Como uma luva

Créditos da imagem: Pedro Martins / MoWA Press

Adenor Bacchi, o Tite, não precisou de muito trabalho de persuasão para começar a ter sucesso na Seleção Brasileira. O processo foi automático. Como se a disposição para a sua aceitação, em todas as esferas que envolvem o cargo, fosse plena. Jogadores desde o princípio assimilaram sem resistência suas intenções táticas. A imprensa não ousa criticar o escolhido do clamor popular há tempos, e, naturalmente, a torcida o recebe de braços abertos no comando da equipe da CBF. Houve ovação em Natal, na goleada contra a Bolívia.

Algo histórico. Para o povo, o brilho da Seleção esteve sempre nos craques, jamais no treinador.

Mestre tanto na sua função profissional quanto no marketing que o concerne, Tite já caiu nas graças da galera há muito tempo, com a postura elegante, decorada com simpatia e terminologias rebuscadas sobre suas ideias de futebol. Formado no interior gaúcho, vindo de família de classe média de colonos italianos, educação e bons modos nunca foram algo desconhecido, ou por ser aprendido. O que isso significa?

Significa que Tite já tem sempre meio caminho andado na hora de ser respeitado por onde passa. Mas isso está muito longe de ser suficiente, como vemos em Oswaldos de Oliveira, Paulos Autuori ou Ricardos Gomes, que esbanjam boa aparência e intelectualidade, mas nunca convenceram o suficiente para serem considerados capazes de merecer a seleção canarinho.

Tite atingiu a maturidade como treinador, respaldado por um sucesso que talvez até tenha demorado um pouco além da conta para acontecer – os títulos da Libertadores e do Mundial com o Corinthians foram seu coroamento. Revestido com conceitos teóricos de futebol, o treinador já ultrapassou há muito a fase de querer subverter a realidade e modelá-la ao que aprendeu com os estudos, e sabe como poucos mesclar o conhecimento literário com a aplicação disso na prática. O que se vê são equipes homogêneas, com jogadores bem longe de serem gênios atuando brilhantemente em suas equipes.

Renato Augusto sempre foi um bom jogador, mas nunca foi pedido na Seleção, sob quase todas as avaliações. Pelas mãos de Tite, atingiu a Bola de Ouro do Brasileirão e hoje é titular incontestável da equipe. Paulinho despontou aos 23 anos no Corinthians, depois sumiu no banco do Tottenham e foi resgatado da China para produzir boas atuações com a camisa amarela. E Giuliano, jogador considerado por muitos gremistas como burocrático demais para merecer o alto salário que tinha, também foi pinçado e pareceu ser jogador de seleção brasileira… na Seleção Brasileira. São vários os exemplos.

Tite entende o perfil de seus jogadores e sabe o melhor que pode tirar de cada um. E encontra respaldo nos seus comandados. Tem currículo para isso. Ninguém fica inseguro de se subordinar às suas determinações e abrir mão de hábitos trazidos do clube de origem. Há a confiança de que dará certo. O resultado são quatro vitórias nas quatro primeiras partidas.

Quando se tem a pessoa certa no lugar certo, não há por que esperar que dê errado. Ninguém vai esperar.

2 comentários em: “Como uma luva

  1. Torço demais para que o Tite dê mesmo certo na Seleção! Para sabermos em que estágio está nosso futebol, só com a seleção sendo comandada pelo nosso melhor técnico. Os anos de Dunga foram simplesmente um absurdo!

  2. Quer conhecer o caráter de um homem de poder a ele .Tite é um exemplo de humildade não se deixou levar pelo sucesso , mantém os pés no chão dividindo com seus comandados e sua equipe de preparadores o momento que vivem. Neste país são poucas as referências de integridade honestidade , e Tite representa isso muito bem . É uma pessoa que apesar de não conhece la pessoalmente qualquer um gostaria de ter como amigo , quanto ao nosso futebol não somos tão ruíns como suponhamos e não tão bons como pensamos hoje. Felizmente há um homem centrado no comando , não ganhamos nada é preciso ter muita calma nessa hora , porque no futebol pra ir céu ao ínferno basta um tropeço .

Deixe sua opinião e colabore na discussão