Enfim, os convocados – análise individual

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Goleiros

Alisson – o ex-colorado se firmou como titular da Roma, que chegou as semifinais da Liga dos Campeões, e é bancado por Taffarel. Isso não afasta certas preocupações com algumas partidas questionáveis, como a da derrota contra o Barcelona – falhou num lance não convertido e rebateu mal no terceiro gol. Mostra uma técnica estranha em certos lances.

Ederson – ascensão meteórica para já ser titular do bilionário Manchester City, com a confiança de Pep Guardiola. Não é tão alto mas compensa isso com arrojo, além de ser bom com os pés. Mas a juventude não raro o coloca em lances aloprados.

Cássio – entrou para a lista por ter a confiança de Tite desde a primeira passagem pelo Corinthians. Seu ponto forte é a altura. Tecnicamente, está abaixo de Vanderlei, cuja ausência em todas as convocações deve se dar por alguma objeção de Taffarel.

Laterais

Fagner – o que parecia ser mais um lateral peso-pena se tornou, com Tite, um dos mais competitivos da posição. Sabe compor a linha defensiva melhor até que o lesionado Daniel Alves. Ofensivamente, não se sai mal em times bem montados. Porém, o rótulo de violento está longe de ser injusto. Se repetir seus carrinhos na Copa, tende a ser expulso.

Marcelo – em determinados momentos o madrilista é tão ou mais protagonista que Cristiano Ronaldo. Um dos poucos laterais que não dependem da ultrapassagem para chegar ao fundo, além da capacidade de romper defesas pelo meio-campo. A defesa não é seu ponto forte, mas evoluiu a ponto de ao menos não ser uma avenida – contando também com a proteção tática merecida dos treinadores.

Danilo – teve chances de tomar conta da posição com um ciclo promissor, mas logo despencou no Real Madrid. Pelo City, foi reserva do criticado Walker e mais atuou como coringa que propriamente na função de origem. Hoje está mais para um polivalente com dificuldades em todas as posições. Sinceramente, não sei o que Guardiola viu nele. Nem Tite.

Filipe Luís – melhor marcador que Marcelo, mas com disposição ofensiva ortodoxa. Faz relativamente poucas jogadas de linha de fundo. Seus melhores lances ofensivos são chegando de surpresa para finalizar ou jogar para o meio da área.

Zagueiros

Marquinhos – nem sempre titular da zaga no PSG (foi lateral até a chegada de Daniel Alves), conquistou a titularidade na seleção com suas atuações seguras e também por causa da desconfiança que afastou Thiago Silva de várias convocações. Seguro pelo alto, com boa velocidade e poucas falhas. Dificilmente irá para o banco.

Miranda – preterido no auge, o mestre do combate individual não é mais o zagueiro à prova de falhas dos seus tempos de SPFC e Atlético de Madrid. Porém, é quem possui mais intimidade com o lado esquerdo. Seu ponto fraco, nos dias de hoje, é a saída de bola.

Thiago Silva – a meu ver, uma temeridade. O choro fetal em 2014 e alguma atuações desastrosas em jogos decisivos (pelo PSG e pela seleção) só não barraram sua convocação porque seguiu firme como titular na França e por ter um tremendo lobby na imprensa. Em tese, tem todos os fundamentos. Até a tremedeira tomar conta.

Geromel – obscuro em grande parte da carreira, chamou a atenção no Grêmio com atuações sólidas numa equipe que, ao contrário de outras no Brasil, consegue jogar quase todo o tempo com a equipe no campo adversário. Tampouco faz feio quando os gaúchos têm que se fechar, como mostrou contra o Real Madrid. Fica mais difícil entender por que, ao contrário de colegas limitados, não se firmou na Europa.

Volantes

Casemiro – o antes desleixado volante são-paulino ralou ardorosamente nos últimos quatro anos e se tornou postulante ao status de melhor do mundo em sua posição. Forte na marcação entre as linhas, aprimorou o passe e, seguindo conselho de Cristiano Ronaldo, passou a bater bem de fora da área.

Fernandinho – para muitos, o pior em campo nos 7 x 1 contra a Alemanha. De volta ao City, seguiu titular como volante e subiu o nível com Guardiola. Porém, sua marcação entre as linhas está longe de ser como a de Casemiro. Também não convence atuando em outras funções mais adiantadas, plano que Tite parece ter para a armação pela esquerda. Deveria se limitar à reserva de Casemiro.

Meio-campistas

Paulinho – renasceu das cinzas como meio-campista pela direita, em especial chegando ao ataque no espaço aberto pelo centroavante. Foi neste mesmo papel que conquistou torcida e imprensa de Barcelona em seus primeiros meses ao lado de Messi & CIA. Porém, assim como antes da Copa passada, seu rendimento despencou e foi para a reserva – embora muito desavisado da imprensa brasileira não tenha percebido isso. Resta saber se é apenas incompatibilidade tática ou está em má fase técnica – como em 2014.

