Liga Sul-Minas-Rio mostra que é hora de romper com a atual estrutura do futebol brasileiro

Créditos da imagem: Bastidores FC / GloboEsporte.com

Você pode concordar ou não com a criação da Liga Sul-Minas-Rio, que foi lançada na última quinta-feira e pretende montar seu primeiro campeonato já em 2016, mas o surgimento da associação que reúne clubes de estados importantes como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina é mais uma prova da insatisfação geral contra o atual modelo do futebol brasileiro. Os longos, empobrecidos e deficitários estaduais não agradam mais. É preciso romper com o atual sistema. Há dois anos, na época do lançamento do Bom Senso, as estrelas do espetáculo, os jogadores, reivindicavam mudanças no calendário a fim de reduzir a maratona de jogos, impedir que rodadas dos campeonatos coincidam com partidas da Seleção Brasileira, tornar as competições mais atrativas e ter tempo suficiente para fazer uma adequada pré-temporada.

De tudo isso, a CBF atendeu apenas um dos pedidos. Desde 2014, o período de preparação para a temporada aumentou de duas semanas para um mês. Do restante, nada foi atendido. Os campeonatos estaduais continuam longos e cansativos, com poucos jogos realmente interessantes. E o Campeonato Brasileiro, que deveria ser a cereja do bolo do calendário do nosso futebol, continua jogado no meio da temporada, tendo seu início ofuscado por fases decisivas dos Estaduais e a fase de mata-mata da Libertadores.

A Liga Sul-Minas-Rio segue o exemplo da Copa do Nordeste, que voltou a ser disputada em 2013 e tem sido sucesso de público e renda. Os clubes da região deixam de lado os Estaduais, entrando apenas em suas fases mais decisivas, jogando menos jogos deficitários e dando prioridade à competição regional, muito mais atrativa em termos financeiros e de competição.

Para ter lugar em 2016, a Liga Sul-Minas-Rio terá que negociar com as federações alterações no regulamento dos campeonatos estaduais para que ela não se torne mais um estorvo no já inchado calendário. A Federação Catarinense vai apoiar a iniciativa, enquanto as outras precisam se posicionar a respeito, sendo que a Gaúcha e a Carioca já sinalizaram que a não veem com bons olhos.

Inquestionável, no entanto, é a força com a qual surge a nova liga. Os cinco estados reúnem 12 times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro: Flamengo, Fluminense, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Internacional, Grêmio, Atlético Paranaense, Coritiba, Figueirense, Joinville, Chapecoense e Avaí. O número só não é maior porque o Vasco, de Eurico Miranda, não apoia a ideia. Tem tudo para ser o embrião de uma liga nacional como disse o presidente do Cruzeiro, Gilvan Tavares. “É um passo gigantesco. É assim no mundo onde o futebol deu certo como Espanha, Itália, Alemanha e Inglaterra”, disse o dirigente.

Para que isso aconteça, basta juntar os paulistas à ideia e mais Goiás e Sport.

Assim, toda a primeira divisão estaria reunida numa liga nacional, que pode ser a saída para romper com o atual sistema regido pela CBF e pelas federações estaduais.

Pode ser a grande salvação para o futebol brasileiro.

2 comentários em: “Liga Sul-Minas-Rio mostra que é hora de romper com a atual estrutura do futebol brasileiro

  1. É um primeiro e importante passo para o rompimento do sistema, como bem lembrado pelo Gavini.

    A verdade é que a Liga poderá (e espero que seja) o embrião da formação da liga de clubes, de verdade. Ainda que o campeonato em si pareça um pouco bizarro do ponto de vista geográfico, é uma importante medida para peitar o poder das federações.

    Como disse, é o primeiro passo. Mas não é o suficiente. Ainda deverão formatar boas competições (não custa lembrar que esses regionais já foram jogados algumas vezes, e bem, não são exatamente bem lembrados), se unirem de forma coesa entre eles, sem clubismo e rivalidade boba, e conseguirem o apoio de outros times, pouco a pouco, para aumentar a força contra a CBF.

    Já passou da hora da CBF tomar conta do seu produto, que é essa seleção, e deixar que os clubes façam os campeonatos, extinguindo ou diminuindo consideravelmente a força dessas federações estaduais retrógradas e politiqueiras.

    Registro, entretanto, o medo por conta do histórico da união dos clubes. Já tentaram algumas vezes e logo cederam às pressões, foram para seus cantos e não deram prosseguimento à iniciativa.

    Esperamos um final diferente.

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