Gallo de briga?

Créditos da imagem: espn.uol.com.br

Chamou a atenção a última convocação da seleção brasileira para o Mundial sub-20. Infelizmente, mais pelas ausências de potenciais estrelas do nosso futebol do que pelos nomes convocados.

Gerson, a grande promessa do Fluminense; Gabriel (o Gabigol), até pouco tempo atrás a grande aposta do Santos à sucessão de Robinho e Neymar (hoje, o talentoso Geuvânio parece ter-lhe roubado o posto), e Malcom, o cobiçado atacante do Corinthians, não figuraram na lista feita pelo técnico Alexandre Gallo.

Com fama de disciplinador, Gallo estaria incomodado com o “estrelismo” de determinados jogadores do elenco. Segundo o programa Redação Sportv, na figura do seu apresentador, o jornalista André Rizek, Gerson, durante a fraca participação do Brasil no último campeonato Sul-Americano, teria dito que não gostaria de ir ao Mundial que será realizado na Nova Zelândia. Ainda, na véspera da convocação, não teria atendido aos telefonemas do técnico e sequer retornado os seus contatos, razão pela qual teria ficado fora dos planos.

Gabigol, além do fraco desempenho dentro de campo durante o torneio Sul-Americano – quando amargou a reserva na maioria dos jogos -, não contaria com a simpatia do técnico, muito em razão de um suposto jeito “arrogante” e pela pouca vontade de aprender a jogar um futebol coletivo e combativo. Por ser tratado como uma estrela desde as categorias menores, o atacante seria mimado e mal acostumado com as regalias que usufrui no Santos. Ao que parece, Enderson Moreira (ex-treinador de Gabriel na equipe santista e que foi demitido após fazer uma crítica pública ao jogador) tinha lá sua razão. Malcom, em proporções menores, e, por também ter feito um Sul-Americano abaixo da crítica, também dançou.

Embora compreenda as razões de Gallo (e ninguém melhor do que ele pra saber como os jogadores são e se comportam no dia a dia) e inclusive apoie a sua decisão de excluir os atletas do Mundial, pretensiosamente faria um apelo para que essas ausências sirvam como uma tentativa bem intencionada de sacudir esses meninos e atraí-los para o caminho do profissionalismo e consequente crescimento enquanto cidadãos.

Que o técnico tenha a sensibilidade de perceber que, ao menos em tese, ele é a pessoa experiente dessa relação técnico-jogador e a ele compete estender as mãos aos nossos maiores talentos e evitar que se percam pelo caminho. Que clubes, empresários, amigos e familiares dos nossos candidatos a craques tenham sabedoria e ajudem a “enquadrar” esses meninos.

Entendo que um líder deve saber a hora de bater, mas, também a de assoprar. Que os excluídos da lista do Mundial não sejam “bodes expiatórios” do recente fracasso do futebol brasileiro (e aqui me refiro a um contexto amplo) e que vejamos um técnico espiritualmente grande e não um “Gallo de briga”.

Que o sofrimento de hoje seja um aprendizado para amanhã. E que todos caminhemos juntos para reerguer esse esporte que é um patrimônio da nossa nação.

E segue o jogo.

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