Renato Augusto – mais que a questão de jogar na China, o que o desgasta é a função que tem que cumprir na seleção. No futebol de hoje, em princípio o atacante que atua aberto tem que acompanhar o lateral adversário, formando uma linha de marcação pelo lado. Quando se trata de um atacante fora-de-série, como Neymar, o técnico coloca um meio-campista para fazer este papel defensivo. Como não é uma função típica do meio-campo, acaba tirando o armador da maioria dos lances de ataque. O desgaste aumenta porque os avanços de Marcelo também requerem cobertura. Daí o fato de Tite cogitar dois volantes.

Fred – seu futebol de condução de bola na vertical, passes longos e porte avantajado sugere que será o reserva de Paulinho. Não comentarei mais porque o vi muito pouco e mesmo Tite o convoca mais na base teórica que observação prática, já que jogou por raros minutos.

Atacantes e meias-atacantes abertos

Philippe Coutinho – foi cedo para a Europa e teve uma evolução lenta, porém constante, até finalmente explodir no Liverpool. Acostumado a atuar aberto pela esquerda, adaptou-se ao lado oposto na seleção e, recentemente, pelo Barcelona. No caso de eventual ausência de Neymar, é quem possui o repertório mais próximo de um protagonista. Há chances de, em determinadas circunstâncias, recuar como armador na “centro-esquerda”, no lugar de Renato Augusto – em especial contra times fechados. A ausência de Arthur reforça esta hipótese.

Neymar – estrela da companhia, teve ótimas temporadas pelo Barcelona e decidiu mudar de clube atrás do protagonismo máximo. Vinha apresentando repertório para também sair da ponta para o centro, como o amigo Messi. Porém, para a seleção é mais adequado que atue de forma similar à que fazia no Barça, por duas razões: 1 – Coutinho ou Willian já podem fechar pelo lado oposto; 2 – Marcelo também faz o mesmo movimento pela esquerda. Neymar chegará à Rússia com incertezas sobre seu físico e seu auto-controle. Sem contar o festival midiático que normalmente não faz bem a seu futebol.

Willian – teve sua melhor temporada pelo Chelsea, enfim titular absoluto. Na seleção, fez gols e deu passes importantes nas eliminatórias. Seu desempenho faz com que Tite o considere o décimo segundo titular. Normalmente atua aberto pela direita, mas neste ano mostrou que também consegue buscar jogo e arrancar pelo centro em contragolpe, como contra o Barcelona.

Douglas Costa – ao contrário os meias-atacantes Coutinho e Willian, é jogador de ataque propriamente dito. Consegue investir com dribles contra o defensor parado, tanto pela esquerda (como ponta) quanto pela direita (fechando para o arremate). Cravou a vaga com atuação razoável pela seleção e partidas muito convincentes pela Juventus.

Taison – acredito que sua convocação se deu por conta da insegurança quanto à recuperação plena de Neymar. Em CNTP, não deveria estar na lista, que ficou desequilibrada com sua presença. Além disso, tem atuado como meia-atacante centralizado em seu clube, no 4-2-3-1. Os jogadores abertos são Marlos e Bernard. Taison foi o que menos marcou gols entre os três, jogando numa posição que Tite sequer inclui em seu esquema. Difícil mesmo de entender.

Comando de ataque – “centroavância”

Gabriel Jesus – conquistou a camisa 9 em campo, mas preocupou durante boa parte da temporada com lesões e desempenho técnico fraco, perdendo a disputa com Aguero no City. Porém, a contusão do argentino abriu oportunidade que aproveitou bem na reta final da Premier League, inclusive com o belo gol que selou os inéditos 100 pontos de um campeão inglês.

Roberto Firmino – enquanto Jesus passava por uma via crucis em Manchester, a uma hora dali o centroavante do Liverpool se firmava com gols e passes no trio com Mané e a estrela Salah. Menos veloz que o concorrente, tem o toque mais preciso, inclusive quando sai para os lados. Não será por falta de um bom centroavante que a seleção deixará de vencer. É fato de que nenhum deles pode ser considerado opção para o “abafa”, mas seria bastante questionável levar alguém só para isso numa lista com 20 jogadores de linha.

10 comentários em: “Enfim, os convocados – análise individual

  1. Marcelo Grohe, Vanderlei e Luan deveriam/mereciam ter sido chamados nos lugar de Cássio, Ederson e Taison.
    Entendo a convocação do Fred que tem jogado muito bem nesta temporada europeia.
    Mas ainda assim deveriam ter arrumado um espaço pro Arthur do Grêmio.

    1. Bruno Lima ,no lugar do Cássio, mesmo!? VC banca akeles dois goleiros, lá!? Pra mim Vanderlei teria vaga certa, junto com Cássio e mais um goleiro, mas,vendo seu comentário, percebo ke clubismo impera sempre, mesmo…

  2. Fala sério Mano sé esse Marcelo Grohe , Vanderlei fosse bons eles tinham um Mundial no currículo .
    Só tem uma coisa que impede do Cássio ser titular da seleção brasileira, porque ele é feio pra porra kkkk

  3. Tenho restrições a vários atletas dessa seleção. Mas a sorte está lançada , vamos aguardar pra ver . Espero que Deus ilumine Neymar o único jogador dessa seleção, que pode fazer a difernça.

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