Mais Kaká e Menos Ganso

Créditos da imagem: Portal Terra

Tenho ouvido muito esse ano sobre o papel da liderança no futebol.

Dunga, referindo-se a Robinho e Neymar, classificou seus comandados como líderes da alegria e da irreverência, ambos, portanto, com perfil de liderança diferente da dele próprio, quando capitão da seleção, ou de Carlos Alberto Torres (o eterno Capita), estes mais sisudos e com maior senso de cobrança.

Ainda, grande parte da torcida são-paulina atribui o pouco sucesso do time na temporada à saída do Kaká do elenco, mais até pelo seu espírito de liderança do que propriamente pelo futebol praticado dentro de campo.

E, mais recentemente, coincidentemente ou não, sem poder contar com o seu craque acima citado, Robinho, o Santos veria a sua invencibilidade na temporada cair por terra contra a Ponte Preta e no jogo seguinte apenas empataria com o modesto São Bento.

Esses são apenas alguns dos exemplos mais recentes.

Defino como líder aquele com a capacidade de comandar pessoas, atrair seguidores e o poder de influenciar positivamente mentalidades e comportamentos.

Em se tratando de ambiente profissional, acredito que uma pessoa alto-astral, quase sempre sorridente (sem ser alienada, claro) e de bem com a vida, faz muito bem para o meio do qual faz parte, pois propaga uma energia positiva e acaba contagiando as demais. Da mesma maneira, alguém que faça o seu trabalho de maneira super competente – ainda que de modo introspectivo e calado – acaba por exercer uma influência benéfica, impulsionando os companheiros a buscarem o mesmo nível de excelência.

Voltando ao Kaká, eleito melhor jogador do mundo pela FIFA em 2007, embora entenda que o estrelado e experiente time do São Paulo não possa se valer desse argumento (ao lado de Muricy, os atletas precisam encontrar novas soluções para o time voltar a jogar bem), constato que o ex-camisa 8 tricolor faz, sim, muita falta. Um atleta desse gabarito (e aí estou falando de qualquer modalidade esportiva), para atingir o ápice, o topo que Kaká atingiu, a ponto de ser escolhido “o” melhor naquilo que faz, além do “dom divino”, certamente possui um nível de disciplina e de autocrítica muito fora da curva, além de um grande espírito vencedor. Daí o meu respeito e admiração por atletas como Gustavo Kuerten, Cesar Cielo, Arthur Zanetti e Gabriel Medina, pra citar apenas alguns dos nossos ídolos nacionais. Por isso acredito que o Kaká fazia tão bem ao grupo são-paulino, tendo criado uma verdadeira “corrente do bem” em todo o elenco. Há quem diga que ele corria feito um “Menino de Cotia” nos treinos, uma genuína lição de humildade. Um paradigma.

Como contraponto, como não pensar no Ganso? Não foi uma, mas algumas vezes que o próprio se intitulou como o melhor meio-campista do Brasil. Extremamente talentoso (entendo que poucos, mas muito poucos, têm o seu toque de bola e sua visão de jogo em nível mundial), não poderia trabalhar e focar para que os outros (e não ele próprio) cheguem a essa conclusão a respeito de seu futebol? Será que ele não percebe o quão pra trás tem ficado? A título de exemplo, Neymar, seu companheiro de clube em 2010 e a quem era comparado naquele timaço do Santos, já jogou uma Copa do Mundo, é o maior astro da nossa seleção e internacionalmente reconhecido.

Tempo e capacidade o Ganso tem. Que reflita e mude. Que seja mais Kaká e menos Ganso.

E segue o jogo.

