CBF, a cafetina dos clubes – E a coragem do São Paulo

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Já bati muitas vezes nessa tecla, acho que a primeira vez foi há mais de 20 anos, quando o presidente do São Paulo era Fernando Casal. E vou bater mais uma vez. Falo do direito – e até obrigação – que os clubes têm de exigir – mais do que cobrar – da CBF reembolso de salários, luvas – todos os encargos trabalhistas dos jogadores convocados por ela, enquanto estiverem a serviço da Seleção Brasileira. Vou além. Devem exigir que a entidade arque com todos os custos, caso o jogador se lesione neste período, até que volte à atividade plena.

Falei sobre essa questão com Fernando Casal, depois de uma reunião de presidentes na antiga sede da Federação Paulista de Futebol, na Avenida Brigadeiro. E ouvi dele que não adiantava, porque Ricardo Teixeira, então cartola maior do futebol brasileiro, dava de ombros.

A última vez que toquei no assunto, foi durante a gravação do “Camarote”, programa do qual participava com Jorge Luiz, no canal PFC, da Globosat. O entrevistado era o presidente do Grêmio Portoalegrense, e a resposta não foi diferente. “Eles dizem que não devem pagar nada, porque o clube já lucra com a valorização do jogador convocado”, ouvi.

Grande balela. Os jogadores hoje são donos de seus direitos federativos, pelo menos em boa porcentagem, exigem salários maiores quando vestem a amarelinha – no que fazem muito bem. Além de uma coisa nada ter a ver com outra. Mais ainda: os jogos rendem somas fabulosas à CBF, sem falar nos patrocínios valiosíssimos de grandes empresas.

O que de fato vem ocorrendo, é que os cartolas dos clubes, por não serem unidos, têm medo de formar uma frente e peitar a CBF. Ao contrário, vivem de chapéu na mão pedindo dinheiro emprestado, quando deviam cobrar o que lhes pertence. A CBF só existe porque existem os clubes, e forma uma seleção porque pega seus jogadores.

Atolado em dívidas até o pescoço, o São Paulo, depois de várias vezes ameaçar, está recorrendo à Justiça para cobrar da CBF cerca de 18 milhões devidos por encargos trabalhistas não reembolsados, desde 1997. Deveria ter cobrado mesmo sem estar no vermelho, mas dá para dizer que “dos males o menor”. Para o bem do futebol, espero que vença a questão e que os outros clubes tenham coragem de seguir o mesmo caminho.

 

Leia meu blog em www.tvredepaulista.com.br/josemariadeaquino

8 comentários em: “CBF, a cafetina dos clubes – E a coragem do São Paulo

  1. Fico extremamente emocionado em ler a Coluna do Mestre José Maria de Aquino, pois tenho 62 anos e o acompanho desde tenra idade (principalmente na Edição de Esportes do Jornal O Estado de São Paulo que era um caderno do Estadão, publicado as segundas-feiras e creio eu, precursor do saudoso Jornal da Tarde). Aquino, sempre equilibrado, gentil, profundo conhecedor do nosso Futebol e de seus Bastidores e fundamentalmente: um gentleman”. SEJA MUITO BEM VINDO.

  2. Concordo plenamente.
    E ainda anoto mais um detalhe dessa situação: os desfalques que as convocações provocam.
    Parabéns pelo texto.

  3. Por onde andavas, grande Zé Maria de Aquino?

    Contratação de peso do site, hein?!

    Parabéns a todos os envolvidos!

    Quanto à CBF, eu só lamento…

    Um abraço

  4. ESSE TAL JOSE MARIA AQUINO É UM EXEMPLO JORNALISTA TEM UMA CREDIBILIDADE UMA ACEITAÇÃO UMA REFERENCIA PARA OUTROS JORNALISTA SÃO MAIS 50 ANOS DEDICADOS JORNALISMO ESPORTIVO UM MESTRE POR ONDE PASSA É UM SUCESSO DE LEVANTAR AUDIENCIA CREDIBILIDADE MUITO BEM INFORMADO MUITO SENSATO EM SUAS COLOCAÇÕES HOMEM MUITO SENSATO PARABENS POR TEREM UM JORNALISTA COMO ESSE TAL JMA ABRAÇO A TODOS

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