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Luis Fabiano é mais uma vítima da gangorra imediatista com os centroavantes no Brasil

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Créditos da imagem: folhaz.com.br

Sempre insisto que o imediatismo é um dos principais problemas do brasileiro em todos os assuntos, inclusive no futebol. Mas acho que com os centroavantes a questão é ainda mais delicada.

Há alguns meses, Fred não servia para nada. Era visto como o “cone maldito” que afundou a Seleção na Copa. Ao mesmo tempo, Guerrero era apontado como “o cara”, que saiu do Corinthians deixando a Fiel triste e com raiva (dor de cotovelo), e chegou ao Flamengo em lua-de-mel com a nação rubro-negra.

Ao mesmo tempo, o ótimo Luis Fabiano vira e mexe é tratado quase como um ex-jogador e hoje, de saída do São Paulo, há quem crave que já está acertado com um clube da China. E Vágner Love, que já viveu grandes momentos, chegou ao Corinthians sem muita expectativa e, ainda assim, estava bem abaixo delas. Mesmo com os bons números demonstrados neste Brasileirão (o que deve ser relativizado em função da muitíssimo bem azeitada “máquina alvinegra”), teve desempenhos horrorosos ao longo do ano, e apenas nas últimas partidas vem atuando bem.

E não poderia deixar de ser citado um dos maiores (senão o principal) personagens do futebol brasileiro neste ano: Ricardo Oliveira. O veterano voltou ao Santos com contrato de risco e sua contratação mal rendeu notinhas. Se era natural a desconfiança após tantos anos afastado do futebol de alta competitividade, também era justificável uma maior expectativa de que pudesse dar certo, afinal, sempre foi goleador por onde passou. Atualmente é o líder do grupo santista, artilheiro do Brasileirão, do Campeonato Paulista e do ano no Brasil, além de titular da Seleção Brasileira.

Hoje é feito o devido reconhecimento a Fred, um grande camisa 9 do nosso futebol e um dos (talvez o maior) ídolos históricos do Fluminense. E, na gangorra do imediatismo, Guerrero vem sendo duramente criticado, e o sucesso corintiano no Campeonato Brasileiro serve como munição contra ele.

Para mim, todos os citados são centroavantes de excelente nível (abaixo apenas de extra-classes como Romário e Ronaldo), cada um com suas características. Enquanto Fred, Ricardo Oliveira e Luis Fabiano são mais letais, precisam de poucas oportunidades para meterem a bola nas redes adversárias, o peruano Guerrero não tem esse perfil, mas é mais importante para a engrenagem do time, com suas descidas pelas pontas, trabalho de pivô e marcação, além de ter personalidade para fazer gols importantíssimos. Só precisa de um time melhor e de mais estabilidade para se firmar no Flamengo.

Luis Fabiano deveria estar sendo disputado a tapas por alguns times de ponta do Brasil. Creio que é necessário que saia do São Paulo e respire novos ares (tanto para ele quanto para o clube), e que não tem perfil para fazer parte de times que almejem ser imediatamente “O melhor do país” e que já tenham jogadores de decisão. Já para qualquer outro, é uma maravilhosa oportunidade.

E Vágner Love é uma incógnita. Se seu péssimo ano pode ser explicado apenas pela falta de pré-temporada e o tempo que passou “no futebol classe C mundial”, creio que só saberemos em 2016, quando ainda terá de volta a concorrência do excelente e promissor Luciano. Mas há razões para acreditar (como os últimos jogos têm mostrado) e para desconfiar (como a chuva de gols perdidos e lances bizarros em uma equipe que está brilhando). Dependendo, pode voltar a ser o atacante mortal que já foi, e deixar o Corinthians ainda mais forte para o ano que vem.

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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano é especialista em política urbana. Com formação em gestão do esporte, também encara apaixonadamente o futebol como fenômeno cultural.


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2 respostas para “Luis Fabiano é mais uma vítima da gangorra imediatista com os centroavantes no Brasil”

  1. Danilo Vieira disse:

    Concordo sobre o imediatismo e que são atacantes bons e experientes, mas é evidente que a função centroavante mudará num futuro muito próximo, com jogadores mais rápidos e participativos, exemplo é o willian no Cruzeiro, não tem o nível dos citados no texto e já foi muito questionado, mas joga um futebol moderno.


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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