W3vina.COM Free Wordpress Themes Joomla Templates Best Wordpress Themes Premium Wordpress Themes Top Best Wordpress Themes 2012

Eles tinham Messi

Fabrice Coffrini-AFP

Créditos da imagem: Fabrice Coffrini/AFP

Era só mais uma daquelas acaloradas discussões na casa do meu pai. Dessa vez, a política já tinha sido deixada um pouco de lado, passadas as eleições. O assunto voltava a ser o esporte bretão.

Como sempre, um desavisado acharia que a porrada ia comer no próximo segundo. Mas era só mais uma conversa. A ascendência italiana, que não aparece em nossas feições, é explanada em cada debate lá na morada do patriarca. Quem fala mais alto, ganha. Ou não, mas falar alto é argumento recorrente.

O assunto era o Botafogo e afirmei, reafirmando a fama do clube da Estrela Solitária: “Muito azar do Glorioso. Teve sua melhor fase junto com o Santos do Pelé e acabou não ganhando muita coisa”. No que meu pai completou, sem precisar gritar: “Claro. Se o Botafogo fizesse três, o Santos fazia quatro. Um tinha Pelé, o outro não”.

Não sei se teve algum Santos quatro, Botafogo três, mas essa frase pareceu resumir a discussão. “Também não era assim”, ponderei, lembrando de cabeça os feitos de Cruzeiro e Bahia. Mas logo me dei conta. “São aplaudidos até hoje exatamente por serem considerados façanhas. Façanhas de quem não tinha Pelé sobre o time que possuía o talento do Rei”.

Meu pai não tem idade para ter acompanhado toda a carreira do Rei desde o início, de perto. Até pela distância e pela pouca tecnologia. Mas viveu, mesmo jovem, no radinho e nos jornais, aqueles momentos e decidiu: eles tinham Pelé, os outros não.

Essa frase se fixou na minha cabeça. Definitiva.

Tão definitiva quanto a certeza de que Lionel Messi é o Pelé deste século, desta geração. É o Pelé depois de Pelé. É o Pelé branco, o Pelé argentino.

Falta uma, duas, três Copas e pode ficar faltando. A verdade é que o grande torneio do planeta já não é tão grande quanto era na época. Hoje, a Champions League divide as atenções e o patamar da Copa. E essa taça o Messi tem de sobra.

Não nutro uma adoração pelo craque do Barça, como era a minha por Romário na infância.

Aliás, o argentino sofre desse mal também em seu país. Quase apátrida, La Pulga não desperta 10% do sentimento que outro baixinho provoca até hoje entre os hermanos. Messi não é o personagem que Maradona é. Não representa um país inteiro, como Maradona fez e ainda faz. Não deu uma Copa do Mundo para a Argentina, pelo menos ainda não.

Não vou me ater a dizer se Messi é melhor que Maradona ou Pelé, não vi jogar nenhum dos dois.  Isso é bobagem. Cada igreja que reze pro seu santo, e no futebol, o meu ainda é Romário.

Mas o fato é que Messi me desperta a mesma sensação que Pelé causava em meu pai. Quando meu filho me perguntar sobre o argentino e sua coleção de títulos individuais e com o Barcelona, o resumo é simples: “Um time tinha Messi, o outro não”.

E isso, por si só, é um grande prazer.

E se Cleiton Xavier (novamente) não der conta do recado?
A paixão não se compra, nem se aluga

Escrito por:

- possui 70 artigos no No Ângulo.

Carioca, graduado em Direito e universitário de Jornalismo. Mas antes de tudo, um opinólogo profissional, cronista do cotidiano, comentarista do dia a dia e palpiteiro da rotina.

Entre em contato com o Autor

5 respostas para “Eles tinham Messi”

  1. Muito bom, Caio! Mas eu sinceramente não consigo fazer qualquer comparação com o Pelé, mesmo achando que o Messi deve mesmo ser o segundo maior da história.

    Como exemplo disso, só o fato de ter gente que prefere o Cristiano Ronaldo já deixa clara a diferença. Com o Pelé não existia “rivalidade”, ele era absoluto 😉

  2. Melhor do mundo sempre

  3. Lucas Reis disse:

    Excelente texto!!!!

  1. […] o acho nem mesmo “o Pelé da minha geração”, como muita gente disse esses tempos, entre eles o colega … O termo “Pelé” sempre foi usado para definir aquele que está absolutamente acima dos […]


Deixe um comentário

Enquete

Qual o maior técnico brasileiro dos últimos tempos?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...

Colunistas

Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

Gustavo FernandesGustavo Fernandes

Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

Jorge FreitasJorge Freitas

“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

Fernando PradoFernando Prado

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

Assinatura por e-mail

Arquivos

©2017 No Ângulo - Todos os direitos reservados