W3vina.COM Free Wordpress Themes Joomla Templates Best Wordpress Themes Premium Wordpress Themes Top Best Wordpress Themes 2012

Falemos de Brasil x Uruguai, mas não falemos de vingança, pelo amor de Deus

91-630x280

Créditos da imagem: Reprodução

Não, por todos os santos, não. Nem agora, por ser Semana Santa, nem nunca mais. Pelo amor de Deus, não. Não escrevam nem digam que devolvemos a derrota da Copa de 50, caso o Brasil vença o Uruguai nesta sexta-feira, pelas eliminatórias para a Copa 2018, como tantas e tantas vezes já fizeram.

Não existe volta quando o chopp, que todos se preparavam para beber, é derramado.  A Copa perdida no Maracanã explodindo de gente – juro que eu não estava lá – foi perdida, não tem volta. Aliás, para os que gostam de achar desculpas para o 2 a 1, crucificando Bigode e condenando Barbosa à prisão perpétua, vale dizer que Zizinho, que disputou a partida, disse, em entrevista da qual participei, no canal ESPN, que os uruguaios venceram porque eram melhores.

E que ouvi de Obdulio Varella, apontado na época como carrasco da Seleção Brasileira, numa noite que varou a madrugada, no Club Jackson, em Montevidéu, 1972, na melhor entrevista que fiz na profissão, não ter dado tapa no rosto de Bigode coisa alguma, porque homem que é homem não bate no rosto de outro.

Na melhor das hipóteses, se poderia, embora não seja correto, falar em vingança o dia em que o Brasil vencer o Uruguai numa final de Copa disputada em Montevidéu. Fora isso… Bem, fora isso, dá para contar que o Uruguai tem população em torno de 3,5 milhões de habitantes, pouco maior do que vivem apenas na Zona Leste de São Paulo. A maior parte de idosos, porque os mais jovens, jogadores ou não, vão pelo mundo em busca de vida melhor.

Houve um dia em que os adeptos da tese da vingança poderiam dizer que ela aconteceu. Não mesmo, mas vamos lá. Foi na disputa pela vaga na final da Copa de 70, no México. Primeiro, se discutiu se os uruguaios deviam deixar a Cidade do México rumo a Guadalajara ou se o Brasil é que devia pegar a estrada. Venceu o Brasil e, mesmo sob protesto, lá foram os uruguaios, que não podiam contar com Pedro Rocha, sua grande estrela, contundido na primeira partida. Pedro Rocha era tão importante, que os uruguaios, sabendo da preocupação que tomaria conta dos brasileiros, levaram-no do aeroporto direto para o campo, onde, mal conseguindo colocar o pé esquerdo no chão, se exercitava. E Zagallo, na concentração, indagava, ansioso, a cada um dos jornalistas que tinham ido ao treino dos inimigos – nosso caso – se Pedro Rocha jogaria.

Na véspera do jogo, os jornais mexicanos, na sua unanimidade, deram manchetes indagando se haveria vingança ou se repetiria o “Maracanazo”, referindo-se à derrota de 1950. As manchetes e o noticiário levaram os comandantes da Seleção Brasileira a uma indagação: deviam esconder os jornais dos jogadores ou não?

De forma sábia, o chefe maior, Brigadeiro Jerônimo Bastos, determinou que comprassem todos os jornais e os espalhassem por todos os cantos, para que os jogadores vissem e lessem. Seus argumentos eram sólidos: alguns dos jogadores, como Clodoaldo, Edu, nem eram nascidos em 1950. E mesmo os mais antigos, como Pelé, tinham menos de 10 anos, não tendo, portanto, a menor responsabilidade sobre a derrota… Foi nessa linha seu discurso aos jogadores.

O jogo foi acirrado, dentro e fora do campo. Sem Pedro Rocha, os uruguaios saíram na frente com gol de Cubillas, comemorado nas tribunas de imprensa pelos coleguinhas da antiga Suíça sul-americana. No gol de empate, Leônidas da Silva, craque nas Copas de 1934 e 1938, então comentarista da Jovem Pan, largou o microfone e foi tirar satisfação com os “inimigos” – a briga envolvendo Leônidas continuou à noite, no trem, mas essa é história para outro dia.

A tensão era tanta, que mesmo entre nós aconteceram discussões e chutinhos nas costas de companheiros. Ney Bianchi, da revista Manchete, sentou no lugar que normalmente sentava Vital Bataglia, do Jornal da Tarde, e este, supersticioso como eu, vestindo sempre a mesma roupa, inclusive a cueca – ele jura que pelo menos mandava lavar, o que duvido -, pediu para que Bianchi saísse – não podia correr o risco de quebrar a corrente da sorte -, o que só aconteceu depois de levar uns bicos nas costas…

O final todos devem saber. Clodoaldo empatou ainda no finzinho do primeiro tempo e o Brasil acabou vencendo por 3 a 1, garantindo a final contra a Itália, que venceu por 4 a 1. Foi uma vitória que levou à disputa do título, conquistado. Mas nada de revanche, de devolver a derrota de 1950. Aquele chopp foi derramado. Ou, se quiserem, saboreado pelos uruguaios.

Ronaldinho: o gênio que não saiu da lâmpada
Johan Cruyff - Quando o futebol era grande

Escrito por:

- possui 73 artigos no No Ângulo.

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.


Entre em contato com o Autor

4 respostas para “Falemos de Brasil x Uruguai, mas não falemos de vingança, pelo amor de Deus”

  1. É surreal imaginar os jornalistas se batendo desse jeito, rs!

    E José Aquino, fico pensando que isso de sempre trazerem 1950 para a discussão acaba prejudicando os uruguaios. Porque o Brasil continuou, virou a maior seleção do mundo depois disso… já o fato de sempre falarem de um triunfo uruguaio tão antigo (por mais histórico e único que tenha sido) acho que acaba consolidando a ideia de um passado mais glorioso do que o presente pode ser. O que acha? 😉

    • José Maria de Aquino Jose Aquino disse:

      Olhando sob o prisma das conquistas, sem dúvida,Gabriel. Considerando, porém, as possibilidades de um país e outro, população, riqueza etc, acho que os uruguaios fazem bonito. Estão sempre na briga. Como disse, somos mais de 200 milhões e lá vivem pouco mais de 3,4 milhões. Abss

  2. Vicente Prado (Coluna do Leitor) Vicente disse:

    Não tem jeito, esse fantasma do Maracanazo a gente vai ter que carregar para sempre. Mas com cinco títulos mundiais fica mais fácil de digerir isso, não? Hehehe

  3. José Maria de Aquino Jose Aquino disse:

    Nem há mais o que dirigir, amigão. Acredito que a derrota em 50 está enterrada, por isso torço para que ninguém mais, numca mais, fale em desforra – a não serem uma Copa no Uruguai e uma final igual, com resultado invertido. Coisa que jamais acontecerá.. abss


Deixe um comentário

Enquete

Qual o maior técnico brasileiro dos últimos tempos?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...

Colunistas

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

Gustavo FernandesGustavo Fernandes

Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

Jorge FreitasJorge Freitas

“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

Fernando PradoFernando Prado

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano é especialista em política urbana. Com formação em gestão do esporte, também encara apaixonadamente o futebol como fenômeno cultural.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

Assinatura por e-mail

Arquivos

©2017 No Ângulo - Todos os direitos reservados