Brasil x Paraguai e mis recuerdos, nada agradáveis, de Ypacarai

Créditos da imagem: Telex 640

O Brasil de Dunga enfrenta o Paraguai nessa terça-feira pelas Eliminatórias da Copa 2018. Se vai ganhar, perder ou empatar, nem desconfio. O certo é que, como dizia o craque Dino Sani, nos tempos em que revelava péssimo humor – um desses três resultados acontecerá.

Pelo que mostrou no primeiro tempo contra o Uruguai, que venceu por dois gols, tem condições de ganhar em Assunção, mesmo sem Neymar, suspenso. Medalha virada, pelo que (não) mostrou na segunda fase, tem tudo para perder, ainda mais sem Neymar…

Os paraguaios, em campo, estão longe de ser encardidos como os uruguaios, mas costumam dar um calorzinho. E gostam de apimentar as relações fora dele. Ou pelo menos gostavam. Senti na pele em duas oportunidades, estando lá a trabalho.

A primeira foi em 1972, quando acompanhei o São Paulo em dois jogos, seguidos, pela Libertadores – viajando de ônibus com os torcedores para realizar uma reportagem comportamental – qualquer hora conto. O São Paulo perdeu o primeiro para o Cerro por 3 a 2 e venceu o Olímpia por 1 a 0 no segundo.

Trabalho feito, fui aos correios para enviá-lo por telex. Sim, naquele tempo não tinha essa moleza de agora. Picotei o texto na máquina cega – não se confere o que está escrevendo – entreguei a fita para a funcionária e fiquei aguardando a resposta da redação. A fita corria bem, mas parava em certo ponto. Uma, duas, três vezes.

A funcionária indagou se eu havia escrito algo contra o governo e respondi que não. Ela explicou que tudo passava antes por um setor do governo, que  fazia a censura, derrubando a transmissão.

Se não era nada criticando o governo, o que seria? A moça leu a fita no ponto em que era cortada – no palácio – e disse: “está aqui. Você escreveu que o Olímpia é um time fraco, e o funcionário lá deve ser torcedor…”. Tive de cortar a crítica e passar, depois, por telefone.

Em 1977, fui ao mesmo correio. A funcionária – era outra – disse que eu podia ir embora que ela enviaria a fita mais tarde. Insisti em esperar – só depois que dessem o ok da redação aqui. A moça, disse que não enviaria nada, porque tinha ouvido do pai que brasileiros mentiam dizendo que o grande general Solano Lopez vestia camisola quando foi morto na guerra que envolvia o Brasil. Precisei jurar mil vezes que nunca tinha dito tal coisa, que não sabia de nada e que nem a escola tinha frequentado.

Foi um parto, e ainda bem que só tinha escrito sobre o jogo que seria disputado na noite seguinte, pelas eliminatórias para o Mundial da Argentina. Daquele jeito, nem pensar em voltar ali para enviar a reportagem sobre a partida, que foi vencida pelo Brasil com um gol contra de Insfrán, no finzinho, tentando escorar uma bola chutada por Paulo César Caju.

O outro telex que se podia usar era do hotel Guarani, onde todos nos hospedávamos. Seria uma guerra com os concorrentes. Comprei um radinho do camelô para ouvir os últimos dez minutos já voltando para o hotel. Cheguei antes e a funcionária, para quem tinha dado uma bela caixa com bombons, estava enviando laudas e laudas deixadas por João Areosa, do Jornal do Brasil, só para ter a máquina ocupada para ele, quando chegasse do estádio.

Areosa tinha pedido para que enviasse o material assim que o jogo terminasse. Mostrei que o jogo ainda não havia terminado e que, portanto, ela podia deixar que eu usasse o telex. Foi um belo bate-boca quando o Areosa apareceu e me viu escrevendo, mas sem tapas nem beijos… Éramos amigos.

Trabalho enviado, não me sentia bem, resultado de toda tensão vivida, quando pedi uma cervejinha no bar do hotel. Mílton Peruzzi, da rádio e TV Gazeta, velho amigo, reparou. Disse a ele que logo estaria melhor, mas ele insistiu em levar-me a um hospital. O médico diagnosticou, corretamente, – fiquei sabendo depois -, cálculos renais e disse que ia me operar. Era urgente.

Eu já estava desmaiando de dor, quando ouvi Peruzzi dizer ao médico para que apenas acalmasse as dores, porque no dia seguinte eu voltaria para São Paulo. E que se o médico insistisse, daria um tiro nele. Dizia ter um revólver na bolsa, o que não sei se era verdade. O certo é que o médico acreditou e fez o que o Peruzzi mandou – me apagou. Fui acordado às 7 da manhá. Lá estava o Peruzzi com um táxi para me pegar.

22 comentários em: “Brasil x Paraguai e mis recuerdos, nada agradáveis, de Ypacarai

    1. São histórias fantásticas que dariam mais de um livro. Como sempre, um texto agradável de ler e que nos prende até o seu final ansioso pelo desfecho. Já estou no aguardo dessa história: “viajando de ônibus com os torcedores para realizar uma reportagem comportamental”. rsss

      1. O final dessa viagem realmente é surpreendente, Ademir. Os pássarinhos e as cobras devem estar zuretas até hoje…rss

    2. São histórias fantásticas que dariam mais de um livro. Como sempre, um texto agradável de ler e que nos prende até o seu final ansioso pelo desfecho. Já estou no aguardo dessa história: “viajando de ônibus com os torcedores para realizar uma reportagem comportamental”. Temos que criar uma # e jogar na rede. rsss

    1. Hum, acho que não perdemos (mas admito que quase sempre acho isso em se tratando de Seleção Brasileira, hehehe)… Só não entendo a ausência do Lucas Lima no time titular, o considero o segundo melhor jogador do país, atrás apenas do Neymar…

        1. this is21;8n&7#t the color palette you would have chosen, you did such a wonderful job bringing it all together! I love the monogram A as well as the mix of patterns throughout the room. How adorable. My little girl is only 2, but she already knows what she likes as well

  1. Igual, Fernanda. Igual. Pena que a vida seja tão corrida e cada um é forçado a ficar para seu lado. absss

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