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Gol da Alemanha! E não foi no Brasil…

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Créditos da imagem: www.blogolista.com

Torcedores do PSV humilham pedintes em Madri

Torcedores do PSV humilham pedintes em Madri

Nesses últimos dias, episódios envolvendo torcidas na Europa viraram notícias no mundo todo. O mais recente, envolveu fãs do PSV, da Holanda, que se deslocaram até a Espanha para acompanhar o segundo jogo das oitavas-de-final da Champions League contra o Atlético de Madrid. Num passado distante, os conflitos entre as duas nações citadas eram recorrentes, até mesmo por envolver questões de independência. Ainda que séculos tenham se passado, alguns holandeses parecem não ter aprendido, com a história do seu próprio povo, o quanto a humilhação, a subordinação imposta e a noção de superioridade perante outros seres são indesejáveis na maioria dos contextos.

Nas cenas esquálidas em plena Plaza Mayor, os torcedores desumanizaram os mendigos e moradores de rua locais. Trataram-nos como se fossem animais ao jogarem moedas para que disputassem entre si. Alguns exigiam flexões para que ganhassem a esmola. Outros queimaram notas de euro e jogaram pedaço de pão. Tudo isso enquanto bebiam e confraternizavam nos momentos que antecediam o jogo. E riam. Entretanto, ainda há quem se importa com os sentimentos alheios. Um professor aposentado interveio, e logo a polícia chegou. Essa gente torpe não entende o quanto significa um pedaço de comida ou uma única moeda para quem passa fome, frio. Realmente, não estão acostumados com valores.

Não gosto muito de usar clichês, mas, nesse caso, soa bem. Quem ri por último ri melhor. Podem voltar para casa com a eliminação nos pênaltis. Quem diria que uma simples batida da marca da cal teria tanto valor.

Pequenas ações podem mudar muita coisa. No entanto, o que urge por uma modificação é o comportamento desses seres que se dizem civilizados. Conforme dito, não foi o único fato emblemático envolvendo torcida europeia. Contudo, este eu tenho prazer em contar. No jogo do Borussia Dortmund no último fim de semana, dois torcedores aurinegros sofreram paradas cardíacas no decorrer dos noventa minutos. Um deles acabou não resistindo. E a atitude dos presentes no Signal Iduna Park comoveu a todos.

Muralha Amarela prestando sua homenagem

Muralha Amarela prestando sua homenagem

Antes de chegar ao belo exemplo dado no embate contra o Mainz, cabe valorizar o que essa torcida tem feito ultimamente, o que, não à toa, acaba lhe rendendo admiração e elogios de todos os cantos do planeta. E não poderia ser diferente em se tratando da detentora da maior média de público da Terra, ultrapassando os 80 mil espectadores por jogo. Retifico, aqui, a palavra espectadores. Se muitas vezes reclama-se da gelidez dos torcedores europeus nas arenas, a famigerada “Muralha Amarela” merece ser enquadrada em outra categoria. Nas arquibancadas do setor Südtribune, os fiéis se notabilizaram, principalmente, pelos mosaicos inovadores. Protagonizam festas de arrepiar. E caminham juntos com seu time. Porém, sabem protestar também. Na partida válida pela Copa da Alemanha contra o Stuttgart, fora de casa, os torcedores do Dortmund reclamaram do preço abusivo dos ingressos aos visitantes. Criativos como sempre, entraram no estádio apenas aos 20 minutos de jogo e arremessaram várias bolinhas de tênis no gramado. Partida interrompida.

Mas têm razão: não há futebol sem torcida. O recado foi certeiro contra a elitização. Não estão acostumados com essa ganância dos cartolas que assola, sobretudo, a Inglaterra. Dias antes desse protesto, a torcida do Liverpool também se manifestou ao sair de Anfield no minuto 77, em alusão ao preço (em libras) que pretendem cobrar na próxima temporada. E isso custou caro aos Reds, que cederam empate nos últimos dez minutos, tendo a vantagem de 2 x 0 contra o Sunderland. Diferentemente, o plano de sócio do time alemão é bastante acessível, com pacotes de jogos que proporcionam ao torcedor levar sua família ao estádio sem gastar uma barbaridade. Creio que agora já seja conveniente falar da atitude dos aurinegros diante da tragédia que marcou a vitória diante do Mainz 05,

Com o acontecimento, a torcida, no Signal, calou-se. Mesmo os jogadores perceberam que algo anômalo havia ocorrido. Alguns sequer comemoraram o segundo gol da equipe.

Estava faltando algo. Não eram somente os cânticos. Muito menos a taça da Europa League, que era a figurinha desejada para completar o álbum do mosaico audacioso erguido há pouco tempo. Mas era uma figura que faltava. Ou melhor, duas. Aquela turba sabia o valor da vida. Os torcedores acometidos por problemas no coração não eram apenas mais dois. Eles são o Borussia. E a homenagem veio em grande estilo.

Mosaico da torcida do Dortmund

Mosaico da torcida do Dortmund

Ao término da partida, na saudação ao time, houve um minuto de silêncio. O elenco abraçado e chocado com a notícia. A torcida tentando lidar com aquela situação se propôs a cantar a tradicional música que faz o estádio pulsar: You’ll never walk alone. Nem o time, nem torcedores caminham sozinhos. Eles passaram sua mensagem com perfeição, como já estão habituados a fazer. Seu hino deixa mais claro ainda o que pensam. “Borussia conecta gerações. Homens e mulheres, de todas as nações. A questão aqui não é rico ou pobre. Nós torcedores nas arquibancadas, somos todos iguais. No vento e do tempo estão todos lá, nós só queremos. Borussia, Borussia, Borussia Borussia!”

Na tradução, é mais ou menos isso que a letra diz. Quem sabe, assim, aqueles holandeses possam aprender alguma coisa. Mais uma vez, os alemães deram aula. Em um de seus mosaicos, um torcedor aparecia com um binóculo. Estava de olho na prestigiosa taça. Nós também estamos de olho, mas nas ações que cercam o esporte que tanto amamos. Há coisas mais importantes que o futebol. Através dele, todavia, também se ensina e se educa. Dessa vez, os alemães deram outro banho. A humilhação saudável. E quem sofreu com isso não fomos nós brasileiros. O 7 x 1, agora, foi nos holandeses.

Zezé Moreira, o "mestre dos mestres"
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Escrito por:

- possui 3 artigos no No Ângulo.

Sou o Rodrgio Castro, estudante de comunicação social na UFRJ, apaixonado por esportes, sobretudo, o futebol. Frequento
estádios e amo torcer, mas também gosto de escrever sobre essa paixão que conecta o mundo. Tenho um blog chamado CrônicaRC e sou leitor assíduo de páginas que mostrem qualidade.


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4 respostas para “Gol da Alemanha! E não foi no Brasil…”

  1. Neto Furquim disse:

    Diogo Belezia Guilherme Oliveira

  2. Ainda bem que “ainda há quem se importe com os sentimentos alheios”. Texto bem oportuno, parabéns. Abs 😉

  3. Ótimo texto! É muito triste pensar no que se tornaram esses grupos de torcedores mais próximos ao clube, em várias partes do mundo.

    É necessário criar uma alternativa a isso, talvez mais oficial, para os torcedores comuns que querem viajar ou começar novas iniciativas no estádio, e não querem se aproximar desses grupos como torcidas organizadas e assemelhados 🙁

  4. Lucas Keller disse:

    Alemanha e gibraltar na eliminatorias da euro 2016 … 7 a zero pra Alemanha …alguem lembra


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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