Classificação merecida de um Cruzeiro revelador. E hora de reformular o São Paulo

Créditos da imagem: Paulo Fonseca/EFE

Cruzeiro e São Paulo fizeram um jogaço! Ao contrário de partidas que costumam ser elogiadas apenas por serem emocionantes ou por não ter times especulando, o duelo do Mineirão teve esses dois ingredientes e ainda foi bem jogado, com bola no chão, constante movimentação e intensidade. Dado o nosso incorrigível e crescente complexo de inferioridade, pode-se dizer que foi uma “partida de Champions League”.

A equipe celeste se impôs como ainda não tinha dado mostras neste ano de que poderia fazer. Com homens de frente insinuantes e cheios de “ousadia e alegria” como Marquinhos (um inferno para a defesa são paulina!), De Arrascaeta e Gabriel Xavier, intimidou o conjunto paulista e fez por merecer a vitória que levou a decisão para os pênaltis. E o impressionante é que até as cobranças foram emocionantes e cheias de reviravoltas!

Creio que passou quem mais mereceu dentro e fora de campo. Na somatória das duas partidas, em ambas o mandante dominou claramente o visitante, com a diferença que o São Paulo criou oportunidades abusando do jogo aéreo, enquanto o Cruzeiro o fez de maneira bem mais elaborada. E o time mineiro ainda está em formação, pode crescer cada vez mais nas mãos do competentíssimo Marcelo Oliveira, principalmente se considerarmos que as semifinais só serão jogadas a partir de 15 de julho.

Já o São Paulo hoje parece um clube perdido, sem técnico definido, e que passava a impressão de apenas querer seguir sobrevivendo na competição. A se destacar a última partida de Libertadores disputada pelo eterno ídolo Rogério Ceni, que foi fundamental tanto durante o jogo quanto nas decisão por pênaltis (quando converteu o seu e ainda defendeu duas batidas cruzeirenses). Notável o caráter do goleiro artilheiro, que demonstrava toda a tensão no seu rosto durante as cobranças, mas seguia focado a ponto de poder ter papel determinante (o que não conseguiu porque do outro lado estava o excelente Fábio, que também fez duas defesas, e seu companheiro Souza chutou para fora).

Penso ser a oportunidade ideal para o Tricolor Paulista fazer uma necessária reformulação, que inclui a saída de referências do clube, como o já citado capitão Rogério Ceni, e o artilheiro Luis Fabiano. E algo precisa ser feito em relação ao talentoso, porém decepcionante Paulo Henrique Ganso: sua atuação foi abaixo de qualquer crítica.

Agora o Cruzeiro terá uma dura batalha pela frente: encarar o vencedor de Boca x River, que não apenas será de qualquer maneira um gigante mundial, como ainda estará agrandado por ter eliminado o arquirrival. Como curiosidade, o River Plate é freguês de carteirinha do clube mineiro, que costuma (como todos os brasileiros, aliás) sofrer com o Boca Juniors.

Hoje não vejo o Cruzeiro com time para ser campeão da Libertadores. Da mesma maneira que ontem não o via em condições de fazer a partida que fez contra o São Paulo. Mas com a tradição e o técnico que tem, o desempenho da quarta-feira foi revelador de que, com o tempo, pode sim.

7 comentários em: “Classificação merecida de um Cruzeiro revelador. E hora de reformular o São Paulo

  1. Como falei no meu texto, não acho que seja exatamente uma reformulação.

    Fato é que o São Paulo precisa definir alguns pontos primordiais para voltar aos trilhos.

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