“Final sob medida” é só o que permite a ilusão corintiana de equilibrar disputa contra o favorito Cruzeiro

Créditos da imagem: Onefootball

No começo do ano, Corinthians e Cruzeiro vinham em igualdade de condições: ambos tinham uma base sólida e campeã no ano anterior (do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, respectivamente), com treinadores “donos da casa” e queridos por suas torcidas, e, não por acaso, eram dos maiores favoritos a tudo que disputassem nesta temporada.

A Raposa seguiu na mesma, mas o Corinthians… quanta diferença! Primeiro foi a saída de Carille, e depois o desmanche pós-Copa (saíram  Rodriguinho, Balbuena, Maycon e Sidcley), que fizeram com que uma equipe até então praticamente sem frustrações se tornasse inconsistente a ponto de ser eliminada da Libertadores pelo fraquíssimo Colo-Colo e se aproximasse da zona de rebaixamento no Brasileiro. O elenco continua de bom nível, mas o conjunto e a confiança se foram.

Mas foi aí que a sorte começou a dar um empurrão para o time do Parque São Jorge. Contra o Flamengo, usou a crise a seu favor, para jogar como time pequeno no Rio e vencer na marra em São Paulo. Na final, teve sorte com o jogo de ida no Mineirão e a volta em Itaquera. Isso é especialmente bom para o alvinegro neste caso porque o Cruzeiro tem se revelado um visitante muito incômodo em mata-matas, e vinha sempre decidindo em casa, após ter aberto vantagem como visitante.

O time celeste claramente é mais forte e confiante. Mas vem de um duro golpe (o duplo sentido não é por acaso) na Libertadores, quando foi roubado (não há outra palavra para definir) na Argentina e ficou em situação muito complicada no Mineirão, quando não conseguiu reverter a situação contra o Boca Juniors.

E até nisso o Corinthians deu sorte novamente: se por um lado seria melhor enfrentar um Cruzeiro que dividisse as atenções com a Libertadores, por outro lado, a confiança do time mineiro deve ter sido abalada. Por tudo o que vi, e pelo histórico do time, tenho a nítida sensação que os cruzeirenses realmente acreditavam que fariam o placar necessário contra o Boca. Certamente foi uma frustração, na qual o time novamente não conseguiu a vitória em casa, e pode ter colocado um ponto de interrogação na cabeça do grupo de Mano. Para finalizar, em três confrontos neste ano, os alvinegros venceram dois e empataram o outro.

Ambos os times contam unicamente com o título da Copa do Brasil para salvar o ano. Campeões dos irrelevantes estaduais, eliminados da Libertadores e sem perspectivas no Brasileiro, vão para o tudo ou nada, mas com uma diferença: o Cruzeiro é favorito e cobrado para não fracassar; enquanto para o Corinthians, o que vier é lucro.

Você deve estar se perguntando se, com todas essas ponderações, eu acho que vai dar Corinthians, não é? Não, acho mesmo que vai dar Cruzeiro. A diferença futebolística realmente está muito grande, o time de Jair Ventura não tem nenhuma consistência no meio-campo, nem ataque, e o time de Mano é copeiro, não é sem alma como o Flamengo deste ano -que dominou tecnicamente os paulistas, mas não soube vencer.

Mas se fosse para abordar só jogo, não teria muito o que se falar sobre esta final, a diferença está muito evidente. E é nessas horas que o futebol oferece o pensamento mágico para dar a ilusão que pode driblar a realidade…

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