Curtinhas pós-Brasil 4 x 0 Dinamarca

Créditos da imagem: Fernando Donasci / Reuters

– Neymar é a melhor coisa que temos no nosso futebol (mesmo em uma longa má fase). Tudo o que não precisamos é transformá-lo em vilão, estimularmos sua rejeição e abalarmos sua relação com a Seleção.

– É falsa a história de que “o Neymar na Seleção é diferente”. Desde que surgiu, ele sempre ia muito bem na Seleção (tanto que dava toda a pinta de que superaria Pelé em número de gols e se tornaria o maior artilheiro da história do selecionado mais vencedor do futebol). O ex-santista vive má fase inclusive no Barcelona.

– Luan do Grêmio é muito melhor do que Felipe Anderson. Mas tinha gente que chegava a pedir o meia da Lazio na Seleção principal, só por momentos de brilho por uma equipe que terminou na oitava colocação do mediano Campeonato Italiano. Esse complexo de achar que “só se pratica futebol na Europa” nos custa muito caro: Real Madrid, Barcelona e Bayern são apenas três.

– Aliás, Luan é um dos poucos jogadores de frente verdadeiramente talentosos no futebol brasileiro.

– Acho engraçado quem agora mostra indignação com os ataques sofridos pela judoca Rafaela Silva após a eliminação nas Olimpíadas Londres-2012 e, em seguida, “descasca” os jogadores da Seleção de futebol. O time não vinha jogando nada, mas daí a tratar como falha de personalidade/caráter dos jogadores, vai uma grande distância.

– Cada vez mais me convenço de que os times mais inofensivos são aqueles de treinadores metidos a modernos, mas sem grande competência. Mantém muita posse de bola sem movimentação envolvente, e assim não são nem agudos, nem traiçoeiros e nem conseguem se impor pelo sistema de jogo.

– Torço para o Brasil ganhar esse torneio olímpico. Acho fundamental para que voltemos a ter um pouco de autoestima futebolística depois do complexo de vira-latas generalizado depois do 7 x 1. Mesmo assim, entendo que individualmente esta é destacadamente a pior safra olímpica que já vi do Brasil (e sempre achei isso, não estou falando só agora). Não consigo entender como muita gente a tratava como o exato oposto, a melhor.

– Como é que chegamos a esse ponto de achar que se um time joga mal é necessariamente por falta de comprometimento, raça ou vontade?

– Para finalizar, em mata-mata eu sempre acho melhor começar mal, deixar as expectativas baixas e ir crescendo ao longo da competição, tendo que se provar. Se não nos iludirmos com a goleada contra a fraca Dinamarca, a Seleção tem tudo para encontrar a melhor formação, ir encorpando e, com os pés no chão, poder conquistar o ouro inédito. Contra os emergentes colombianos o fundamental é sobreviver, e daí veremos como a equipe vai reagir depois de ter tirado o peso das costas, e diante de um rival de melhor nível.

7 comentários em: “Curtinhas pós-Brasil 4 x 0 Dinamarca

  1. O texto e a foto refletem bem o desejo de todos. Seleção e torcida precisam tranquilizar esse relacionamento conturbado. Para isso é continuar jogando bem e vencendo os jogos

    1. Verdade, César Mayrinck! Mas o que mais me preocupa é que não vejo isso acontecendo só com a Seleção não, é que com a Seleção repercute mais por ser o País inteiro. Mas a maneira geral com que se analisa futebol no Brasil tem sido meio irracional, sempre partimos para os extremismos, o julgamento de caráter, etc. 🙁

  2. Concordo com tudo que foi dito no texto e acrescento que o futebol brasileiro regrediu justamente por querer imitar o estilo de jogo europeu. Esses esquemas duros não combinam com nosso talento, que exige mais liberdade pra nossa criatividade e individualismo. Individualismo que se usado da maneira correta, como ontem, dará certo. Não chamo de individualismo você prender a bola, mas sim dar soluções únicas, como um belo drible, para depois dar um passe para um companheiro que ficou livre.

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