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Comentários pós-semifinais da Copa do Brasil

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Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Santos x São Paulo

  • Lucas Lima sobra. Não entendo como podemos estar tão insensíveis assim ao que os jogadores mostram em campo, e nos baseamos tanto em “hierarquia” ou “status” dentro da carreira. Ele é um motor organizador da equipe, jogador raro mundialmente e praticamente completo (seu único defeito é praticamente não fazer gols). Só o desconhecimento dos atletas, ou uma visão muito colonizada em relação ao futebol europeu para fazer alguém crer que Willian, Oscar, Philippe Coutinho ou Lucas Moura possam sequer ser comparados ao que deveria ser o maestro da Seleção Brasileira;
  • Gabigol está cada vez melhor e me agrada muito. A evolução que mostra neste ano, aprendendo a jogar pelas pontas e a complementar Ricardo Oliveira (sendo que era centroavante de origem), aliada ao fato de quase sempre se destacar em clássicos e jogos importantes, dão uma perspectiva muito boa para a nova joia santista;
  • Deu dó do São Paulo contra o Santos. Para quem achava que a tal “pilha” colocada por Alan Kardec (uma bela iniciativa do atacante num momento que exigia um fato novo para dar alento aos tricolores) poderia bastar, deve ter ficado claro que o buraco é bem mais embaixo. Além da questão emocional, pesa muito a parte tática e a falta de entendimento do jogo do conjunto são paulino, com muita posse de bola improdutiva, pouca movimentação, ultrapassagens, aproximações, ousadia e instinto matador, coisas que sobram ao alvinegro da Vila Belmiro.

Palmeiras x Fluminense

  • Não apenas pelas duas batalhas em campo, mas a semifinal entre Palmeiras e Fluminense foi daqueles casos que me dá pena pela equipe que perde. Os times deixaram tudo o que tinham, depositavam na Copa do Brasil todas as fichas dos esforços administrativos do ano, e precisavam da conquista/vaga na Libertadores para mudar de patamar. Saiu caro para o Tricolor das Laranjeiras, que no final das contas mostrou um melhor futebol na soma dos dois jogos;
  • Fernando Prass foi sensacional. A defesa que fez no chute de Fred, com apenas uma mão, no final da partida, foi das que mais me impressionou até hoje;
  • Lucas Barrios deve sonhar em enfrentar o tricolor carioca sempre que puder. Quase todos os seus gols pelo Palmeiras foram contra o Flu: cinco em duas partidas;
  • Eduardo Baptista dá pinta de ter tudo para ser um dos melhores treinadores do país. Se o seu Sport era, para mim, um dos três times mais bem treinados do Brasileirão (ao lado do Corinthians e do Grêmio), impressiona o padrão dado ao Fluminense pelo filho de Nelsinho Baptista em tão pouco tempo de trabalho;
  • Fred é um grande jogador do futebol brasileiro. Artilheiro por onde passou, é um dos maiores ídolos da história do Fluminense, é líder dentro e fora de campo de uma das melhores fases da mais que centenária trajetória tricolor. Mesmo pela Seleção viveu momentos de brilho, como a excelente Copa das Confederações de 2013, com dois gols na final contra a então toda-poderosa Espanha. Paga pela péssima Copa, quando ele vinha de problemas físicos e estava em má fase no clube (ou seja, talvez nem deveria jogar) e era parte de uma equipe cheia de problemas.

A final

  • Um grande acerto a mudança de datas das finais da Copa do Brasil. Como o Brasileirão aparenta ter a definição do campeão com com algumas rodadas de antecedência, a final da Copa do Brasil tem tudo para ser o verdadeiro gran finale da temporada 2015;
  • A conquista é fundamental para os dois clubes: enquanto o Santos tem grandes problemas financeiros e parecia fadado a “apequenar” neste ano, o que pode ser evitado com mais um troféu nacional e a vaga para a Libertadores (que ainda ajudariam a manter o elenco), o Palmeiras precisa do título para exorcizar definitivamente os “fantasmas dos anos 2000”, e com a participação na principal competição do continente, contratar poucos grandes reforços que levem a base construída neste ano a outro patamar, e assim mantenha a “coletividade palmeirense” engajada e otimista;
  • Seja qual for o campeão, terá muito orgulho da taça: o Santos terá batido, nada mais nada menos, do que os três grandes rivais do estado (já eliminou Corinthians e São Paulo, com 100% de aproveitamento e 4 x 1 e 6 x 2, respectivamente, no placar agregado), já o Palmeiras terá feito uma campanha de superação nacional, deixando para trás um grande mineiro (Cruzeiro), gaúcho (Inter), carioca (Fluminense) e paulista (o rival da final).
  • Final entre dois gigantes pode mesmo dar qualquer coisa. Mas que o Santos é favorito, é sim. Só que esse enredo, por mais verdadeiro que seja, é muito bom para o Palmeiras e perigoso para o Peixe.
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Escrito por:

- possui 157 artigos no No Ângulo.

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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5 respostas para “Comentários pós-semifinais da Copa do Brasil”

  1. Vicente Prado (Coluna do Leitor) vicente disse:

    Muito bom comentário. Consciente, equilibrado, gostei muito.

  2. Concordo com toda a sua análise.

    Quanto ao Fred (o Barbosa de 2014, ao lado de Thiago Silva e David Luiz), sem dúvida é um jogador histórico e muito competente.

    Menos mal que a péssima Copa do Mundo que ele jogou até esteja sendo utilizada a favor dele agora, sendo tratada como exceção em sua carreira (que de fato é), com o que ele acaba sendo reconhecido, ainda que por vias tortas.

    Mais ou menos na linha do Rivaldo. De tanto se falar que ele não era reconhecido, o reconhecimento reiterado desse não reconhecimento acabou fazendo com que ele fosse reconhecido. =D

  3. Vando Morais disse:

    o fred achou o dele ontem, levou um pescoção pra parar de ser arrogante

  4. Maryellen disse:

    A very well put together argument.I would like to bring up one point that I think would be interesting to discuss. Starting with the idea that algorithms are neutral (meaning neither implicitly good or evil), this leads to your note of garbage in/garbage out. But then what creates a direction to this computational trajectory that arcubtecthre/urianism is going down, because I assume that we all want to create a “better” world. If the it does not come from the algorithm, then it must come from us. So it may be dangerous to cede too much control.

  1. […] já sabe tudo sobre as semifinais da Copa do Brasil. O passeio do Santos, mais um, em cima do São Paulo. A vitória suada, sob ameaças, do […]


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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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