,1 %
Bahia – 52,2 %
Santa Cruz – 39,1 %
América MG – 32,3 %
Sampaio Corrêa – 27,1 %

Rebaixamento para a Série C

Mogi Mirim – 97,7 %
Boa – 97,1 %
ABC – 96,1 %
Ceará – 53,2 %
Macaé – 20,4 %
Atlético GO – 13,6 %
Oeste – 13,1 %

c) Copa do Brasil:

Conquista do Título

Santos – 23,2 %
São Paulo – 22,6 %
Grêmio – 19,5 %
Palmeiras – 19,5 %

* O site Chance de Gol surgiu em 1999, ainda com o nome “Brasileirão 99”, com o intuito de divulgar como a Estatística pode ser aplicada às mais diversas áreas do conhecimento e de, através da Estatística, ajudar os visitantes a entender a fórmula utilizada naquele ano para o rebaixamento na Série A. Desde então, já se foram 16 anos e 277 campeonatos cobertos, com suas probabilidades de vitória, empate, derrota, classificação, rebaixamento etc. calculadas através de métodos continuamente revisados e aperfeiçoados.

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Fernando PradoFernando Prado

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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