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Em busca da retidão perdida

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Créditos da imagem: futebolbusiness.com.br

Há quem desaconselhe balanços de final do ano como o psicanalista Chistian Duncker. Ele explica porque não é favorável à prática: isso exige um alto nível de elaboração e dedicação que, em geral, não estamos dispostos a empenhar.

O balanço é uma prática do mundo corporativo. As empresas fazem um inventário anual que inspira a “contabilidade” do que foi a nossa vida. Mas há um erro em olhar para as nossas vidas como se fôssemos apenas máquinas produtivas, nos resumindo ao que ganhamos ou produzimos, como se nossa aplicação aos estudos fosse um “investimento”, como se nossos sonhos fossem “metas” e nossos avanços no casamento fossem medidas por “construções”.

Um balanço de uma empresa nos leva a conectar comparação com competição: eu consegui X, e isso vale mais ou menos se meu vizinho conseguiu Y. E aquele que conseguiu mais é quem vai postar no Facebook, levando a um sentimento terrível de infelicidade geral. As pessoas não se contentam, daí a compulsão avaliativa que acompanha muitos durante o ano todo termina na inveja improdutiva que acompanha o sentimento depressivo de solidão. Isso tudo vem quando se olha para a própria vida como um contador. Uma vida que pode ser medida desse jeito é uma muito pobre, conclui.

Seguindo os conselhos do professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, no Departamento de Psicologia Clínica, vamos apenas dar uma olhar rápido sobre alguns dos principais episódios envolvendo o futebol (e seus dirigentes) no ano de 2015. Como todos sabem, foram  inúmeros os escândalos. Sem entrar em detalhes vamos aos fatos.

Segundo reportagem da Carta Capital, há anos existem denúncias de corrupção envolvendo a FIFA. Em maio o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o FBI (a polícia federal dos EUA) e a I.R.S. (equivalente à Receita Federal) revelaram uma investigação sobre crimes como extorsão, fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. Este escândalo teve o envolvimento do FBI porque boa parte da propina foi paga ou recebida usando instituições norte-americanas, como os bancos Delta, JP Morgan Chase, Citibank e Bank of America, ou filiais nos EUA de instituições estrangeiras, como os bancos brasileiros Itaú e Banco do Brasil. Entre os 14 indiciados, nove foram ou são dirigentes da FIFA.

A denúncia afirma que, de 1991 até o momento, autoridades da FIFA se envolveram em vários crimes, incluindo fraude, subornos e lavagem de dinheiro. A Justiça afirma que duas gerações de dirigentes usaram suas posições para fazer parcerias com executivos de marketing esportivo que impediam outros de ter acesso a contratos e mantinham os negócios para eles por meio do pagamento de propinas.

A maior parte dos esquemas, de acordo com o departamento de Justiça, envolve recebimento de propina de executivos de marketing para comercialização de direitos de mídia e marketing de diversas competições esportivas – entre eles Copa América, Libertadores e Copa do Brasil.

Detalhes dos caso podem ser relembrados aqui:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/05/150527_entenda_fifa_lab

E aqui:

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/entenda-o-escandalo-da-fifa-e-da-cbf-4139.html

Lá como aqui

Mas escândalo no esporte não tem pátria, prova disso foi o envolvimento do ídolo francês Michel Platini. Em setembro o Ministério Público da Suíça abriu processo criminal contra o presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Joseph Blatter, e implicou o presidente da União das Federações Europeias de Futebol (UEFA), Michel Platini, no escândalo de corrupção que abalou o organismo que controla o futebol mundial. Candidato à sucessão de Blatter, Platini foi ouvido na condição de testemunha, por, supostamente, ter recebido de Blatter “um pagamento ilegal” de dois milhões de francos suíços (cerca de 1,8 milhão de euros). No início de junho, Blatter apresentou a demissão, abrindo caminho para novas eleições, marcadas para 26 de fevereiro. Além de Platini, são também candidatos à presidência da FIFA o príncipe jordaniano Ali bin Al Hussein, o sul-coreano Chung Mong-Joon e o ex-jogador brasileiro Zico ( que desistiu por falta de apoio da CBF).

Detalhes aqui:http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2015/09/ministerio-publico-suico-abre-processo-criminal-contra-blatter-e a

O PROFUT

A modernização e a transparência do futebol são ingredientes mais do que necessários e, talvez, a salvação do futebol brasileiro. E não me refiro apenas aos escândalos envolvendo  os dirigentes da CBF. Os clubes brasileiros estão atolados por dívidas que chegam a cinco bilhões de dólares. Em agosto o governo federal sancionou  a Medida Provisória que refinancia as dívidas fiscais dos clubes de futebol com a União. Desta forma, as agremiações interessadas em parcelar seus débitos com maior prazo devem aderir ao Programa de Modernização do Futebol Brasileiro (Profut), que agora é lei.

Os clubes que aderirem ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut) poderão quitar suas dívidas em até 20 anos (240 meses) e as primeiras 60 parcelas poderão ter o valor reduzido em 50% , desde que não fiquem abaixo do valor mínimo de R$ 3 mil. As multas terão redução de 70% e os juros, de 40%.

Em troca, os clubes terão de apresentar a Certidão Negativa de Débitos (CND) e terão de cumprir as obrigações contratuais com seus jogadores e funcionários, inclusive o direito de imagem. A CND é um documento emitido pela Receita Federal, cuja função é comprovar que a pessoa ou instituição não possui débito junto aos órgãos públicos. A certidão só será emitida se não houver débitos e sua validade é de 180 dias. Os clubes que não apresentarem a certidão poderão sofrer rebaixamento.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/noticia/2015/08/dilma-sanciona-mp-que-refinancia-dividas-dos-clubes-de-futebol-4818080.html

Pode ser uma saída para as dívidas, mas creio que  é preciso ver os clubes e o futebol como um esporte e um negócio, que envolve muita paixão, mas exige disciplina e gestão, e não apadrinhamento político e sonegação.

Lugano! Lugano! Lugano!
Sindicato quer fechar as lavanderias. Será que dá?

Escrito por:

- possui 27 artigos no No Ângulo.

Jornalista formada pela PUC-RS, essa gaúcha nascida em Passo Fundo e residente em Porto Alegre é especialista em Meio Ambiente, tem interesse por política e gosta de transitar e dar os seus pitacos sobre diferentes temas. Uma romântica do futebol, busca analisar as sutilezas do esporte bretão.


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3 respostas para “Em busca da retidão perdida”

  1. Eu fico negativamente admirado é com tipos como o Platini, que conseguiram tudo graças ao futebol, que estiveram dentro de campo, e que agora agem como qualquer cartola típico.

    É o tipo de coisa que enfraquece as esperanças de mudanças efetivas 🙁


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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