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Ganso, Douglas e nossas projeções mentais

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Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Há bastante tempo carrego a dúvida do que nos faz ter eternas expectativas com alguns jogadores e ridicularizar outros que são semelhantes.

Esta semana foi muito interessante nesse sentido. Na quinta-feira vimos o talentoso meia-armador Douglas comandar o Grêmio na excepcional vitória sobre o Atlético Mineiro – então líder do campeonato – em pleno Mineirão, e ser considerado o craque da rodada. No sábado, o São Paulo entrou em campo contra o Goiás, no Morumbi, com o talentoso meia-armador Paulo Henrique Ganso no banco de reservas, que só entrou no intervalo do que já era um melancólico 0 x 2 (que acabou virando 0 x 3) para a equipe mandante.

Ganso é um jogador que apareceu no Santos e que aos 20 anos, em 2010, virou uma unanimidade nacional (a ponto de a maior parte das pessoas o considerarem melhor que seu então companheiro Neymar). Após um primeiro semestre de conquistas, o meia clássico se lesionou gravemente e nunca mais conseguiu manter uma grande sequência em alto nível. Entretanto, teve uma merecida oportunidade pela Seleção na Copa América de 2011, continuou a ter convocações sempre cogitadas, transferiu-se para o São Paulo por cifras exorbitantes para padrões brasileiros, e neste ano despertou o interesse do Flamengo para ser o reforço de peso para o meio-campo. É um grande personagem do nosso futebol.

Douglas surgiu no Criciúma, passou pela Turquia e foi ter algum destaque nacional em 2007, pelo São Caetano, já com 25 anos. Teve sua primeira oportunidade em time grande em 2008, pelo Corinthians, quando se destacou e foi eleito o melhor jogador da Série B (disputada pelo alvinegro paulistano naquele ano). Depois disso, nunca mais agradou a Fiel (mesmo com os títulos de 2009) e foi para os Emirados Árabes. Apenas seis meses depois, veio para o Grêmio – onde viveu boa fase e chegou à Seleção. Em 2012, retornou para o Corinthians e nunca mais foi querido em nenhum lugar, passando pelo Vasco e novamente pelo Tricolor dos Pampas, onde é titular e contestado.

Para que fique claro, acho que Ganso é sim melhor do que Douglas. Só não acho que a diferença seja grande como ficou estabelecido no senso comum. Enquanto o primeiro até pouco tempo atrás gozava de status de “craque de nível internacional”, o segundo chegou a ser enxotado pelo Corinthians, que no ano passado o emprestou para o Vasco (que disputava a Série B) e ainda pagava metade de seu salário. Creio que os dois são craques com a bola nos pés, capazes de lances realmente geniais e de desequilibrar algumas partidas, ao mesmo tempo em que são irregulares, lentos, fazem poucos gols, irritam os torcedores de seus times e parecem não ser talhados para o futebol praticado atualmente.

Só que assim como Ganso se mostrou melhor até hoje (inclusive no ano passado, quando fez ótimo Brasileirão e creio que merecia ser chamado por Dunga), também contou sempre com mais paciência de todos e ambientes mais receptivos. A tal ponto que Jadson, que hoje se prova um meia superior aos dois citados, foi praticamente afastado do São Paulo para que Ganso pudesse brilhar como o dono do meio-campo. O quanto Douglas poderia ter sido melhor se contasse com essa mesma tolerância e confiança ao longo de sua carreira?

Fosse o armador são paulino que tivesse se apresentado como o gremista contra o Atlético Mineiro, não tenho a menor dúvida de que seriam vários os clamores para que fosse convocado para a Seleção.

Meu palpite é que isso ocorre porque ainda damos muito peso à idade. Quando um jogador aparece muito jovem e talentoso, logo projetamos toda a evolução que pode ter, além de seu valor de mercado ir às nuvens. Ainda que o tempo desminta o que foi sonhado, qualquer nova mostra de talento é suficiente para reativar a miragem. Por isso ainda depositamos tanta esperança em Gansos, Patos e Lucas Mouras da vida. Já Douglas, Thiagos Ribeiros e Ricardos Goularts nunca contarão com a mesma sorte.

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Palpites da 19ª rodada do Brasileirão 2015

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- possui 164 artigos no No Ângulo.

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano é especialista em política urbana. Com formação em gestão do esporte, também encara apaixonadamente o futebol como fenômeno cultural.


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7 respostas para “Ganso, Douglas e nossas projeções mentais”

  1. Edilberto disse:

    Concordo em parte, no caso do Ganso a falta de intensidade durante a partida é o que mais o coloca no alvo das críticas, que são corretas, porém a falta de qualidade dos jogadores de todos times brasileiros contribui para atuações oscilantes. Não encontramos mais um time que tenha um meio campo com vários jogadores bons tecnicamente e um Douglas; Ganso, Jadson…

  2. Edilberto disse:

    Concordo em parte, no caso do Ganso a falta de intensidade durante a partida é o que mais o coloca no alvo das críticas, que são corretas, porém a falta de qualidade dos jogadores de todos times brasileiros contribui para atuações oscilantes. Não encontramos mais um time que tenha um meio campo com vários jogadores bons tecnicamente e um Douglas; Ganso, Jadson e outros com as mesmas características acabam sendo irregulares!

  3. Rafael leite disse:

    Meu palpite é que o futebol moderno exige participação efetiva durante 90,min
    Cumprindo as funções táticas e obviamente desempenhando e bem a armação.
    Ganso vive de lampejos e segundos jogados durnte os jogos.
    Douglas de lampejos e minutos jogados.
    Por isso o Jadson a quem o Tite soube fazer entender as necessidades do futebol atual se destaca e muito perto de Douglas e Ganso.

  4. Leo Altava disse:

    Douglas melhor, inclusive com mais história, títulos e tal… Adno Silva

  1. […] estão em afirmação, como Cazares, Luan e Maicosuel (que me agrada muito) pelo lado alvinegro, e Douglas, o raro maestro gremista. Isso para não falar dos excelentes goleiros, de Rafael […]


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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