8 comentários em: “Mais Kaká e Menos Ganso

  1. Como bom torcedor do Alvi Negro da Vila Belmiro fiquei muito empolgado quando o Ganso (Ele começou a ser chamado pela crônica por Paulo Henrique, mas fez questão de ser chamado de “Ganso”, o que me soou bastante modesto e simpático), trazido ao nosso time pelo nosso eterno ídolo Giovanni (pois ambos eram da mesma Belém do Pará)começou a treinar e jogar no nosso time. Um jogador clássico, com uma visão de jogo espetacular e um lançamento de bola exuberante, logo me encheu os olhos e me deixou em dúvida se não seria até melhor que o craque que surgia: Neymar. Passado pouco tempo o Santos traçou o futuro de Neymar com um programa bastante interessante (que até o seu “complicado e egoísta” empresário aprovou). O Ganso por outro lado, começou a ser empresariado por empresários (supermercadistas) gaúchos (que compraram boa parcela dos “direitos de venda” do jogador) e METERAM OS PÉS PELAS MÃOS, não aceitando uma proposta semelhante a que o Santos fizera para o Neymar e começando um braço-de-ferro com enorme desgaste junto a cúpula alvinegra, redundando na saída do Ganso para o São Paulo de uma forma extremamente conturbada. Enquanto Neymar se destacava na Seleção e no Santos (posteriormente no Barcelona) o Ganso desaparecia, apesar de ter rompido com os empresários gaúchos. Orientado por um superado e decadente técnico (Muricy Ramalho), o ex promessa de melhor meia do futebol brasileiro está completamente perdido (não sabe marcar, não tem “punch” para disputar os lances no meio de campo e perdeu a sua maior e melhor qualidade: O LANÇAMENTO PERFEITO). Categoria ele ainda tem (pois é inato), mas ele necessita urgentemente de um novo técnico, competente, atualizado e que ele respeite, para que possa tentar reiniciar a sua “triste” e já decadente carreira.
    Tenha muita Boa Sorte EX-CRAQUE GANSO.

    1. Vicente, realmente o Ganso pintou para a maioria (não para mim) como melhor que o Neymar. Ele é o tipo de jogador clássico, esguio, que encanta os amantes do bom futebol.

      Penso que, assim como o Ricardinho (ex-Corinthians e Seleção Brasileira), o Ganso precisa de grandes astros ao seu lado, em um time organizado. Ele é, sim, um belo de um coadjuvante (e aqui falo em tom elogioso). Sempre imagino o Ganso atuando no Barcelona no lugar do Iniesta. Devaneio? Pode ser, mas eu acho que daria muito certo! Ainda mais com o Neymar por lá! Seria uma aposta (bem barata, para os padrões europeus) que, caso fosse dirigente do clube catalão, eu faria.

      Aguardemos o que vai acontecer com a sua carreira. Eu estarei na torcida.

  2. Senhores, texto muito bem escrito. Parabéns pela comparação traçada. Agora, sem clubismo algum, na minha humilde opinião o ganso não tem “punch” pra jogar em futebol de primeira linha Europeu. Seria impossível ver ele jogando sequer um jogo desse nível. Imaginem ele na Alemanha? Haha piada!

    Mas concordo sim, novamente, com a bela comparação. Ricardinho e Ganso….ele foi sim um belíssimo coadjuvante (sem demérito) assim como seria o melhor possível pro Ganso, na minha humilde opinião.

    1. Obrigado, Rafael! Mas você não acha que ele já rendeu muito bem pelo Santos e até pelo São Paulo? O Campeonato Brasileiro dele do ano passado, por exemplo, foi excelente!

  3. Excelente para um jogador tratado com astro maior da constelação?
    Nao, realmente não acho que ele tenha ido bem pelo SP.

    E também acho que o problema crônico do joelho o impede de ser esse astro que muito consideram.

  4. Excelente texto. Excelente percepção. Vai ser legal daqui a uns anos reler esta coluna e verificar em que resultou a carreira do PH Ganso.

  5. Fernando, o Ganso parece que ficou parado no tempo porque achou que já tinha encontrado toda a receita do sucesso. Me parece um caso claro de deslumbre mal administrado. Esses dias eu cometei que ele tinha dotes de Sócrates, e poderia ter se tornado um se não tivesse achado isso com 20 anos! O cara imitando maestro em comemoração de gol é emblemático… Total falta de noção do que é necessário pra atingir o topo. E o pior é que ele tem sim potencial pra chegar lá, mas falta a cabeça…

    Falam que Freud explica tudo. Quem conhece a história de vida do Ganso teria um prato cheio pra especular… Vai saber…

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