Caso São Paulo x Getterson: um show de amadorismo

Créditos da imagem: Juca Pacheco / saopaulofc.net

Jogador profissional tem que zelar pela sua imagem. Como qualquer trabalhador, deve ser cuidadoso para não se indispor com o mercado em que pretende atuar. O atacante Getterson aprendeu da forma mais dura essa lição. Por uma brincadeira de mau gosto, quando era mais jovem, passou pelo drama de ser por apenas duas horas jogador de um time de ponta.

Por ter se declarado corintiano e cometer o pecado mortal, para os são-paulinos, de chamar o Tricolor de “bambi”, seu contrato foi rescindido horas depois de assinado. Uma imprudência cometida há quatro anos, nas mídias sociais, que trouxe o preço amargo agora.

É comum vermos craques trocarem de camisas entre rivais, mesmo tendo sido marcantes em clássicos atuando pelo adversário. Romário e Renato Gaúcho passearam pelos times cariocas, sempre mortais em decisões, derrotando futuros ou ex-empregadores. Bebeto brilhou no Flamengo e foi para o Vasco. Edilson foi símbolo do Palmeiras e se tornou herói corintiano. Casagrande está na história corintiana mesmo tendo passado uma temporada no São Paulo. A história está repleta de exemplos de troca de camisas.

Mas não registra grandes casos em que o jogador lançou a ofensa maior contra um time rival e depois passou a defendê-lo. Nessas situações, pesa a influência da torcida, que se move mais pela paixão do que pela razão.

Foi isso que motivou o São Paulo a demitir o recém-contratado Getterson. Não perdoou o erro de um garoto e puniu um adulto. Um jogador que deve ter seu talento, pois foi contratado e apresentado com as devidas atenções. Mas parece que não. Foi descartado como um móvel velho.

Se Gettterson poderia ser demitido tão rapidamente, por que foi contratado? Se era dispensável, valia a pena investir nele?

Foi amadorismo da diretoria tricolor. Com medo da reação da torcida, optou pela saída mais fácil. Irritou o técnico Bauza e não deu uma chance para o jogador se desculpar e mostrar seu valor.

Fica a lição para os que escrevem sem pensar nas mídias sociais. Mas fica a lição maior para um clube de tantas tradições que não teve a grandeza de dar uma segunda chance. E que mostrou que suas contratações são frágeis, e não resistem a um comentário inconsequente e muito antigo de um garoto em mídias sociais.

2 comentários em: “Caso São Paulo x Getterson: um show de amadorismo

  1. Bem colocado, Emerson Figueiredo! Amadorismo de ambas as partes, mas acho justo que o jogador “pague” pelo erro cometido. A falha foi o São Paulo abrir mão da contratação já fechada

    Detesto essa cultura de desprezo pelos rivais e de “fanatismo forçado”. Seja o do jogador quando chama de “bambi”, seja o do clube ao fingir que “não toleraremos desrespeitos ao manto sagrado”.

    Dá um desânimo…

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