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Coluna de estreia – Breve apresentação e crítica ao calendário brasileiro

EstreiaGavini

Depois de mais de um ano sem escrever, decidi aceitar o convite do amigo André Mosca para fazer parte do time de colunistas do No Ângulo. Um projeto bacana, do qual não tive dúvidas de participar. A partir de agora será aqui o meu espaço para falar, opinar, contar histórias, trazer notícias, bastidores e comentar um pouquinho de tudo relacionado ao mundo do esporte.

O momento atual não é dos melhores. A paixão nacional, o futebol, passa por uma grave crise. Ainda se vive a ressaca dos 7 a 1 sofridos diante da Alemanha na Copa do Mundo do ano passado, mas pouca coisa se vê em termos de mudança. A Seleção Brasileira fracassou novamente na Copa América e pouco se vê de reação em nossos dirigentes. Não há dúvida que é preciso mudar. Não só na CBF. A gestão dos principais clubes do país é uma tragédia. Por todos os cantos, a notícia é de crise financeira, dificuldade para atrair patrocinadores e atrasos de salários. O futebol tupiniquim perdeu sua credibilidade. O chamado país do futebol não consegue mais competir com mercados bem menos tradicionais como o chinês, o mexicano e o do Oriente Médio. Antigamente, o Brasil só perdia seus destaques para a Europa. Agora, qualquer país um pouco mais endinheirado leva embora o escasso “pé-de-obra” de qualidade que existe por aqui.

Isso tudo num cenário em que os clubes brasileiros recebem da televisão a maior cota da história. Até quatro anos atrás, Corinthians, Flamengo, São Paulo, Palmeiras e Vasco recebiam R$ 25 milhões, o Santos ganhava R$ 18 milhões, Fluminense, Botafogo, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio e Internacional enchiam seus cofres com R$ 16 milhões. A partir de 2012, os valores tiveram um aumento sem precedentes. Na primeira faixa estão os dois clubes de maior torcida do país, Corinthians e Flamengo, com R$ 110 milhões, o São Paulo fatura R$ 80 milhões, Palmeiras e Vasco recebem R$ 70 milhões, o Santos leva R$ 60 milhões, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo recebem R$ 45 milhões.

É difícil acreditar que com tanto dinheiro circulando, os clubes estejam em dificuldade. É verdade que desde 2013 houve uma retração do mercado publicitário que atingiu diversas áreas, entre elas o futebol. O problema é que não houve uma replanejamento. Os cartolas continuaram a gastar como se nada tivesse mudado. Muito time grande preferiu manter a camisa sem patrocinador master ao invés de reduzir a pedida, se adaptando às dificuldades do mercado. A simples receita de se gastar menos do que se recebe não foi cumprida pela maioria. O futebol brasileiro perdeu competitividade e, principalmente, credibilidade.

As mudanças são urgentes. Não dá mais para aceitar campeonatos estaduais extremamente longos e deficitários. Não é possível que o Brasil continue sendo o único país do mundo cujos campeonatos não param durante as datas FIFA, prejudicando os poucos clubes que têm jogadores convocados para seleções. Quem não se lembra do esforço feito pelo Santos para manter Neymar? Será que valeu a pena? Tenho minhas dúvidas, já que por conta das convocações ele ficava de fora de muitos jogos importantes. E o time, obviamente, era um com ele e outro completamente diferente sem ele. Mesmo problema vai ter o Flamengo que contratou Guerrero como salvador da pátria. O peruano vai perder muitas partidas por conta dos compromissos da seleção de seu país pelas Eliminatórias.

A conta não é difícil de ser feita. O ano tem 52 semanas. Os jogadores tiram quatro delas de férias e outras quatro são necessárias para a pré-temporada. Sobram 44 semanas, ou seja, 88 datas. No calendário de 2016, estão previstas 10 datas Fifa e 8 para a realização da Copa América Centenário. Ou seja, o calendário brasileiro teria que ser planejado para usar 70 datas. Só o Campeonato Brasileiro usa 38, a Libertadores 16, a Copa do Brasil 8 (só contando a partir das oitavas-de-final, quando entram os clubes da Libertadores), sobrando apenas oito para os Estaduais, que usa atualmente 19 datas para definir seus campeões. A matemática pura e simples mostra o que está errado no calendário nacional. Só falta o mínimo de boa vontade para mudar!

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Escrito por:

- possui 9 artigos no No Ângulo.

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.


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8 respostas para “Coluna de estreia – Breve apresentação e crítica ao calendário brasileiro”

  1. Caio Bellandi disse:

    Fera máxima! Bem vindo! E já começou cirúrgico.

    O calendário é nocivo, e não de agora, é há quem queira mais datas para o estadual. Repensar os estaduais (e regionais) é necessário. Não sou contra acabar com esses torneios, berços do futebol brasileiro e dos grandes clubes.

    Mas já passou da hora de soluções serem criadas.

  2. Essa é uma conta tão simples que eu fico em dúvida: não entendem por má fé ou burrice mesmo?

  3. No Ângulo disse:

    A equipe do NO ÂNGULO dá as boas vindas ao gabaritado profissional Fernando Gavini, que certamente em muito colaborará com o nosso projeto, que é feito com tanto carinho e dedicação. Boa sorte, parceiro!

  4. Ricardo disse:

    Calendário inchado e ainda querem criar novas competições… a novidade é a SUL-MINAS??? alguém tá ganhando com isso…

  5. É um grande prazer poder passar da figura de fã para a de parceiro de um projeto. Seja bem-vindo, Fernando Gavini!


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Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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