Falarão muito, ainda, da Libertadores, por isso fico com a Seleção

Créditos da imagem: locomotivaesportiva.com.br

Agora que os títulos estaduais foram decididos – fica aqui meu “parabéns aos santistas” -, podemos voltar a falar de Seleção Brasileira, nesse tempo de espera pelo Brasileirão.

Começo anotando uma frase curta do técnico Dunga, ao apresentar a relação dos jogadores que disputarão a Copa América, nos EUA. Disse Dunga que “as vagas estão abertas”.

Isso é bom, assim como foi ter relacionado sete jogadores com idade inferior a 23 anos, a máxima exigida para os que disputarão a Olimpíada – exceção a três, que podem ser “velhinhos”.  E não ter incluído no grupo Kaká e Ganso. Dispenso falar da dupla de zaga do Paris Saint Germain, – Thiago Silva e David Luiz – também ausente. Um dia (ambos) voltarão.

Kaká, que tem seu nome na história, já deu sua parte. Não é pela idade, porque Ricardo Oliveira, dois anos mais experiente, está no grupo e com amplos méritos. A posição em que joga exige mais do que Kaká hoje pode dar. E Ganso, um jovem perto dos citados, não deve mesmo estar na relação, por ser um jogador “29 de fevereiro”. Existe, mas só aparece de quatro em quatro anos. Pouco, para disputar campeonatos que exigem presença cem por cento.

Entre os jovens que podem jogar a Olimpíada, li críticas, especialmente a Rodrigo Caio (foto). Não me importo. Torço mais o nariz quando leio os nomes de Daniel Alves e Hulk, assim como quando aparece o de Marcelo. Bananeiras que já deram cachos.

É preciso ousar. Dar uma guinada de 360 graus. Apagar os nomes da lousa. Alguns podem ser reescritos, mas todos devem ser, num único ato, apagados. Há uma diferença, porque ao serem apagados, os que se julgam com o cinto afivelado, garantidos no vôo, perceberão que a rota foi mudada, com o mesmo ou outro piloto.

Se há coragem para tanto, não sei. E se não houver autorização, um piloto de verdade, deixa a cabine e desce as escadas.

O futebol brasileiro viveu um momento desses, de coragem, em 1968, durante uma excursão pela Europa, depois de passar vexame na Copa de 66, na Inglaterra, caindo na fase inicial. Na primeira partida da excursão, perdeu para a Alemanha, em Stutgart, por 2×1. Como não tinha Pelé, a derrota poderia parecer normal ou razoável. Mas Aymoré Moreira, o técnico, viu mais longe. E decidiu mudar a forma do time jogar. Sair do 4-2-4 fixo, sem variações. Num ato de humildade, e de sabedoria, reuniu os jornalistas brasileiros – eram cerca de 130 – e disse o que ia fazer e pediu para que entendessem e compreendessem.

Tirou Denílson, bom marcador, mas só. Escalou Rivelino. Mostrou ao desconfiado Gérson que ele teria a ajuda também de Tostão, que voltaria sempre que fosse preciso.

Goleou a Polônia por 6×3, perdeu para a Checoslováquia por 3×2, ganhou da Iugoslávia e de Portugal por 2 a 0. Mais do que os bons resultados conseguidos, deu início a uma nova forma de o time jogar. Passou a régua e deu o pontapé para a formação da Seleção que ganharia o tri no México, em 70.

Não sei se é isso que o Dunga está pensando com a convocação para a Copa América e Olimpíada. Não sei se tem cabeça para tanto e se tomou boas doses de humildade. Mas me parece o remédio a ser receitado, sentindo que a seleção continua doente da cabeça e dos pés – desde antes dos 7×1.

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7 comentários em: “Falarão muito, ainda, da Libertadores, por isso fico com a Seleção

  1. José Aquino, com todo respeito, então o Ganso deve ter nascido em ano bissexto, pois ele joga muita bola! No mais, confesso que também sinto um desânimo com o “mais do mesmo” costumeiro das nossas convocações. Mas o Rodrigo Caio, definitivamente, não é esse “frescor” que eu desejava ver no escrete canarinho. E reforço que não me conformo com nomes como Willian e Douglas Costa (tão somente bons jogadores, talvez ótimos) sendo tratados como incontestáveis dentro da nossa Seleção. Um abraço! 😉

    1. De repente, se alguma mãe Dinah descobrir os dias em que o Ganso jogará o que joga uma vez a cada seis meses, e coincidir com um jogo importante para a seleção, decisivo, aí valeria. Mas…

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