Futebol mineiro: supremacia nacional em xeque e o anti-Ipatinga

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Nos últimos dois anos os dois grandes de Minas, Cruzeiro e Atlético, conquistaram o protagonismo do futebol nacional. O Cruzeiro foi bicampeão brasileiro com larga folga. Já o Atlético arrebatou a Libertadores em 2013 e a Copa do Brasil em 2014 – ambos títulos inéditos.

Terão os dois clubes mineiros novamente uma grande temporada este ano? O início do ano não causa muita animação. Na primeira fase do Campeonato Mineiro, as duas equipes da capital conseguiram ficar atrás da Caldense. Pode-se argumentar que os dois clubes não levam o estadual tão a sério, ainda mais na primeira fase. Mas levando-o a sério ou não, a última vez que os dois clubes não chegaram nos dois primeiros lugares da primeira fase foi em 2010. E a última vez que nenhum dos dois ocupou o primeiro lugar foi em 2006, quando o posto foi ganho pelo Ipatinga.

O desempenho das duas equipes na primeira fase da Libertadores também não foi animador. O Cruzeiro pegou um grupo incrivelmente tranquilo e conseguiu se complicar. O Atlético, é verdade, caiu numa chave mais complicada, mas só conseguiu se classificar à maneira atleticana, graças a um gol inesperado no fim do jogo. No ano do título da Libertadores, em 2013, o time passeou em campo até as quartas de final.

Já o cruzeirense pode afirmar que em 2014 o Cruzeiro também fez uma primeira fase de Libertadores medíocre e acabou com o título do Brasileiro no segundo semestre. É verdade, mas naquele ano o Cruzeiro liderou a primeira fase e ganhou o Mineiro com 11 vitórias e 4 empates em 15 jogos. Isso sem falar, é claro, que o clube se livrou de seus três principais pilares de 2014: Ricardo Goulart, Éverton Ribeiro e Lucas Silva. Os substitutos que chegaram não me parecem estar, ainda, no mesmo nível.

Sim, a equipe do Atlético é mais parecida com a de 2014. Mas, convenhamos, a equipe de 2014 não era uma equipe excepcional e a conquista da Copa do Brasil teve elementos heroicos, louváveis, inacreditáveis, etc., mas nada que acontecerá todo ano. Ao menos suponho que não.

Enfim, há indícios que este ano no futebol brasileiro não se verá nova supremacia mineira. Mas convém esperar estas oitavas de Libertadores, aí poderemos reavaliar nossos conceitos.

Caldense

O clube de Poços de Caldas tentará se tornar apenas a segunda equipe do interior a ganhar o Campeonato Mineiro desde 1964, ano em que o Siderúrgica de Sabará foi campão. Sim, oficialmente a Caldense foi campeã mineira em 2002, ano que não contou com a participação de Cruzeiro, Atlético, América e Mamoré, que jogaram a Copa Sul-Minas.  Portanto, eu particularmente ignoro este fato, ainda que se deva notar que naquele mesmo ano a Caldense foi vice-campeã do Supercampeonato Mineiro, com as equipes que participaram da Sul-Minas.

O único time do interior campeão mineiro nesses últimos 50 anos foi o Ipatinga em 2005. Alguém criou o termo “clube ioiô” para estas equipes que passam a vida inteira acumulando acessos e rebaixamentos, um atrás do outro, os “Náuticos e Criciúmas” da vida. Clubes como o Ipatinga são uma categoria especial. Eu diria “equipes balísticas”. Surgem do nada, atingem o topo em velocidade recorde, apenas para logo depois caírem violentamente em direção ao solo, em velocidade igualmente recorde. Pense, por exemplo, no São Caetano ou no Brasiliense.

Fundado em 1998, o Ipatinga ganhou o Campeonato Mineiro (2005), chegou à semifinal da Copa do Brasil (2006) e acumulou acesso atrás de acesso até chegar à Série A do Brasileiro em 2008. Hoje, sete anos depois, e chegando a ter se chamado Betim por um tempo, o Ipatinga está na segunda divisão do estadual e não possui mais divisão nacional.

De certa forma, a Caldense é uma espécie de anti-Ipatinga. Fundada em 1928 e tendo disputado o seu primeiro Campeonato Mineiro de futebol profissional em 1961, a Caldense é uma velha conhecida do futebol mineiro. Ela está sempre lá, disputando ano após ano para terminar honrosamente no meio da tabela. Bem, talvez finalmente chegou a hora da formiguinha trabalhadora conquistar o seu doce.

3 comentários em: “Futebol mineiro: supremacia nacional em xeque e o anti-Ipatinga

  1. Engraçado João Felipe Neves, a minha interpretação foi totalmente diferente da sua. Ele chamou times como Náutico e Criciúma de “times ioiô”, ou seja, aqueles que vivem caindo e subindo; já o Ipatinga ele definiu de uma nova maneira, como “equipe balística”, que surge do nada, atinge o topo, e depois morre.

    Ou seja, foi justamente uma diferenciação… 😉

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