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Como é impressionante ver este Audax no campo

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Créditos da imagem: Youtube.com

Fiz questão de conferir in loco a semifinal entre o Corinthians – time comandado por Tite, treinador unanimemente apontado como o melhor do país; e o Audax – dirigido pelo peculiar Fernando Diniz, que apresenta uma proposta de jogo mundialmente rara e vinha de impor uma goleada de 4 x 1 sobre o São Paulo.

Fiquei impressionado com o nível da partida, uma das mais bem disputadas que já vi no estádio em toda a minha vida (e já vi uma boa quantidade de jogos internacionais, Copa do Mundo, etc.). Duas equipes modernas, solidárias, compactas, que gostam de trabalhar a bola e com todos os jogadores muito participativos tanto na criação quanto na marcação. E não me resta a menor dúvida de que a surpresa de Osasco teve o controle tático de quase toda a disputa.

Algo que me chamou a atenção foi como o Audax realmente atacava buscando concentrar mais jogadores em torno de onde a jogada ocorria, enquanto o alvinegro acabava respeitando mais as posições de origem quando construía as jogadas, conforme as imagens a seguir:

Exemplo de concentração lateral em ataque do Audax

Exemplo de concentração lateral em posse de bola do Audax

Outro exemplo de ataque do Audax com forte concentração lateral

Outro exemplo de ataque do Audax com forte concentração lateral

Exemplo de ataque corintiano espalhado lateralmente

Exemplo de ataque corintiano espalhado lateralmente

Outro exemplo de ataque corintiano lateralmente espalhado

Outro exemplo de ataque corintiano lateralmente espalhado

Enquanto o Audax criava as jogadas naturalmente e com consciência, como claro produto do que desempenhava em campo, o Corinthians sempre parecia precisar fazer força para ir à frente, conseguindo algo meio na marra.

Foi especialmente surpreendente ver a calma da equipe de Fernando Dizia após sofrer o primeiro gol de empate, logo no começo do segundo tempo, após o Corinthians vir com modificações que o deixaram mais agressivo. Todos tiveram a sensação de que, nessas circunstâncias e com a forte pressão exercida pela Fiel Torcida (que mais uma vez lotava a Arena), o Audax iria se intimidar e ser amassado. Não, foi justamente o contrário. Voltou a dar as cartas e controlar cada vez mais a partida, até fazer o segundo gol. Sete minutos depois, novo empate dos donos da casa, e o que foi que aconteceu? Novamente os visitantes voltaram a dominar a partida que estava indo para os pênaltis, criando duas claríssimas oportunidades de gol e imprensando os gigantes em sua própria fortaleza.

Algo muito ilustrativo da postura da equipe de Osasco foi a substituição na qual Wellington entrou no lugar de Juninho, e este saiu correndo para a rápida entrada do companheiro. A partida estava empatada em 1 x 1, e esse comportamento é muito raro em qualquer equipe visitante que não esteja sendo eliminada. Se formos considerar que era um time pequeno, então…

Encerrando as observações táticas, era nítido como a equipe de Fernando Diniz constantemente procurava ter opções em cada lateral para a evolução da jogada. Mesmo quando a bola está em uma ponta, constantemente alguém se apresentava no extremo oposto para ser opção de jogada. E, logo que alguém recebia em alguma lateral, algum companheiro vinha de trás para fazer dobradinha.

De todas as equipes que vi no campo até hoje, a única que me impressionou mais taticamente do que o Audax dessa partida foi o Barcelona de Guardiola. Vi todos os semifinalistas da última Copa, vi o Real Madrid que viria a ser campeão europeu, vi o Chelsea campeão europeu em 2012, o atual Paris Saint-Germain, entre outros, e nem a Alemanha do 7 x 1 me espantou tanto na quantidade de ultrapassagens, de geração de opções de passe, de rápida recomposição, etc.

