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Flamengo e R10, um divórcio de 17 milhões. E um até breve.

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Créditos da imagem: Gilvan de Souza/Lancepress!

Esta semana, o Flamengo anunciou um acordo na ação trabalhista movida por Ronaldinho Gaúcho contra o clube. Em 2012, pouco mais de um ano depois de ter chegado, com salários atrasados por conta do fim da parceria entre Fla e Traffic, R10 mostrava não estar mais motivado, causando uma série de problemas até ser afastado pela diretoria. O afastamento resultou na ação judicial e na saída do jogador, que entre remunerações não pagas e pedido de indenização por danos morais, pedia 50 milhões de reais. No acordo, fecharam por 17 milhões.

Ronaldinho já não era sombra do melhor do mundo naquele 12 de janeiro de 2011. Mesmo assim, 20 mil torcedores compareceram à Gávea para ver a maior apresentação de um jogador na história do futebol brasileiro. Mesmo com muita confusão, a torcida fez a festa, na espera de um R10, pelo menos, motivado a tentar recuperar parte do encanto que estava indo embora.

O primeiro ano – e único completo – de Ronaldinho não chegou a ser um desastre. Auxiliado luxuosamente por Deivid e Thiago Neves, o Flamengo foi campeão carioca invicto e ficou em quarto lugar no Brasileirão, quando lutou na parte de cima da tabela o tempo todo e acabou pegando a vaga na Libertadores.

Mas aí chegou 2012. Com ele, veio o desgaste na relação com o sempre egocentrico treinador Vanderlei Luxemburgo, que acabou minando o desempenho do craque. Como uma espécie de parente chato, que aparece a todo momento se achando o dono da casa, Luxemburgo bateu de frente com R10, que por sua vez, como um marido mais preocupado em se divertir com as amantes, queria saber é das festas, das farras e das mulheres da sempre sedutora noite carioca.

Acima disso tudo, um clube dirigido de forma amadora, que não se entendia com a parceira no negócio e acabou ficando com todo o ônus. Como a noiva desesperada em casar e que amava o marido, apesar de conhecer bem a forma do cônjude lidar com a vida matrimonial, Patrícia Amorim e seus diretores poderiam até demonstrar paixão e boa vontade, mas colocavam os pés pelas mãos em cada passo que davam na gestão do clube. Incompetência foi o sobrenome adotado. Inclusive, na relação com o marido, ou melhor, com R10.

Diante desse cenário, aqueles 20 mil convidados que compareceram ao salão de festa no dia do casamento, e todos os outros milhões, viram a esperança de um grande ídolo do futebol mundial reerguer o clube ir por água abaixo, em atuações tão fracas que fizeram o Flamengo ser eliminado na fase de grupos Libertadores. O estopim para o fim que não tardaria em chegar.

No ano seguinte, já sem Luxemburgo, que perdeu a queda de braço com R10, e sem Patrícia Amorim e seus asseclas, defenestrados da Gávea pelas urnas, os milhões de rubro-negros viram o canto da cigarra do Ronaldinho Gaúcho, peça fundamental na conquista da inédita Libertadores do Atlético Mineiro. Um casamento com menos glamour, mas bem mais feliz.

O flamenguista não se pergunta o porquê de Ronaldinho-Flamengo ter sido um casamento fracassado, com apenas alguns parcos momentos de felicidade. Os motivos, listados brevemente nas linhas acima, todos já sabiam.

Mas certamente, o torcedor rubro-negro saiu abalado da relação. A ata do acordo é o último capítulo, uma espécie de averbação do divórcio, de um casamento onde a festa saiu cara, mas todos se divertiram, sem saber que, no dia a dia, a animação daquele dia jamais se confirmaria.

Típico de uma relação mal planejada e mal executada, onde uma das partes não queria muito e a outra, apesar de muito querer, não tinha a menor competência para conduzir. Quem pagou o pato foram os quase 40 milhões espalhados Brasil afora, e principalmente, aqueles 20 mil.

PS: Este foi meu último post como integrante do time de colunista do No Ângulo. Por alguns motivos sérios, mas nada graves, decidimos dar um tempo nessa parceria que tanto me fez crescer. Como jornalista às portas da formação, o No Ângulo foi a minha primeira experiência. E como diz o clássico comercial feito pelo corintiano Washington Olivetto: a primeira, a gente nunca esquece. Como fã do esporte mais popular do mundo, reciclei alguns conceitos e agreguei outros tantos.

O site exerce um trabalho exemplar do jornalismo contemporanêo, aquele que deve ser feito diante da oportunidade de se comunicar com milhões de pessoas: isento, crítico, com múltiplas ideias e buscando a informação.

Foi uma grande honra ter participado de boas entrevistas, excelentes debates, e pessoalmente, fazer parte do mesmo espaço de tela de uma referência na minha profissão, José Maria de Aquino. E, claro, dividir a bancada virtual em uma discussão ampla e rica sobre o futebol, esse esporte que movimenta além de muito dinheiro, nossos corações e mentes.

Após 53 artigos em 10 meses – o que dá uma média de mais de um por semana – onde escrevi sobre tudo que eu quis, fica meu agradecimento à equipe do No Ângulo e também aos amigos que perderam seus preciosos minutos ao lerem as bobagens que aqui publiquei.

Um até breve. Forte amplexo.

Um São Paulo raras vezes (ou nunca) visto
Por que nossos clubes não conseguem patrocínios para os espaços nobres de seus “mantos”?

Escrito por:

- possui 71 artigos no No Ângulo.

Carioca, graduado em Direito e universitário de Jornalismo. Mas antes de tudo, um opinólogo profissional, cronista do cotidiano, comentarista do dia a dia e palpiteiro da rotina.


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8 respostas para “Flamengo e R10, um divórcio de 17 milhões. E um até breve.”

  1. Essa passagem do Ronaldinho pelo Flamengo foi muito estranha. Porque com o sucesso do Ronaldo no Corinthians, e até mesmo o Roberto Carlos também voltou jogando bem, todo mundo esperava que o Ronaldinho fosse arrebentar aqui. Exatamente como arrebentou no Atlético (quando jogou muito mesmo! Só deu o azar de ali o Neymar já ter surgido)… meu palpite é que ele não tinha o temperamento ideal pra lidar com todo o oba-oba e a atenção que o Flamengo gera, além de parecer ser complicado pra ele conseguir render com as maravilhas do Rio de Janeiro, rs…

  2. E Caio Bellandi, foi um prazer mesmo trabalhar com você nesse quase um ano! Que você continue só deixando boas impressões e amigos por onde passar, e tenha muita felicidade nos novos desafios! A casa continua sendo sua!

    E valeu mesmo pela indicação, Daniel Martins, às vezes você dá bola dentro, rs! Te devemos uma 😉

  3. Obrigado por tudo, Caio Bellandi! As portas estarão sempre abertas! Quanto ao José Aquino, somos todos fãs, ele é “o cara”! 😉

  4. Deni Oliveira disse:

    Talvez os netos dele receba kkķkk


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano é especialista em política urbana. Com formação em gestão do esporte, também encara apaixonadamente o futebol como fenômeno cultural.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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