Balanço dos grandes no Paulista e Mineiro

Créditos da imagem: Jorge Araújo/Folhapress

Injustiça em Itaquera
As injustiças desta partida começaram antes mesmo dela começar, ao condenar a melhor equipe do interior e a melhor da competição a se enfrentarem.

Em campo, a Ponte surpreendeu a foi dona da partida na primeira etapa, quando marcou um gol absurdamente anulado pela arbitragem. Na ida para o intervalo, a vitória da Macaca não só era merecida, como também justa.

No segundo tempo o Corinthians voltou com outra atitude, disposto a resolver a partida, e conseguiu criar oportunidades rapidamente, até conquistar a vantagem no placar. Mas, após isso, a equipe campineira voltou a controlar mais a partida. Um triste final para a campanha da boa equipe do técnico Guto Ferreira (que já faz por merecer uma oportunidade em um grande clube).

E, falando do alvinegro paulistano, é nítida a queda de desempenho após a partida “apoteótica” contra o Danúbio, que gerou uma série de grandes elogios e expectativas de todos os lados (inclusive meus). Mas, se serve de consolo ao torcedor corintiano, entendo ser difícil manter o nível já exibido em partidas que não são de motivação máxima para a equipe, que foi o caso em todos os jogos desde então.

Só houve uma razão para o Corinthians se animar: o desempenho de Vágner Love, que dá cada vez mais mostras de que poderá ser muito útil ao novo clube.

Surpresa no Morumbi?
Havia praticamente um consenso entre todos que analisavam as quartas-de-final do Paulista: o São Paulo era o que corria mais riscos entre os grandes.

Essa previsão foi chutada para escanteio com um contundente 3 x 0 do Tricolor. Por outro lado, mostrou-se correta: o Red Bull dominou a partida e criou chances reais de gols até o São Paulo se colocar à frente com o gol de falta marcado por Rogério Ceni.

Depois disso, a partida foi fácil para o São Paulo, o que acabou sendo surpreendente pelo bom desempenho do Red Bull contra Corinthians (0 x 0 na Arena Corinthians) e Palmeiras (2 x 0), quando apresentou um futebol muito organizado. Mas, essas partidas tiveram uma coisa em comum que não aconteceu no Morumbi: o Red Bull não ficou em desvantagem no placar, o que sempre facilita para que a equipe se exponha menos e possa executar fielmente seu plano de jogo.

O São Paulo deve ter a consciência de que, em certa medida, o 3 x 0 foi circunstancial e a partida poderia ter tomado ares dramáticos se alguma das chances do adversário tivesse sido concretizada. Mas também fica a expectativa de que que a confiança e o ânimo retornem após a saída de Muricy. E a esperança de que o dinamismo de Wesley (que fracassou no Palmeiras, mas realmente brilhou no Santos como um volante moderno e técnico, tendo iniciado a carreira como atacante) dê uma nova cara ao time.

Enfim um elenco, Palmeiras!
Numa partida em que o Botafogo de Ribeirão entrou exclusivamente para se defender, o Palmeiras soube se impor, e a arbitragem prejudicou claramente a equipe mandante, o destaque fica para as perspectivas do plantel alviverde.

Ver Valdívia entrar no segundo tempo e ter atuação importante, e Cleiton Xavier reestrear pelo clube – que ainda contará com o lateral-esquerdo Egídio – mostra como Oswaldo de Oliveira fatalmente terá boas opções no banco.
Zé Roberto e Egídio na lateral-esquerda, e Gabriel, Arouca, Robinho, Valdívia, Cleiton Xavier e o próprio Zé Roberto no meio, prometem grande competitividade no elenco e alternativas para o técnico.

Por fim, ainda me assusta a diferença de percepção ao ver o Palmeiras jogando agora no Allianz Parque (sempre com bons públicos). É como se o estádio estivesse ajudando a devolver a grandeza do clube.

Mero protocolo na partida mais fácil das quartas do Paulista
O Santos era o maior favorito para avançar às semifinais e confirmou isso ao bater facilmente o XV de Piracicaba na Vila.

Penso que o problema do Santos é a falta de um técnico experiente. Não fosse isso, com algum encaixe o time poderia surpreender no Brasileiro. Seu setor ofensivo é muito poderoso, com um Lucas Lima cada vez melhor, e com Ricardo Oliveira – agora artilheiro do campeonato ao lado de Crislan da Penapolense – comprovando que voltou a ser um dos principais centroavantes do país, além do consagrado Robinho e do talentoso e promissor Geuvânio.

Para o mata-mata do estadual, vejo o Santos com consideráveis chances de conquistar o título, mesmo não tendo um treinador efetivo.

Clássico Mineiro é do que tem de melhor no nosso futebol
Não é surpresa para ninguém que os dois gigantes mineiros têm sido duas das principais equipes do Brasil nos últimos anos. Não bastasse isso e a rivalidade entre eles, também têm feito bons clássicos, geralmente com futebol aberto e ofensivo, bola no chão e busca pela vitória sem espaço pra especular.

O primeiro jogo da semifinal do Campeonato Mineiro não foi diferente. Cada uma a seu estilo (o Atlético tem um futebol mais intenso, vertical e agudo, enquanto o Cruzeiro trabalha mais a bola e aproximação entre os jogadores), ambas tiveram momentos de domínio no clássico disputado no Independência.

Não sei se admiro mais o modo de jogar do Cruzeiro, quase sempre com controle do jogo e excelente troca de passes, ou o espírito ousado e inabalável desse Atlético Mineiro.

O golaço marcado por De Arrascaeta foi um dos mais belos do ano, e é ilustrativo de como o jogador parece estar evoluindo e se ambientando mais ao clube e ao futebol brasileiro.

Atuando com 10 homens em boa parte do tempo, o Galo teve em Luan e sua abnegação na marcação uma mostra do comprometimento de seus jogadores.

Enfim, a cada vez que vejo esses times atuarem, mais me convenço que deverão continuar brigando por todos os títulos neste ano, e que ambos possuem margem pra crescimento: a equipe celeste por estar em formação após a reformulação, e o Atlético por ter tido muitos problemas de contusão no ano.

A partida de volta realmente promete!

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