É claro que futebol é muito imprevisível, e ainda mais em se falando de uma equipe inexperiente e sem jogadores acostumados a decisões do porte de uma final de Campeonato Paulista, então é realmente complicado fazer prognósticos para a final contra o fortíssimo (e letal!) Santos. Mas torço, pelo bem do nosso futebol, que o Audax que se apresentará nas duas partidas decisivas seja este mesmo calmo, consciente e confiante da partida contra o Corinthians.

Para finalizar, novamente fiquei pensando o que Fernando Diniz seria capaz de fazer com jogadores mais qualificados. Mas vendo a qualidade do futebol apresentado nos últimos jogos, e os golaços marcados por Bruno Paulo e Tche Tche, também fico pensando sobre o que é, de fato, “um jogador mais qualificado”. Nunca se sabe o quanto um time é produto de seus jogadores e vice-versa. E na mesma medida em que vi uma “partida de Champions League” estrelada por nomes como Velicka, Felipe Diadema, Maiki e Tche Tche de um lado, e Yago, Uendel e Lucca de outro, este Audax pode sonhar em superar a camisa e os craques selecionáveis que terá pela frente na final.

E há quem ainda critique Dorival Júnior no Santos?
Vasco e Botafogo devem fugir das armadilhas do Carioca

Escrito por:

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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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11 respostas para “Como é impressionante ver este Audax no campo”

  1. Vicente Prado (Coluna do Leitor) Vicente disse:

    O Audax foi bem, mas deve perder os dois jogos para o Santos de Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Gabigol…

    Nem São Paulo nem Corinthians têm essa qualidade toda…

    E o Dorival, apesar de pouco falado, está sensacional tb nessa nova passagem dele pelo Santos (assim como em 2010)…

    • Gilberto Maluf (Coluna do Leitor) gilberto maluf disse:

      Dorival, no ano passado, foi um dos culpados do Santos não ter se classificado para a Libertadores.

      • Vicente Prado (Coluna do Leitor) Vicente disse:

        Não, ele foi um dos culpados pelo time ter tido a chance de quase ter chegado a uma Libertadores.

        Realmente foi uma pena o que aconteceu, mas não devemos esquecer que o cenário era negro quando ele assumiu: clube endividado com os jogadores, jogadores saindo, clima de calvário…

        Ele reergueu o Santos, tem MUITA química com o DNA ofensivo do clube.

  2. Essa final promete muito. O time coqueluche do momento, com uma tática de aglutinamento das mais interessantes (e quem imaginava que um time pequeno pudesse ter sucesso atuando dessa maneira?) contra o time tecnicamente mais talentoso do país, com três jogadores pré-convocados por Dunga para a Seleção principal. Sem falar nos “olímpicos” Gustavo Henrique, Zeca, Thiago Maia…

    Jogão!

  3. Gilberto Maluf (Coluna do Leitor) gilberto maluf disse:

    Comentado com fotos ilustrativas. Muito bom. E quando o Corinthians empatou o jogo em 1 x 1, foi aí que o Audax dominou e mandou em campo.
    Vou esperar o jogo de hoje.

  4. Carllos Csr disse:

    O santos sera o campeão paulista.
    O Audax fez um bom jogo contra o corinthians, passou para a final por pura sorte.

  5. Antonio Jose disse:

    vamos ser campeao agora é audax

  6. Esse time do audax e muito forte

  7. Derci disse:

    O que os entendidos não falam por querer desmerecer o Santos é que este time sensação perdeu para o Santos de virada e que o Santos ganhou de todos os três times da cronica esportiva de São Paulo, falam tanto mas não vi time nenhum jogar mais bonito que o Santos, nem este time que atropelou os supostos grandes da capital

  1. […] a sua capacidade de leitura tática contra um perigoso (e ainda a ser plenamente decifrado) Osasco Audax, da grata surpresa Fernando Diniz, ao enfrentá-lo com a sabedoria e a maturidade que uma final em dois jogos exige, observando e […]

  2. […] o São Paulo: 4×1, fora o baile. Nas semifinais, a confirmação de que esse time nada teme: encarou e jogou melhor do que o Corinthians, em Itaquera. Nesse dia, o futebol foi justo e Fernando Diniz e seus “pupilos” passaram para a […]


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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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