Barcelona x Real e Flamengo x Vasco: o que é e o que poderia ser

Créditos da imagem: Montagem. Originais da Reuters e Site Oficial do Flamengo

Comecei o domingo ansioso para ver duas partidas: o clássico espanhol entre Barcelona e Real Madrid e o chamado Clássico dos Milhões, Flamengo x Vasco.

O primeiro é hoje o maior clássico do futebol mundial, com enorme penetração internacional, astros super identificados com seus clubes, elencos milionários, cosmopolitas e vencedores, enfim, uma apoteose do futebol. E o segundo era, neste pobre futebol brasileiro em época de estaduais (quando a quantidade de jogos que valem a pena acaba sendo mínima), uma rara oportunidade de ver um confronto entre grandes clubes disputando a partida com toda a motivação possível (o fato de nenhuma das duas estar na Libertadores é fundamental), num templo do futebol, com excelente gramado e estádio cheio.

Pois bem, depois de ver o lamentável gramado da irrelevante partida Capivariano x Corinthians, e do deprimente Morumbi às moscas recebendo o São Paulo praticamente reserva, comecei a procurar onde poderia ver o jogo da Espanha pela internet, e encontrei uma porção de opções em sites de vários países. Fiquei surpreso porque conversei com alguns amigos que estavam fazendo a mesma coisa. O Camp Nou tinha quase cem mil pessoas, a torcida do Barcelona fez um fantástico mosaico, e a bola foi tratada com uma qualidade espantosa.

No primeiro tempo, a despeito de todo o favoritismo da equipe da casa, o Real Madrid foi superior e merecia ir para o intervalo em vantagem. Na etapa final a partida estava equilibrada até Luis Suárez (assustadora a vocação que ele tem para gols decisivos!) recolocar os catalães à frente. Depois disso, o Barcelona – e especialmente Neymar – perderam a oportunidade de aumentar o placar.

Pelo lado do Real, destaco a atuação de Benzema. Incrível a classe e a precisão dele na partida! Um dos centroavantes com mais “finesse” que já vi jogar.

Já pelo Barcelona, vejo com bons olhos essa diversificação no modo de jogar. É evidente que aquele time do tiki-taka era uma coisa assombrosa e sem precedentes na história do futebol: fazia de qualquer adversário – mesmo quando vitorioso – um total coadjuvante. Mas não vejo motivos para uma equipe abrir mão de fazer lançamentos, jogo aéreo, contra-ataques, chutes de longa distância, etc. É óbvio que o conjunto atual ainda está em formação, mas me parece com enorme potencial de criatividade e contundência, especialmente por causa do trio de atacantes excepcionais, decisivos e artilheiros.

Já preparado psicologicamente para encarar o desnível técnico entre os clássicos do lado de lá e de cá do Oceano Atlântico, fico assustado com a piscina que tomou conta do gramado do Maracanã. E da mesma maneira, toma conta de mim o pessimismo com o nosso futebol.

Mas vejo o Maraca “lotado” (parece que não importa mais o jogo: mesmo com o maior público do ano, não esgotamos mais a capacidade de nenhum estádio), as torcidas animadas e alternando os momentos de grito mais alto, as duas equipes jogando pra frente e em busca da vitória… e sou contagiado!

A partida teve de tudo! Gol bizarro, gol chorado, comemoração marcante, briga, cartões vermelhos e chance de empate do Vasco aos 47:30 do segundo tempo com o Christiano. Ainda com as limitações técnicas, a disputa foi empolgante! E a bola, apesar de tudo, foi jogada no chão.

Pelo Flamengo, destaco o Marcelo Cirino. Sim, mesmo numa partida em que não foi protagonista, fez uma ótima jogada para o Canteros (logo após o empate do Vasco) e foi responsável pelo gol da vitória ao sofrer o pênalti em jogada individual. Pra mim, deveria ser nome certo nas próximas convocações para a seleção.

Para o Vasco, ficou a atuação digna, mesmo sem praticamente ter podido contar com Dagoberto, que tem tudo para ser o líder técnico da equipe. Mas deve ficar também a consciência de que para o Brasileirão, precisa de mais.

E para nós brasileiros, fica a esperança de vermos o nosso futebol voltar a produzir o mesmo frisson e excelência do clássico espanhol. Clubes, tradição, torcidas, paixão, história, estádios (mesmo com a possível barbeiragem no sistema de drenagem do estádio carioca) e potencial para isso, nós temos. É só começarmos a mudar as cabeças…

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