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Faz tempo, se é que alguma vez isso existiu, que não se joga apenas com o nome lá fora

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Créditos da imagem: espn.uol.com.br

Que novidade há na recente notícia de que Adriano, que um dia foi o “Imperador”, deixou o Miami United, de uma divisão inferior nos Estados Unidos, onde o soccer, embora progredindo, ainda não é de primeiríssima qualidade? Sejamos francos, nenhuma. Quem, em sã consciência, achava que ele voltaria a, pelo menos, ser um atleta capaz de suportar 90 minutos e, como atacante, marcar um golzinho vez por outra?

Sem chance. Poderia haver torcida. Muita torcida para que desse certo. Eu mesmo, como jornalista, pessoa, apreciador do bom futebol – e não se há de negar que ele foi bom, foi destaque, jogou o bastante para criar um sem número de fãs e torcedores. Torcer, sim, mas acreditar, não.

Não, depois de tantas tentativas, começando pelo São Paulo, lá atrás, quando deu esperanças e até teve um momento bom. Voltou, foi para o Flamengo, andou pelo Corinthians, aqui, ali, acolá, e sempre voltando ao marco zero. Zero absoluto. Uma pena. Maior ainda quando se constata a falta de goleadores. No Brasil e no mundo.

Adriano voltará à lage, aos churrascos com os amigos do peito, aqueles nos quais confia. Se sente bem, num mundo falso. Curtirá seus carrões, gastará os milhões que deve ser amealhado e, Deus queira, com a parcimônia que nunca acabe, como de tantos outros. Nada absolutamente contra. Apenas a torcida. Muita torcida, de quem já viu tantas derrotas…

Mesmo num futebol, o soccer, onde os salários ainda são baixos – salvo raríssimas exceções -, levando-se em conta o que faturam as estrelas dos outros esportes, aqueles da preferência do público, dos investidores e dos patrocinadores, dá para ganhar com o nome, com a fama ganha em outros campos? Ouvi essa verdade há exatos quarenta anos, quando, a caminho de Montreal, Canadá, para cobrir os Jogos Olímpicos, tendo uns dias de folga, permaneci nos Estados unidos para ver se Pelé ainda era Pelé ou se estava enganando os gringos. Antes de fazer a pergunta a ele, fui conferir em dois jogos.

E quando, finalmente, fiz a pergunta, em Minneapolis, Minnesota, ouvi que estava em melhor forma física do que na Copa de 70. E ao passar a ele as queixas feitas por Negreiros e Mifflin, peruano, ex-companheiro no Santos, ambos curtindo o banco, anotei: “aqui ninguém joga com o nome, nem eu. É pau puro”. Foi o que vi nos jogos.

Nem na CBF é possível encontrar o número exato de jogadores brasileiros atuando lá fora, nesse momento e antes. É que muitos vão por baixo do pano. Jovens, saem direto dos clubes, levados por cartolas e empresários… Nem sabemos quantos vão, não acertam e voltam. Muitos para times menores. Jeitinho de faturar algum. Outros já conhecidos, mas nem tanto, para merecerem registro.

Tem, porém, cobrões que saíram daqui e, por mais de uma razão, retornaram antes que a bolsa estivesse cheia e os joelhos estourados. São muitos e não carece pesquisa longa. Lembro-me de Didi, arquiteto na Copa de 58, que não acertou no Real Madrid de Di Stéfano e Puskas. Mais para cá, no tempo de vocês, Sócrates, que levou a torcida da Fiorentina a chamá-lo de “bufone”. Marcelinho Carioca, na Arábia Saudita. Fred, esse mesmo, na França…

A lista é longa. E Adriano não será o último. Pois o “nome” que vale aqui, não vale acolá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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6 respostas para “Faz tempo, se é que alguma vez isso existiu, que não se joga apenas com o nome lá fora”

  1. Vicente Prado (Coluna do Leitor) Vicente disse:

    Já aqui no Brasil…

    Veja o Palmeiras, por exemplo: Zé Roberto, Edu Dracena e Arouca estão LONGE do que um dia já foram… Hoje são quase “pesos-mortos” no elenco…

    • José Maria de Aquino Paribar, na Dom JrrrrJose Maria Aquino disse:

      Zé Roberto fez história lá fora. Foi fera na Alemanha. Arouca é um jogador mediano que o Soberano mandou para o Litoral. Uma das mantas que os Sardinhs levaram do Soberano

  2. Roberto Thomé disse:

    Se tem um lugar onde o “me engana que eu gosto” não funciona é nos Estados Unidos. O sujeito que acha que será capaz de enganar e “roubar” os gringos vai quebrar a cara. O futebol por lá pode não ser uma maravilha, mas já está organizado e competitivo. E como vc bem disse, Zé, nome não entra em campo. Aliás, por falar em nome e em Estados Unidos, foi interessante ver os “craques” da seleção, liderados por Kaká, como simples desconhecidos no meio da torcida vendo a decisão do basquete na Conferência Oeste. Abs.

    • Os gringos gostam de emoção, Roberto Thomé. Pagam caro, mas exigem retorno. Onde já se viu jogar 90 minutos e não ter vencedor? Pior do que enxugar gelo. Naquele tempo, o jogo tinha de ser decido, o que era feio em pênaltis em movimento. Mandavam a Fifa às favas… E basquete dá a exata noção do que gostam.

  3. Tudo Que Eu Queria Saber é Pq Td Mundo Cham ele De “DIDICO”.

  4. José Maria de Aquino Paribar, na Dom JrrrrJose Maria Aquino disse:

    Didico? Nem desconfio. Sabes a razão??


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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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