Mais uma final para a Argentina. Mais uma chance de acabar com a melancolia

Créditos da imagem: fifa.com

Não sou um especialista, mas o tango argentino sempre me pareceu triste. E quase sempre ligado ao futebol, já que talvez sejam as duas maiores referências culturais do país. E não foram poucas as vezes que a Seleção Argentina voltou para casa ao som de Gardel.

Antes da semifinal contra o Paraguai, havia um texto meu pronto falando sobre as decepções que a Argentina me trouxe como fã do seu futebol. Talvez pudesse ser até a letra de um tango, ainda que não fosse essa a pretensão.

Mas rasguei o que foi escrito. Até a última terça-feira, 30, nunca a Argentina havia me feito suspirar por seu jogo. Sempre fui admirador do futebol dos hermanos, dos jogadores principalmente. Mas como equipe, a seleção sempre me decepcionou.

Estava decidido a não me enganar mais. Estava certo de que a Argentina iria me decepcionar novamente. Mas a surra aplicada no Paraguai me fez dar nova chance à seleção de Messi. E essa chance será contra o Chile, na final da Copa América de 2015. Como quem dissesse “espera mais um pouco”, a goleada de 6 a 1 me fez pensar que eles podem, enfim, pagar o que me devem.

De Ortega e Batistuta a Messi e Agüero, passando por Aimar, Riquelme e Verón, eu sempre via na Argentina a chance de um resgate do futebol de verdade. Mas nada aconteceu. Desde moleque que espero boas atuações e nada. Títulos, então, são mais de duas décadas de espera também para os torcedores argentinos.

Algo acontece com esse time de camisas pesadas (e lindas), jogadores talentosos, treinadores vitoriosos, e… zero conquistas desde 1992. Título olímpico tem seu valor, mas não é futebol profissional e não sou eu quem digo. Cá para nós, o futebol nem era para estar nos Jogos.

Bem, vamos combinar, não é falta de talento que traz a seca argentina. De Di Stáfano a Messi, passando por Maradona, claro, e outras dezenas de craques, a Argentina sempre foi protagonista do futebol mundial. Talvez seja a segunda maior potência em termos de grandes jogadores, atrás só do Brasil. Sempre figurou no primeiro escalão do futebol, inclusive com estrelas na Europa e até aqui mesmo, em terras tupiniquins.

Também não é problema de treinador, ou pelo menos não parece. Cultuados por muita gente boa aqui no Brasil, os professores argentinos fazem milagres na Libertadores. E, ao contrário dos brasileiros, conseguem algum sucesso na Europa. São ou parecem ser estudiosos e dedicados. Não é coincidência treinarem as quatro seleções que chegaram às semifinais desta Copa América.

Tradição sobra para albiceleste, então, também não deve ser a causa. A camisa (linda, já falei?) é pesada e tem história. Ainda que os dois únicos títulos mundiais tenham sido num curto período – um deles deveras contestado – histórias de vitórias e conquistas sobram pros hermanos.

Ah, e os jogadores não são mercenários ou algo do tipo. Não me parece esse um empecilho. Os argentinos são identificados com seu país, ou a maioria deles, a ponto de quase todos os grandes talentos fazerem o caminho de volta, com orgulho de ostentar no peito o escudo de seu time do coração. São inúmeros os casos e comprometimento parece não faltar. A relação entre atleta e país na terra do Maradona é de dar inveja.

Mas então, o que acontece com a Seleção Argentina? O que precisa para voltarem a ganhar alguma coisa? Melhor: o que falta para a Argentina vencer e também convencer, como conseguiu fazer contra o Paraguai?

Também não sei. Sei que para darem a volta por cima de vez, resta a final. Ainda que o Chile esteja em grande fase, com ótimo time, excelentes jogadores e jogando em casa, há uma obrigação para a Argentina vencer. São 23 anos sem gritar “é campeão”. É muito para um país que abunda em talento, em vontade, em história.

A hora é agora. Com Messi, Agüero, Di María, Tévez e cia, a Argentina pode voltar a ganhar um título. E de preferência, jogando o futebol que sabemos que eles sabem. Para pagar a dívida que eles tem comigo e  acabar de vez com a melancolia típica de um tango portenho.

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