Ganso e Pato, quanto desperdício

Créditos da imagem: Notícia de Hoje

Na estreia de Mano na Seleção, o Brasil venceu os EUA por 2 x 0 com um quarteto de ataque formado por Ganso, Robinho, Pato e Neymar – gols dos dois últimos. Ficamos cheios de esperança. Ganso começou no Santos como promessa de grande craque, muitas vezes ofuscando o então rebelde e mimado Neymar. Pato fez um gol na primeira vez que pegou na bola pelo Corinthians, na goleado por 5 x 0 sobre o Oeste no Pacaembu – eu estava lá e imaginei, como quase todos os corintianos, que ali começava nova supremacia de um craque no clube.

Nos últimos dias, ficamos sabendo que Ganso não tem sido nem relacionado para a reserva do Sevilla. Pato, em baixa no Villarreal, acabou aceitando a oferta do futebol chinês, o que tinha recusado quando estava no Corinthians -não se sabe se por vingança contra o clube que o desprezou ou por ainda acreditar que se daria bem na Europa.

Como explicar que Ganso, revelação badalada do Santos, que teve boas atuações no São Paulo, encontra-se nesta situação? Ou Pato, que passou de menino de ouro do Inter e do Milan a pior negócio da história do Corinthians?

A cada Copa São Paulo, Sul-Americanos e Mundiais de Juniores, além dos treinos das categorias de base dos clubes, milhares de jovens sonham em ter as mesmas possibilidades que Ganso e Pato tiveram. Poucos vingam. Mas muito menos conseguem tantas chances. Em um futebol no qual tantos sem o mesmo talento vingam, essas duas eternas promessas conseguiram jogar pela janela raríssimas e preciosas oportunidades.

A história tem vários casos de craques que não atingiram a plenitude. Cito aqui nomes que em minha opinião não chegaram ao topo para o qual tinham talento de sobra: Edmundo, Djalminha, Alex, Adriano e o próprio Robinho. Mas esses ainda fizeram sucesso em alguns clubes. Outros se perderam por motivos extra-campo, como Adriano. Mas não consta nas trajetórias de Pato e Ganso casos de alcoolismo, farras em excesso e outros dramas que cercam vários dos ex-quase craques da história.

Os dois têm talento para brilhar na Seleção e em grandes times do mundo. Mas….

Outros craques na história brilharam menos do que mereciam por causa de diferentes motivos. Dirceu Lopes, Ademir da Guia, Dicá, por exemplo, tinham a concorrência de Pelé, Rivellino e Gerson. Era duro se sobressair em um mundo de tantos craques. Edmundo e Djalminha tinham Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Fenômeno pela frente. Mas isso não aconteceu com Pato e Ganso. Mantendo uma produção consistente e no alto nível que sempre mostraram, dificilmente não estariam no time de Tite.

O que fica é a sensação de quem faz um grande filme e não ganha o Oscar por causa de detalhes. De um livro com tema interessante que não consegue cativar o leitor. De uma piada bem feita que não consegue fazer ninguém rir. Diz um sábio pensamento que Deus está nos detalhes. Ganso e Pato tinham tudo para serem campeões de bilheteria. Mas pecaram em coisas muito menores do que seus infinitos talentos.

9 comentários em: “Ganso e Pato, quanto desperdício

  1. se existe um fator que se pode colocar no caso dos 2 é a super-estima
    Os dois foram muito super-estimados enquanto estavam aki despontando
    No caso do Ganso a tal ponto que o impediu de sair no melhor momento de sua carreira – aquela temporada de 2010 pra um time que desenvolvesse de fato seu potencial
    Por ganância de seus empresários que super valorizaram ele acabou sendo preterido e perdeu a deixa
    Já no caso do Pato, ocorreu o contrário: ele saiu cedo demais mas não menos super-estimado tb
    Subiu a cabeça ele achou que era um craque formado e viu que não era bem assim qndo pegou a forte marcação italiana
    Tlvz no futebol espanhol que deixa mais o jogo correr ele tivesse mais sorte
    Mas perdeu a deixa tb
    E hj eles parecem despontar pra finais melancólicos de carreira
    Uma pena vê tanto potencial disperdiçado

    1. Sobre o Ganso não sair para um clube que fizesse ele desenvolver o potencial dele, você deveria especificar em qual clube ele poderia desenvolver este potencial que você diz que ele tem, por acaso é o seu timinho? Pelo que consta aqui no Brasil o único clube que deixa os jovens desenvolver todo seu potencial sem cobrança é o Santos e o auge da carreira dele foi lá, então se você acha que tem outro me fale ou corrija a besteira que escreveu

  2. Bom texto Emerson Figueiredo. Penso que a diferença entre ambos e o resto dos bons jogadores é a vontade de ser grande. Tudo o que fazemos na vida tem que ser com o valor que daríamos a um último prato de comida. Alguns craques (como Ronaldinho Gaúcho) acabaram após perder este brio. No caso de Pato e Ganso, foi o que faltou para crescerem.

  3. Engraçado, não sei se tenho birra por um e simpatia pelo outro, mas acho os dois bem diferentes. Claro que se esperava demais de ambos e nenhum deles confirmou. Mas acho que o Ganso é sim um grande jogador, que tem uma história importante: ídolo do Santos, campeão da Libertadores e que, apesar de saída conturbada, até hoje deixa saudade na torcida santista. Mesmo no São Paulo, onde não teve o mesmo brilho, viveu duas fases muito boas e tenho certeza que os são-paulinos gostariam dele de volta. É um jogador que, voltando para o Brasil, poderia estar na Seleção, para mim.

    Já o Pato eu acho uma decepção total. Nunca se firmou em lugar nenhum, e acho que a melhor fase da carreira foi no final da passagem pelo São Paulo. Mesmo assim, acho que nenhum são-paulino morre de amores por eles.

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