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Do outro lado do apito: o depoimento de uma árbitra de futebol

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Créditos da imagem: Neco Varella/Folhapress

A cada rodada a coisa se repete: a tempestade de reclamações sobre o trio de arbitragem. Se não é por uma coisa, é por outra. Se não é do técnico, é da imprensa. Parece que não se aceita que, no esporte, quase sempre há um perdedor e um ganhador.

Corrupção no Brasil não é novidade nem exclusividade política, mas se espalhou como inço para justificar a possível ‘tendência’ de um árbitro ser mais condescendente com um time ou outro na hora de a bola rolar em campo. Respeito é quase inexistente com essa figura que, além de lidar com o desrespeito nos estádios, ainda tem outra profissão nos dias de semana para se manter financeiramente. Nem o salário de árbitro justifica a enorme dedicação que ninguém vê.

E, traduzindo, o que parece acontecer é que árbitro não pode – jamais – cometer erros de julgamento. Muitos comentaristas esportivos e treinadores parecem exigir do árbitro a perfeição que nem mesmo eles, ou seus jogadores, conseguem oferecer ou manter.

Já não basta a humilhação na entrada dos gramados, quando a torcida se encarrega de, automaticamente, desqualificar o trio de arbitragem desde o nascimento. Uma vergonha nacional que passou a ser aceita como normal. Aliás, como várias coisas no Brasil…

A verdade é que a linguagem da arbitragem é uma das poucas que é universal. As regras são determinadas pela FIFA, salvo alguns poucos ajustes que podem ser regulados pela competição local (como número de substituição de jogadores, determinação do vencedor por golden goal ou pênaltis). Mas falta cavada é falta punida com cartão amarelo na Jamaica ou no Sudão. Falta violenta na área de pênalti é cartão vermelho em Ipatinga da Serra ou em Nova Iorque.

O que muda é a interpretação das regras, o ângulo de visão do árbitro e o próprio ritmo do jogo. Mas logicamente que quem está na confortavelmente sentado na cabine da imprensa ou no sofá da sala não está correndo no campo, com visão parcial do que acontece, sem a pressão da torcida para atrapalhar o julgamento – em uma fração de segundo – da jogada perigosa ou da interpretação hollywoodiana do Neymar ao se atirar contraído no chão.

Quando a Zero Hora fez o especial ‘Vida de Árbitro’, parece ter esquecido desses detalhes pequenos, de quem se vê no campo, e que só podem ser aprendidos, e entendidos, quando se entra em campo como eles. Quem sabe, um dia, os comentaristas tenham a oportunidade (e a coragem) de fazer o mesmo.

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- possui 2 artigos no No Ângulo.

Luciane Lauffer é jornalista, mestre em Estudos Internacionais e mestranda em Pesquisa em Mídia, em que explora a cobertura do futebol feminino no Brasil. Natural de Porto Alegre, vive na Austrália desde 2001, e também morou na Alemanha e no Canadá. E foi na Austrália que descobriu a paixão pelo Futebol de uma forma inclusiva: é árbitra desde 2013, o que abriu portas para ser técnica infantil e a se arriscar como goleira no time feminino local.


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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