Enfim, Pato se deu conta de que é um fiasco

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Alguns jogadores surgem como fenômenos. Parecem começar a carreira num nível muito acima daquele exigido para sua idade, arrancando suspiros da mídia, principalmente, de torcedores, cada vez mais carentes de ídolos e de craques do esporte. Mas, como meteoros, alguns jogadores caem tão rápido quanto sobem.

Alexandre Pato é um caso desses. Surgido em 2006, um ano de ouro do Internacional, Pato parecia fadado ao sucesso. Moleque bom na bola e na cabeça, parecia jogar de uma maneira irresponsável. Um sucesso imediato, meteórico!

Comprado pelo Milan quando ainda era menor de idade, Pato arrancou suspiros até mesmo de seus principais rivais. Claudio Ranieri, atual técnico do Leicester e treinador da Juventus em 2008, chegou a considerá-lo um extraterrestre, tamanho o nível do futebol apresentado em seu primeiro ano na Itália. Era o nome certo para dar sequência à dinastia de Romário e Ronaldo com a camisa 9 da Seleção Brasileira.

Era.

A partir de sua segunda temporada na Itália, Pato sofreu; emendou lesões e nunca mais vimos o futebol que nos fez encher os olhos. Após cinco anos, voltou ao Brasil em baixa e desacreditado, para jogar no então campeão mundial; um prêmio desmerecido para quem havia deixado o futebol de lado para virar popstar nas noites italianas.

Mas com pompa galáctica, Pato falhou de novo. Mostrou-se irresponsável não apenas para fazer gol, mas também para decidir jogos ao eliminar o Corinthians nas quartas-de-final da Copa do Brasil quando bateu um pênalti de forma lastimável contra Dida, um dos maiores pegadores que o futebol já viu.

Foi emprestado ao São Paulo e nunca deixou saudade no Corinthians. No tricolor até foi bem, mas saiu de lá sem títulos e logo foi esquecido por um outro jogador muito mais aguerrido do que ele, o argentino Jonathan Calleri. Mas como sorte demais é bobagem, o brasileiro foi contratado por empréstimo para jogar por seis meses no então campeão inglês, o Chelsea. Nem jogou. Foi preterido por nomes como Falcão Garcia (na pior fase de sua carreira) e o limitado francês Remy. Custou nada mais nada menos que R$36 mil por minuto para o clube inglês e seu único gol teve o valor de R$ 4,8 milhões. Um fiasco!

Mesmo com todos estes baixos na carreira, Pato recebeu a chance de ganhar o maior salário do mundo na China, mas se negou. Quiséssemos nós acreditar que o jogador seguia sua índole de irresponsável, apostaríamos que a recusa na oferta se dava unicamente pela indisposição em ajudar o Corinthians – clube que o recuperou completamente das lesões – a ter um retorno financeiro por ter confiado em seu futebol quando ninguém mais acreditava.

Mas não queríamos. Preferimos acreditar que Pato recusou uma oferta que ninguém recusaria, apenas por estar iludido que ainda teria futebol para jogar em gramados europeus.

Em julho passado, na minha primeira oportunidade aqui no No Ângulo, após o anúncio da negociação entre Villareal e Corinthians, escrevi um texto dizendo que Pato era problema do próprio Pato, e que a manutenção de sua postura dentro e fora de campo era carta certa para mais um vexame, desta vez na Espanha. Errei ao acreditar que isso demoraria ao menos uma temporada. Não bastaram seis meses para Alexandre Pato se dar conta de que não tem bola para jogar em gramados europeus.

Seis meses depois de ter recusado mais de R$ 5 milhões por mês, Pato mudou a sua visão e, enfim, vai jogar no futebol chinês, em uma prova de que apenas não queria dar ao Timão o gostinho de encher os cofres, como troco às públicas declarações da diretoria alvinegra que dizia “rezar dia e noite para vendê-lo”.

Mas todos sabemos que Pato é a cara da China, onde dinheiro é mais importante que a técnica e que títulos se escrevem com cifrões. Lugar mais do que propício para quem quer ser milionário, não jogar bola.

Alexandre é um presente de grego em um negócio da China. Com cabeça de popstar e  dinheiro de sobra no bolso, fica a pergunta: quanto tempo demorará para Pato carimbar em sua carreira mais um vexame?

15 comentários em: “Enfim, Pato se deu conta de que é um fiasco

  1. O Pato é o maior caso de “auto-engano coletivo” que eu vi na vida com alguém do futebol. Para mim ele nunca mostrou nada de excepcional, mas todo mundo quis acreditar que se tratava de um fenômeno só por ser jovem, ter estilo e marcar gols em estreias.

    Continuamos seguidamente caindo no hype feito em cima de jogadores novinhos.

    1. Discordo. Pato é um puta jogador. Absolutamente diferenciado, tecnicamente.
      Mas, assim como uma série de outros jogadores, tem prioridades que não condizem com um jogador profissional.

    2. Gui C. de Azevedo, engraçado que eu sinceramente acho que ele só é veloz e muito bom finalizador. Ele é basicamente incapaz de cruzar, fazer uma enfiada de bola ou mesmo driblar 😉

    3. Concordo sobre ser incapaz de cruzar ou enfiar uma bola. Discordo sobre driblar. Não é um exímio driblador, mas se vira bem nesse quesito.
      E com velocidade, finalização e algum drible, ele já está acima da esmagadora maioria… Ehehehehe

  2. Saber jogar ele sabe , ele não quer jogar é diferente , prefere o glamour , desfilar com belas mulheres , esta mais para um pop star , O garoto esta milhonário deve ter se cansado da rotina de treinos , simples assim.

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